Carma e humanidade
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Carma e humanidade

Texto extraído e adaptado do livro Diálogo sobre Religião Humanística, v. 2, p. 195-201.

O termo “carma” originalmente se referia tanto aos atos bons como aos maus. Mas, ao longo do tempo, passou a ser aplicado de maneira generalizada no sentido negativo. Para as pessoas dos dias de hoje, o conceito de carma pode ser mais facilmente entendido se o substituirmos por “destino” ou “sorte”. Pode a sorte ser mudada? Pode o destino de um país, de uma pessoa ou da humanidade ser alterado?

O Sutra do Lótus é o ensinamento que liberta as pessoas fundamentalmente das amarras do carma por defender que todas as pessoas possuem a natureza de buda inerente. Quando compreendemos a doutrina da transformação do destino exposta no Sutra do Lótus, conseguimos enxergar com clareza o poder benéfico do Budismo de Nichiren Daishonin com relação a esse princípio.

O reconhecimento do livre-arbítrio é uma das características mais distintas do conceito budista de carma. Entretanto, não se pode negar que, ao longo dos séculos, depois da morte de Shakyamuni, essa base primordial foi sendo esquecida, e o que passou a predominar foi uma ideia mais determinista do carma. Por exemplo, era dito para as pessoas que elas vinham acumulando um número incalculável de faltas e de más ações de suas existências passadas até o presente. Isso, naturalmente, fazia com que se sentissem impotentes, sem esperanças, incapazes de erradicar um carma tão pesado.

O Budismo Nichiren ensina que podemos transformar nosso carma completa e definitivamente. Outra característica distinta do Budismo Nichiren com relação ao carma é seu foco intenso e rigoroso no indivíduo ou no “eu”. Ensina que cada um deve refletir profundamente sobre seu carma e se esforçar para mudá-lo, empregando o poder da Lei que todos possuem inerente.

Quando enfrentamos nosso carma diretamente, podemos evidenciar nosso potencial para a iluminação. Somente dessa maneira podemos purificar os seis órgãos sensoriais [olhos, orelhas, nariz, língua, pele e mente (CEND, v. I, p. 397)] e realizar nossa revolução humana, ou seja, desenvolver nossa humanidade.

É importante enfrentar os problemas no momento em que surgem e examinar com seriedade a própria vida. Mas, se nesse processo nos fechamos ou nos isolamos das pessoas ou, ainda, se encaramos esse desafio com uma atitude parcial ou pouco comprometida, esse intento de autorreflexão acabará sendo um exercício intelectual vazio.

Além disso, quando nos libertamos das amarras do carma, precisamos nos dedicar a ajudar outras pessoas que também estão sofrendo a fazer o mesmo. Em última instância, precisamos prestar atenção à tarefa de transformar o carma de toda a humanidade. Esse é o caminho para a consecução do estado de buda de si próprio e de outras pessoas.

Ao mesmo tempo em que nos empenhamos para transformar nosso próprio destino, ajudamos nossos amigos a transformar o seu também. É para essa finalidade que existem as atividades da SGI. Esse é o caminho fundamental e correto da prática budista.

 

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