Cada dia é um tesouro inestimável
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Cada dia é um tesouro inestimável

Trechos extraídos do discurso do presidente Daisaku Ikeda sobre o valor da vida, publicado no Brasil Seikyo, ed. 1.400, 1o fev. 1997, p. 3

Uma civilização que pondera sobre “cultivar a vida” respeita a dignidade humana e a excelência. É uma sociedade que estima as pessoas de sabedoria.

Na nossa sociedade moderna, em que há a tendência de estabelecer os valores mais elevados para a riqueza material e a vantagem, as pessoas são, com frequência, julgadas com base em sua “utilidade”. Como resultado disso, as pessoas idosas e os doentes tendem a ser marginalizados. Uma civilização que não enfrenta a morte também abandona as pessoas doentes e idosas. Para as populações idosas que estão em rápido crescimento em muitos países, isso significa de fato um triste futuro.

Mas esse não seria o caso em uma civilização que estima a maturidade e a profunda sabedoria. Se há valor nos jovens brotos da primavera e na luz do verão, então também há valor nas árvores maduras do outono e nos grandiosos pores do sol do inverno. Isso é ainda mais válido para aqueles que praticam o budismo.

Para nós, a velhice é uma época de incomparável realização quando damos os toques finais na “jornada dourada” de nossa vida e atingimos o estado de buda nesta existência. Esses são os dias da missão, quando relatamos aos outros as “maravilhas da vida” e o “poder da determinação” que experimentamos e demonstramos a prova real com nossa própria vida. Esta existência é a mais preciosa e insubstituível.

Quando era jovem, o grande escritor russo Fiódor Dostoiévski (1821–1881) foi preso por atividades revolucionárias e condenado à morte. Ele foi levado ao local da execução e, junto com seus amigos, foi amarrado a um poste. As armas foram apontadas para os prisioneiros. O pensamento de que em alguns momentos não mais estaria neste mundo despertou no jovem Dostoiévski uma poderosa reação. Uma personagem de um de seus romances passa por uma situação semelhante e pensa nesse instante:

“O que seria se eu não morresse? O que seria se eu pudesse voltar à vida — que eternidade! E tudo isso seria meu! Eu transformaria cada minuto em uma época; não perderia nada, eu contaria cada minuto que passasse, não desperdiçaria nem um minuto!”1

A execução foi cancelada no último momento, mas esse episódio deixou sua marca na vida de Dostoiévski. A experiência pode ter sido extrema, mas se considerarmos as coisas com objetividade, todos, independentemente da duração de sua vida, com certeza morrerão. E, desse ponto de vista, nós somos “prisioneiros no corredor da morte”.

A propósito, sei que recentemente vêm sendo realizados esforços no sentido de educar as pessoas sobre a questão da morte. Exemplo disso é fazer as pessoas imaginarem que têm apenas três meses de vida e incentivá-las a pensar em como passariam esse tempo. Esse tipo de exercício instiga as pessoas a refletir seriamente no que precisam realizar na vida.

Tolstói disse:

“Se um homem souber que morrerá dentro de trinta minutos, ele não fará nada de fútil ou nenhuma tolice nesses últimos trinta minutos, e com certeza nada de mal. Mas existe alguma diferença essencial entre o meio século ou mais e uma meia hora que o separa da morte?”2

(...)

Vamos viver conscientes da fantástica maravilha da vida compreendendo que cada dia é um tesouro inestimável.

Notas:

1. DOSTOIÉVSKI, Fiódor. The Idiot. Constance Garnett. Nova York, Bantam Books, 1988. p. 57.

2. TOLSTÓI, Liev. The Pathway of Life, parte 2, p. 32.

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