As três regras do shakubuku
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As três regras do shakubuku

A prática tem resultado quando se decide ser um mestre da lei

Apresentadas no capítulo "Mestre da Lei" do Sutra do Lótus, as três regras são o recinto, o manto e o assento.

Essas regras foram reveladas para garantir às pessoas que viveriam após a morte do Buda Shakyamuni propagassem no mesmo estado de vida que ele.


Neste sutra consta: “Rei dos Remédios, se houver homens e mulheres de bem que, após o Enviado ter falecido, desejarem expor esse Sutra do Lótus para os quatro tipos de seguidores, como eles deveriam expô-lo? Esses homens e mulheres de bem deveriam adentrar no recinto do Enviado, colocar o manto do Enviado, sentar no assento do Enviado e então, para o bem dos quatro tipos de seguidores, expor amplamente esse sutra”.


E, ainda no sutra consta: “O recinto do Enviado é o estado da mente que mostra grande empatia e benevolência para com todos os seres vivos. O manto do Enviado é o espírito de cortesia e tolerância. O assento do Enviado é o vazio de todos os fenômenos”.


O presidente Ikeda explica: “Shakyamuni usa a imagem do recinto, do manto e do assento para esclarecer o espírito do Buda ao expor o Sutra do Lótus. E clama às pessoas que exponham amplamente o ensino dizendo: ‘Se os senhores se basearem nesse espírito, então, mesmo que encontrem dificuldades, certamente conduzirão as pessoas à iluminação assim como o Buda fez”.


Esse princípio revela como a benevolência se manifesta de forma concreta na vida da pessoa. Essa manifestação é fundamental para que a prática budista traga resultados concretos no cotidiano. Para compreender melhor a aplicação prática, cada regra será analisada separadamente.


Sobre o recinto, o presidente Ikeda orienta: “Uma atitude de benevolência não significa considerar uma pessoa de uma posição de superioridade. Não é um relacionamento vertical, mas horizontal. É um sentimento de solidariedade para com os outros como seres humanos companheiros”.


Um episódio na vida de Shakyamuni ilustra o “recinto” da benevolência: “Um homem chamado Upali, adepto do jainismo, tentou derrotar Shakyamuni num debate. Mas ele ficou tão comovido com a personalidade e a sabedoria de Shakyamuni que pediu-lhe permissão para se tornar seu discípulo. O Buda, em vez de alegrar-se pela conquista da admiração de Upali, advertiu-o dizendo-lhe: 'Você não deveria pôr de lado tão facilmente as crenças que manteve até agora. Por favor, pense cuidadosamente na questão’.


Ainda mais impressionado com a resposta, Upali disse: 'Na sociedade, há boatos de que o buda Shakyamuni diz que para receber benefícios, as pessoas deveriam fazer oferecimentos somente para ele e não aos outros; se fizerem oferecimentos a outros, não haverá benefícios. Mas, na realidade, a atitude do Buda é completamente oposta. Eu me devotarei aos ensinamentos do Buda com um fervor ainda maior’.


Ouvindo sobre a conversa de Upali, um líder jainista, acompanhado de diversos seguidores, foi até a casa dele. Upali recebeu-os cordialmente. Porém, o líder admoestou-o, dizendo-lhe: 'Você parece um tolo que vai buscar lã e volta tosquiado’. De forma polida, Upali explicou pacientemente: 'Ser desencaminhado por alguém como Shakyamuni é tudo o que eu poderia desejar. Se as famílias reais e brâmanes, camponeses e escravos de todo o mundo fossem desencaminhados por Shakyamuni, haveria paz eterna e felicidade no mundo inteiro’.


Conforme a história, o termo "recinto da benevolência" representa a personalidade calorosa e liberal dos budas. Caraterística marcante tanto em Shakyamuni quanto em Nichiren Daishonin.

A personalidade se torna calorosa porque, durante o diálogo, a benevolência cria um “espaço vital” que envolve o interlocutor deixando-o à vontade, ao mesmo tempo, em que transmite calor humano e sensação de proteção.

E, e a personalidade é liberal por aceitar a diversidade das pessoas e tratá-las com respeito considerando-as um buda.


O “recinto” é agir motivado por um sentimento de máximo respeito e benevolência, tal como levar o budismo para as pessoas.O presidente Ikeda conclui: “Uma atitude de benevolência não significa considerar uma pessoa de uma posição de superioridade. Não é um relacionamento vertical, mas horizontal. É um sentimento de solidariedade para com os outros como seres humanos companheiros. E é fundamentado no respeito. Eis por que é chamado recinto de benevolência. Nós convidamos um amigo para um benevolente espaço-vital e calorosamente o abraçamos, sentamos no mesmo recinto e discutimos a vida como iguais. Discutimos coisas e aprendemos uns com os outros como seres humanos companheiros. Criar esse espaço caloroso e acolhedor para o diálogo e o intercâmbio é em si o shakubuku".



Fonte: Brasil Seikyo, ed. 2.103, 15 out. 2011, p. A6

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