Buda - Ser humano comum com extrema compaixão
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Buda - Ser humano comum com extrema compaixão

A linhagem da revolução religiosa

O Buda nunca pode ser tratado como divindade inalcançável, mas como pessoa comum que, mergulhada em problemas reais, vive de forma nobre, corajosa e coerente com o propósito original da vida: ser feliz se dedicando à felicidade das pessoas.


Shakyamuni viveu há cerca de 2.500 anos na região norte-central da Índia e se devotou incansavelmente a descobrir a natureza da Lei. Pensador de proporções gigantescas, ele persistiu nos seus esforços para desvendar a fonte da criação e libertar a existência humana de todos os impedimentos, em benefício dos seres humanos das eras posteriores.


O maior objetivo do budismo é descobrir como é a Lei que o Buda descobriu e praticou. E desvendar a forma de outras pessoas também manifestarem no cotidiano essa mesma Lei. Tudo isso, sem divinizar o Buda.


Homem de bom senso que zelava pelas pessoas


O fundador do budismo era imperturbável em sua busca interior; de personalidade calorosa, respeitoso com as pessoas que precisavam de apoio e rigoroso com os líderes. Uma pessoa de bom senso, confiável e amável.


O presidente Ikeda relata: “Tenho na mente a imagem do tipo de pessoa que ele deva ter sido — um homem que, por mais pressionado que fosse para escolher entre uma proposição filosófica e outra, nunca se esqueceu de sorrir. Um sábio que, às vezes com um ar de distanciamento, em outras com um ar de orgulho, e noutras ocasiões silenciosa e serenamente percorreu imperturbável seu caminho.”


Shakyamuni não pretendia fundar uma religião — ele revelou em si a Lei última da vida e se dedicava sinceramente a cuidar de pessoas, transmitindo a elas a lei que ele mesmo havia descoberto; seu jeito de agir, sua atraente filosofia de vida e a forma como transmitia essa lei é que mais tarde foram denominadas budismo.


Ele foi, sim, um homem que, em linguagem quase espantosamente simples e natural, utilizando pequenas histórias e analogias que podiam ser compreendidas por todos, procurou despertar em cada indivíduo o espírito que reside no ser interior de todas as pessoas. Quando fala à humanidade em sua maneira despretensiosa, percebe-se nas palavras claras e simples ecos de um outro reino, aquele de um homem realmente iluminado que lutou contra a escuridão em si mesmo e venceu, chegando à determinação final da verdade.


O Buda arriscou a vida por anos a fio em busca da iluminação, do reino interior mais profundo. Ao tomar contato com essa lei, se dedicou a ensiná-la com clareza, paciência e profundo respeito às pessoas, principalmente às que mais sofriam.


Um jovem humanista e buscador da verdade


Shakyamuni era filho de rei e deve ter passado pelo tipo de treinamento que o prepararia para assumir o trono do pai no momento apropriado. A lenda diz que sua mãe fez o filho receber instruções em artes civis e militares.


O clã Shakya, onde nasceu, não era tão grande nem poderoso e a expectativa no jovem era enorme. Mas Shakyamuni era por natureza um jovem muito introspectivo e de pendores filosóficos. Acredito que o jovem Shakyamuni possa ser descrito como um humanista e buscador da verdade, que possuía um agudo senso de justiça.


Ele se casou aos 16 ou aos 19 anos, conforme a fonte de estudo, e teve um filho chamado Rahula. Mas o jovem não conseguia banir da sua mente a profunda angústia que sentia com as questões do envelhecimento, da doença e da morte.


Aos 19 anos decidiu renunciar ao luxo e à família em busca de respostas sobre a raiz da vida. Essa escolha mudou não só a vida dele mas de toda a história espiritual do mundo. Dois professores lhe ensinaram muitas coisas mas a angústia continuava. Praticou mortificações religiosas até se reduzir a um estado de definhamento, mas ainda não conseguia chegar à essência da vida. Então, caiu em profunda meditação ao pé de uma figueira numa floresta e obteve a iluminação. Segundo fontes, foram dez anos de esforço.


O que movia Shakyamuni era seu desejo ardente de achar meios para transcender os sofrimentos inerentes à vida humana.


Iluminação é a vitória completa sobre a negatividade mental


Os últimos momentos antes da iluminação de Shakyamuni são dramáticos. As forças negativas mentais mais profundas e amedrontadoras tentavam de tudo para fazê-lo desistir; em seu íntimo, um turbilhão de emoções — mas ele as desafiou de frente e não arredou o pé nem um centímetro. Ele não se deixava distrair por nada e lutava concentrado em busca da sua meta.


Ao vencer a camada mais profunda da negatividade, atingiu a iluminação nas primeiras luzes do dia depois de mais uma noite inteira de busca. Ele sentiu sua vida desabrochar e num relâmpago discerniu a realidade final das coisas. Nesse momento de iluminação, ele se tornou um buda e nasceu a fé budista, que estava destinada a produzir um impacto imensurável sobre a história da humanidade.


Sua iluminação não era apenas a descoberta de um pensador ou de um gênio. A iluminação de Shakyamuni foi universal, profunda, fundamental o suficiente para transformar o destino e o sofrimento do indivíduo que a apreende. É o único estado de vida que pode mudar o destino da pessoa e lhe abrir um futuro infinito. A iluminação por ele alcançada foi do mais alto nível possível. Que alegria, que bem-aventurança ele deve ter sentido.


Pelo resto de sua vida, o Buda esteve comprometido com o propósito de manter e propagar seu estado de vida pelo bem das pessoas.


Linhagem humanista: de Shakyamuni à SGI


O que Shakyamuni alcançou sob a árvore Bodhi foi a apreensão intuitiva da essência da vida. Ele viveu até o último suspiro ensinando às pessoas como manifestar a mesma condição que a dele.


Ao longo dos séculos, as pessoas divinizaram o Buda e nenhuma prática religiosa era capaz de fazer uma pessoa comum florescer em si a iluminação.


O Buda Nichiren Daishonin, no século 13, no Japão, clamou o retorno ao Shakyamuni humano e por meio do Sutra do Lótus, o principal ensinamento do fundador do budismo, revelou o Gohonzon do Nam-myoho-renge-kyo, cuja prática e propagação permitem novamente a qualquer indivíduo do povo manifestar o estado de buda. Hoje, a fé para se alcançar na vida cotidiana essa mesma condição é encontrada na SGI, a herdeira direta da linhagem humanista do budismo.


Concluímo com a afirmação do presidente Ikeda: “A felicidade de todas as pessoas, ou seja, o estabelecimento de uma religião em prol do bem-estar dos seres humanos, é uma linhagem desde Shakyamuni, Sutra do Lótus, Nichiren Daishonin, Makiguchi sensei até a Soka Gakkai atualmente. Essa é também a linhagem da revolução religiosa — o combate à natureza demoníaca que causa o sofrimento humano” (BS, ed. 2.324, 21 mai. 2016, p. B2).



Fonte:


Brasil Seikyo, ed. 2346, 5 nov. 2016 - Conheça o Budismo


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