"Acho que não sou digno de ser feliz. O que devo fazer?"
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"Acho que não sou digno de ser feliz. O que devo fazer?"

Ao se encontrar com Josei Toda, o camponês refletiu e questionou: “Reconheço quão grandioso é Gohonzon. Entretanto, acho que não sou digno de ser feliz. O que devo fazer?”

— Toda sensei, o senhor ensinou o meio para ser feliz dizendo: ‘Os sofrimentos atuais desaparecerão se persistir infalivelmente no gongyo e no daimoku de manhã e de noite durante um ano’. Coloquei em prática a orientação imediatamente, mas não deu resultado. Consegui recitar o gongyo, porém o resultado de shakubuku foi um fracasso. Apesar de falar sobre o budismo aos moradores da aldeia, ninguém me acolheu com atenção. Sinto que não mereço ser feliz, ainda que o senhor tenha me prometido.”


O segundo presidente da Soka Gakkai, Josei Toda, nos anos 1950, dedicava um período do dia para dialogar com membros da Soka Gakkai. O encontro acontecia numa sala exclusiva da sua empresa, geralmente à tarde.


Muitos membros passavam por dificuldades extremas naquela época. Mas Josei Toda jamais desistia de incentivar cada um até que provocasse a transformação. “Os variados sofrimentos que existem debaixo das sombras deste mundo estavam presentes naquela sala. As soluções não podiam mais ser encontradas na política social do mundo moderno nem nos eficientes médicos, advogados ou políticos famosos.”


O presidente Ikeda relata que as pessoas entravam na sala para dialogar com Josei Toda desestruturadas e desanimadas. E saíam reluzentes, iluminadas. Era impressionante a seriedade com que Toda se dedicava às pessoas. Prezar cada pessoa é cuidar bem dela, envolver-se seriamente nas questões que a incomodam incentivando-a e valorizando-a porque ela é única, preciosa e importante. É tirar-lhe o sofrimento.


“Toda sensei examinava cada um dos problemas com total sinceridade, analisando-os pelo prisma dos ensinamentos de Nichiren Daishonin. Em seguida, revelava o poderoso benéfico da Lei Mística com sua inteira convicção, incentivando e mostrando o caminho da solução com esperança e coragem.


Surgiam questões que, às vezes, levavam Toda à perplexidade. Apesar disso, ele orientava como se resistisse de pé ante um impacto de ventanias, agarrando-se ao Budismo Nichiren como a única tábua de salvação no meio da correnteza. Fossem quais fossem os problemas, ele ia até a solução final e não os abandonava. Era um esforço que requeria empenho intenso e cansativo. Mas, vendo os companheiros de fé chegando ao seu redor, esquecia tudo e agia com ânimo e coragem.”


Naqueles dias, o objetivo lançado era gongyo e daimoku diários e um shakubuku por mês visando a revolução humana. Ao ouvir atentamente o desabafo do humilde lavrador, Josei Toda reuniu forças:

“— Nichiren Daishonin diz que shakubuku é a mais penosa das dificuldades. É a prática da austeridade budista que requer fortalecer a energia vital e ter paciência e persistência. Esmorecer, desanimar após dois ou três meses de prática não é a atitude dos que pretendem devotar-se à fé por toda a existência. Apesar disso, o senhor não está conseguindo desenvolver a prática do shakubuku?”

“— Eu não consigo.”

“— Mas... Como?... Por quê?”

“— ... Na verdade, sou um simples camponês. Entre os lavradores da aldeia, ninguém me dá confiança.”

Ressoava angústia na sua confissão. Aquele senhor vivia condenado pela discriminação social e sofria com isso. Embora tivesse se levantado com coragem e pureza em busca da felicidade, o preconceito social barrava seu caminho. Toda  captou a raiz do problema e lhe disse:

“— Já sei! Compreendi. Não lamente mais. O preconceito social está fazendo o senhor ser discriminado. O budismo está isento dessa indiferença. Todos são absolutamente iguais perante o Buda. Seja um primeiro-ministro ou um mendigo, o budismo trata a todos igualmente.”

“— Para corrigir o erro da discriminação que ronda a sociedade, é necessário promover o kosen-rufu. Portanto, é desnecessário pensar com pessimismo. Você já recebeu o Gohonzon e é filho do Buda. Jamais se esqueça disso! Sua situação é magnífica. Infelizes são as pessoas que não conseguem ouvir a mensagem do Buda, pois desprezam seu sentimento de shakubuku. O senhor não tem culpa. Maldosos são os camponeses da aldeia. São pessoas infelizes que estão presas a preconceitos ultrapassados.”

Obervando as mãos calejadas do camponês, Toda o incentivou ainda mais, partilhando inteiramente do seu sofrimento:

“— Não crie um complexo de inferioridade por não conseguir fazer shakubuku. Se tornar-se pessimista e invejar os outros, não poderá dizer que é um filho do Buda.

As palavras afetuosas e também rigorosas de Josei Toda iam penetrando no coração do camponês e tirando seu sofrimento. Ele disse que Nichiren Daishonin e ele próprio [Toda] eram descendentes de famílias pobres, do povo. “Jamais se envergonhe porque está sendo humilhado pelo preconceito social.”


O camponês levantou sua face. Seus olhos tristes já transmitiam alegria e autoconfiança. Toda explicou longamente com vigor a origem social e histórica da discriminação. “A Soka Gakkai é absolutamente contrária à discriminação social ou racial; aliás, discriminação não existe dentro da Gakkai.”


O camponês sentia a compaixão e a solidariedade vinda de Toda. Era um incentivo que acendia a vitalidade no coração daquele senhor. Seu aspecto brilhava de nova esperança. Toda finalizou:

“— Sou o seu maior amigo! Se tiver qualquer outro problema, venha aqui e me procure. Jamais desanime nem fique com complexo de inferioridade. De hoje em diante, marche passo a passo pelo caminho da transformação para criar uma situação nova e tranquila, acumulando energia e lutando pelo bem-estar dos amigos e das gerações futuras. O mais importante é jamais se esquecer do poder do Gohonzon.”


 O camponês sentiu o poder da benevolência de Josei Toda. Acendeu em seu coração a poderosa luz do estado de buda e eliminou a negatividade que encobria sua felicidade. Sua vida mudou daquele momento em diante. Ao término da conversa, colocando as mãos grossas sobre os joelhos repetiu inúmeras vezes:

“Toda sensei, compreendi! Estou profundamente satisfeito.”



TODAS AS CITAÇÕES: Daisaku Ikeda, Revolução Humana, BS, ed. 1.043, 22 jun. 1989, p. 7; BS, ed. 2.176, 20 abr. 2013, p. A4 

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