A cada instante, tudo pode mudar
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A cada instante, tudo pode mudar

Conheça o princípio budista dos dez mundos (ou dez estados), a explicação para a mudança contínua da vida

Somos membros da SGI para nos capacitarmos a transformar por completo o destino. Toda a teoria budista tem o propósito de revolucionar seu modo de vida e criar um novo cotidiano. Não é apenas teoria vazia. Um desses ensinamentos é a teoria dos dez mundos e sua “possessão mútua”.

Os dez mundos são categorias de seres descritos nos sutras tais como o “mundo dos animais”, o “mundo dos bodisatvas” etc. Esses dez mundos podem ser interpretados também como estados de vida ou condições que todos podem manifestar a cada momento. Listamos esses estados do menos para o mais desejável: inferno, fome, animalidade, ira, tranquilidade, alegria, erudição, autorrealização ou absorção, bodisatva e buda.


Não é difícil entender essa teoria. Pela sua experiência, você provavelmente sabe como são os dez mundos: uma condição submersa no sofrimento (inferno), um estado no qual corpo e mente estão engolfados nas chamas impetuosas do desejo (fome), ter medo de quem é forte e aproveitar-se do fraco (animalidade), o desejo ardente de vencer a qualquer custo e dominar os outros (ira), um estado calmo marcado pela capacidade de fazer julgamentos racionais (tranquilidade), um estado repleto de contentamento (alegria), a aspiração à iluminação (erudição), a capacidade de perceber a verdadeira natureza dos fenômenos (autorrealização ou absorção), benevolência na qual se busca salvar todas as pessoas do sofrimento (bodisatva), e finalmente o mundo do estado de buda, condição de completa e perfeita liberdade e felicidade absoluta.

No entanto, analisar os dez estados de forma isolada não transforma o destino. Seria insuportável viver tentando adivinhar em qual estado está ou, ainda, tentar negar que existam estados indesejáveis como a animalidade e a ira. O que transforma mesmo o destino é compreender que há uma impressionante dinâmica acontecendo na vida e a cada instante manifestamos um dos dez estados.


Qualquer que seja a situação, sempre é possível manifestar aqui e agora o fascinante e revigorante estado de buda. Aliás, praticamos o budismo para manifestar a mesma condição esperançosa de um buda. E como um buda lida com a acelerada dinâmica dos dez estados?

Ele sabe que existem os nove mundos e também que existe o mundo do buda. Portanto, ele luta para viver no estado de buda e não mais ficar à deriva oscilando momento a momento numa instabilidade sem fim. O presidente Ikeda explica: “Mesmo em uma sociedade lamacenta como a nossa, o budismo vê a possibilidade de se manifestar o estado de buda, a maior dignidade da vida de um ser humano".


Essa condição manifesta energia e sabedoria com tamanha força que a pessoa experimenta os outros nove estados como se estivesse surfando com maestria numa onda. Tudo é aproveitado e se cria valor na própria vida.

Então um buda não manifesta mais os outros nove mundos?

Um buda não se afasta da realidade nem nega os nove mundos. Ele faz nascer um sol de esperança em seu coração e age energicamente se utilizando de tudo o que a vida oferece (nove mundos) para criar valor e incentivar as pessoas (estado de buda).

O presidente Ikeda analisa: “Por mais aflições que haja na vida diária ou que os sofrimentos continuem, se o sol dentro do coração brilha intensamente, ele ilumina a circunstância para que seja superada com tranquilidade, e esse sol pode ser compreendido como o estado de buda de nossa vida".


Outra forma simples de entender os dez mundos é compará-lo com as estações do ano: inverno, primavera, verão e outono. Não há estação melhor do que a outra nem é possível frear a alternância entre elas. Cada uma tem seu brilho, sua razão e, no todo, são benéficas para a continuidade saudável da vida.

Da mesma forma, a pessoa que faz do estado de buda a base da vida tem energia para experimentar os nove outros mundos com serenidade, transformando tudo em estímulo para o aprimoramento.

Josei Toda conclui sobre a força do estado de buda: “Em algumas ocasiões ainda poderemos ficar irados ou nos surpreendermos; pois o fato de desfrutarmos uma paz espiritual não significa que eliminamos a ira, por exemplo. Uma preocupação ainda continua sendo uma preocupação. Contudo, em nosso interior, sentimos uma profunda paz espiritual”.



Fonte: Brasil Seikyo, ed. 2.291, 12 set. 2015, p. C2 e C3

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