Como funciona a Unicidade de Pessoa e Lei?
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Como funciona a Unicidade de Pessoa e Lei?

Este é um princípio budista que explica a relação da pessoa com a Lei. Existem diversas maneiras de considerá-la, e SeikyoPost expõe essa relação de forma simples e o seu desdobramento no cotidiano

O objetivo da prática

O princípio da Unicidade de Pessoa e Lei explica a relação da pessoa com a Lei. O Budismo Nichiren não possui como ponto central o conceito de um salvador. Portanto, não existe diferença entre a pessoa e a Lei; a relação é da mais absoluta igualdade. A filosofia budista ensina um meio prático e eficaz de transformar o destino por meio do princípio da Unicidade de Pessoa e Lei.


Uma pessoa não pratica o budismo para atingir aquilo que ela já é. Todos são budas. A prática da fé existe para manifestar essa verdade na realidade diária. Ela reeduca as ações a ponto de torná-las totalmente baseadas no estado de buda. Sendo direto, uma pessoa não pratica para ser conduzida, ela pratica para conduzir a própria vida, inspirada pelo estado de buda.


Por que é tão difícil acreditar que sou um buda?

Porque, no fundo, o que se deseja é viver na dependência de alguém ou de algo superior. Aparentemente, é mais fácil viver como vítima ou subserviente; mas na verdade não é. Muitos usam a fé para adorar algo externo ou pessoas, para esconder seu desejo por dependência. O resultado de uma vida assim são dificuldades, sofrimentos e infelicidade.


Suprema igualdade

Todos são iguais na iluminação, somos budas, e um buda é a Lei Mística. Portanto, cada pessoa representa a Unicidade de Pessoa e Lei. Todas são dignas do mais elevado respeito.“O mortal comum é o Buda verdadeiro. Gostaria de interpretar esse ponto como a suprema declaração da ‘humanização do budismo’”, explica o presidente Ikeda.


Religiões autoritárias

Devido a esse princípio, uma religião autoritária não produz resultados concretos. Quando seus ensinos pregam a diferença entre as pessoas, revelando que algumas são superiores, essas religiões falham em enxergar a natureza iluminada do ser humano. E, sem essa visão, são incapazes de transformar a vida das pessoas.


Torne-se uma ilha

Ananda, que sempre havia seguido as orientações do buda Shakyamuni, em certo momento, questiona o Buda: ’Como iremos orientar nossa prática após sua morte?’ E Shakyamuni responde: ‘Ananda, torne-se uma ilha e dependa de si mesmo. Por meio de seus esforços, faça da Lei uma ilha e nela construa sua vida’.” Sobre este trecho, o presidente Ikeda comenta: “Na verdade, ele está dizendo: ‘Torne-se senhor de sua mente’, para nós, isso significa devotar-nos completamente à fé".


Coragem indomável

“O ensinamento de Nichiren Daishonin refuta todas as filosofias e religiões que forçam as pessoas a se ajoelharem diante da ‘autoridade religiosa’, e faz que abram a ‘grandiosa vida sagrada’ que existe dentro delas. Foi por essa razão que Daishonin enfrentou grandes perseguições. Ele empreendeu uma nobre luta pelos direitos humanos com uma coragem indomável.”


Entenda o funcionamento da Lei Mística

A Lei Mística é o ritmo vital constante que conduz todos em direção à iluminação. É o fluxo natural da vida, e esse fluxo é o próprio estado de buda. Como ela se manifesta na vida diária? A Lei Mística se manifesta na realidade diária por meio da pessoa. E o princípio da Unicidade de pessoa e Lei ensina como fazer isso.


Nos escritos...

"Em Sobre Atingir o Estado de Buda nesta Existência, Nichiren Daishonin afirma: ‘Se pensa que o estado de buda existe fora do seu coração, isso já não é mais Lei Mística; é um ensino contrário a ela’. Embora a ‘Lei’ pareça sugerir algo separado de nossa vida diária, na verdade, ela somente pode existir em nosso coração”, diz o Dr. Ikeda.


Realize o trabalho do Buda

A Lei Mística direciona as pessoas à iluminação, este é o trabalho do Buda. A pessoa que realiza o mesmo trabalho, se torna una com a Lei e manifesta o estado de buda. Isso é Unicidade de Pessoa e Lei, é atingir o estado de buda. Ao realizar o “trabalho do Buda”, a pessoa deixa de ser vítima, de ficar nas mãos do destino e se torna livre e capaz de viver feliz, absolutamente. Isso porque entra no ritmo do universo.


O meio prático e direto

Para se manter nesse ritmo universal, existe o daimoku e o Gohonzon. “O Nam-myoho-renge-kyo é a Lei mas, ao mesmo tempo, é também a vida do Buda. A Pessoa e a Lei são unas. E a Unicidade de pessoa e Lei é o ponto mais importante”, explica o presidente Ikeda.


O propósito do Gohonzon

Ele continua: “Foi exatamente por isso que Nichiren Daishonin inscreveu o Gohonzon. Nada poderia ser mais concreto ou verdadeiro. Pela recitação da Lei Mística ao Gohonzon, Daishonin tornou possível para as pessoas comuns dos Últimos Dias ficarem unas com o ‘Buda que está sempre aqui, pregando a Lei’. O Gohonzon incorpora a Unicidade de Pessoa e Lei.”


Oração e ação

"Quando abraçamos o Gohonzon e nos empenhamos pelo kosen-rufu, o ‘Buda eterno que está sempre aqui, pregando a Lei’, surge em nossa vida. [...] Sobre isso o presidente Toda fez o seguinte comentário: ‘Isso significa que o universo é uno com o Gohonzon. Desde o remoto passado, a vida do Nam-myoho-renge-kyo é una com o universo. Como nossa vida é o Nam-myoho-renge-kyo, ao orarmos ao Gohonzon e fundirmos nossa vida com a vida do Gohonzon, o poder deste flui dentro de nós. Podemos observar as questões do mundo sem nenhum erro de julgamento’”, relembra o presidente Ikeda.


Conclusão

Ele conclui: “A essência do budismo consiste no desenvolvimento do próprio indivíduo por meio de sua determinação e árduo esforço e não na dependência de alguém ou de algo. (...) O budismo não ensina teorias abstratas, ou um modo de vida covarde de se apegar constantemente a algo para sobreviver. Por outro lado, não torna o indivíduo egoísta a ponto de ele mesmo acreditar arrogantemente que ‘eu sou o dono da verdade e mereço consideração’. Se a pessoa acreditar na grandiosa força vital inerente em sua vida, simultaneamente compreenderá que a mesma força vital existe na vida de todas as outras pessoas”.



Fonte: Brasil Seikyo, ed. 2090, 2 jul. 2011, p. A6
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