A origem dos sutras
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A origem dos sutras

Shakyamuni pregou o Sutra do Lótus num período de oito anos, tendo os discípulos, mais tarde, compilado seus sermões. Centenas de anos se passaram antes que o texto alcançasse a forma pela qual hoje o conhecemos.

Com o passar do tempo, o sutra foi traduzido e levado da Índia à China. Deste país, foi transmitido para o Japão, particularmente na sua oitava tradução, realizada por Kumarajiva e intitulada Myoho-renge-kyo.

Após a morte de Shakyamuni, seus discípulos defrontaram-se inicialmente com a tarefa de compilar os ensinos que o Buda havia exposto pelo período de 45 a 50 anos de maneira que pudessem ser transmitidos às gerações futuras.


A primeira assembleia para a compilação dos ensinamentos do Buda aconteceu na Gruta das Sete Folhas, perto de Rajagriha, capital do Estado de Magadha, na Índia Oriental, três meses após a morte do Buda, e dela participaram quinhentos monges presididos por Mahakashiapa. Nessa ocasião, este perguntou a Ananda sobre as doutrinas e a Upali sobre as regras das disciplinas. Ambos recitaram as doutrinas conforme ouviram do Buda. Quando interrogado por Mahakashyapa sobre o local e o que Shakyamuni havia pregado, Ananda costumava dizer “Assim eu ouvi. O Buda estava certa vez em...”, razão pela qual tradicionalmente todos os sutras iniciam com a frase “Assim eu ouvi”.

Os membros que participaram dessa assembleia confirmaram a retidão das recitações de Ananda e Upali referentes às palavras do Buda e em seguida todos recitaram de novo e em uníssono estabelecendo dessa forma a versão definitiva. Entretanto, não foi feito o apontamento dessa versão, uma vez que na Índia antiga a palavra escrita era considerada vulgar e predominava a ideia de que os ensinos religiosos não deveriam ser gravados em forma escrita, mas ser memorizados e transmitidos oralmente.

Com o impulso dado pela primeira assembleia, a Ordem tomou grande interesse pela organização e compilação dos ensinos de Shakyamuni. Durante um século após a assembleia, as regras disciplinares que os monges deveriam seguir foram compiladas e preservadas em textos conhecidos como vinaya, enquanto as doutrinas e os ensinamentos foram compilados em diversos textos, conhecidos como sutras.


Quase um século após a morte de Shakyamuni, ocorreu um incidente de grande repercussão entre um grupo de monges progressistas e de conservadores. Com isso, a Ordem dividiu-se em dois grupos, e mais tarde essas duas escolas também se subdividiram. No final do primeiro século antes de Cristo já existiam entre dezoito a vinte escolas. Cada escola transmitia e acrescentava novos ensinos à luz de sua interpretação particular.

Quinhentos anos após a morte de Shakyamuni, um novo movimento budista surgiu em resposta às necessidades não só dos monges e dos praticantes leigos, mas também da sociedade em geral. Esse movimento reformista foi denominado Budismo Mahayana. A palavra mahayana significa “grande veículo” e era usada frequentemente como oposto de hinayana, ou “pequeno veículo”, que se referia principalmente às escolas Theravada.

Uma das características do Mahayana é que ele surgiu entre pessoas leigas que cuidavam dos santuários, louvavam as virtudes do Buda, mantinham uma fé ativa e não aprovavam o isolamento e o academicismo estéril das escolas tradicionais.


Com o intuito de restabelecer o espírito original do budismo, os seguidores do Mahayana produziram uma série de escrituras.

De acordo com estudos modernos, os ensinamentos do Mahayana foram compilados durante um período de quase mil anos, desde o primeiro século a.C. até os séculos 8 e 9 da era cristã, sendo que o processo de compilação pode ser dividido em três períodos principais. As escrituras do primeiro período foram compiladas entre o primeiro século a.C. e o aparecimento do filósofo Nagarjuna, por volta dos anos 150–250. As escrituras Mahayana do segundo período aparecem desde o tempo de Nagarjuna até Vasubandhu, por volta do quarto e quinto séculos da era cristã. E as escrituras do terceiro período são sutras esotéricos.


Na seguinte carta endereçada à Ueno-Ama Gozen, intitulada “Wu-Lung e I-Lung”, Nichiren Daishonin fala sobre a razão do nome Lótus:

Myoho-renge-kyo é comparado ao lótus. A flor de mahamandara no céu e a flor de cerejeira no mundo humano são notórias, mas o Buda não escolheu nenhuma delas para ser equiparada ao Sutra do Lótus. De todas as flores, ele selecionou a flor de lótus para simbolizar o Sutra do Lótus. Há uma razão para isso. Algumas plantas primeiro florescem e depois produzem frutos, ao passo que em outras os frutos aparecem antes das flores. Algumas geram apenas uma flor, mas muitos frutos, outras dão frutos sem florir. Desse modo, há várias espécies de plantas, mas somente o lótus produz flores e frutos simultaneamente. O benefício de todos os outros sutras são incertos, pois ensinam que a pessoa deve primeiro fazer boas causas e, somente então, poderá tornar-se um buda em algum tempo a seguir. O Sutra do Lótus é completamente diferente. Uma mão que o segura imediatamente atinge a iluminação, e uma boca que o recita instantaneamente entra no estado de buda, assim como a Lua é refletida na água no momento em que se eleva por detrás das montanhas do Leste, ou como o som e seu eco surgem concomitantemente. É por isso que o sutra afirma: ‘Entre aqueles que ouvem esta Lei, não existe ninguém que não atingirá o estado de buda. ’ Essa passagem indica que se houver cem ou mil pessoas que abraçam este sutra, sem uma única exceção, todas as cem ou mil tornar-se-ão budas”.

Fonte: Terceira Civilização, ed. 407, 1 jul. 2002

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