Como manifestar uma correta prática da fé?
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Como manifestar uma correta prática da fé?

Não seja influenciado por impulsos ilusórios no dia-a-dia

Tudo é impermanente

Várias formas de desejo, principalmente o de viver, são naturais e necessárias para nós como seres humanos. No entanto, o buda Shakyamuni percebeu que sofremos quando somos dominados pelos desejos. Sua principal percepção foi encontrar dentro de si os meios pelos quais poderia conhecer a verdadeira satisfação ao mesmo tempo em que se livra da dominação dos desejos. Para que todos possam fazer o mesmo, ele ensinou que inicialmente precisamos compreender duas verdades fundamentais da vida: a primeira é a natureza impermanente de todas as coisas, pois tudo na vida está em constante mudança e, por fim, deixará de existir; a segunda se refere à sua compreensão de que nada apresenta uma identidade ou essência fixas, cada existência depende das outras e a elas está interligada. O Buda ensinou que o sofrimento deriva essencialmente de nosso apego e dependência das coisas e das circunstâncias que estão, por natureza, sempre em mutação e são impermanentes.


Como seres humanos muitas vezes vivemos sob a influência desta dupla ilusão: queremos que as coisas permaneçam fixas e inalteradas e achamos que somos capazes de controlar o que está fora de nosso controle, por exemplo, outras pessoas ou relacionamentos familiares, como se fossem extensões de nós mesmos. Mas viver dessa maneira significa ter uma compreensão equivocada da verdadeira natureza da nossa própria vida.


Afinal, até mesmo nosso corpo e nossa mente — que parecem “nós” em sua essência — mudam de maneira que acabamos não podendo controlá-los.


No processo de envelhecimento, nossa saúde não se mantém constante, nem nossa vitalidade, aparência ou habilidades. Além disso, quando morremos, seremos inevitavelmente separados de nossos entes queridos e bens; tudo o que não é verdadeiramente “nós” é retirado.


Cultive um rico estado de vida

O Buda nos assegura que compreender a natureza interdependente e transitória das coisas é uma maneira de superarmos a própria visão equivocada do verdadeiro eu, a qual se encontra na origem do desejo e do sofrimento.


Se todas as coisas são impermanentes e estão sujeitas à mudança, há uma realidade mais profunda e imutável da vida — o Darma ou a Lei da vida. No budismo, a iluminação consiste no grande esforço para alinhar nossa vida a essa Lei máxima, que significa na prática ter uma vida baseada no respeito à dignidade inerente que existe em nossa vida e
na vida dos outros.


Trata-se, portanto, de aceitar e valorizar a diferença em vez de rejeitá-la e negá-la, impondo valores e padrões aos outros; de estar aberto à mudança em vez de procurar controlar a vida dos outros e querer moldá-la de acordo com os próprios desejos e expectativas. É conquistar uma existência voltada, sobretudo, para o estabelecimento de um rico estado de vida interior para o compartilhamento dessa profunda alegria com os demais. O Buda pregou seus ensinamentos incansavelmente para que todas as pessoas despertassem para o fato de que esse estado de buda existe na própria vida de cada uma e que pode manifestá-lo na realidade do dia a dia.


Ao “buscar a Lei”, superamos nossa tendência de ser influenciados por impulsos ilusórios e experimentamos a “felicidade absoluta”, descrita por Josei Toda, segundo presidente da Soka Gakkai, como um estado de vida em que a autoestima e a alegria de viver não são afetadas por circunstâncias externas.


O buda Nichiren Daishonin, cujos ensinamentos formam a base da filosofia da SGI, reconheceu o valor da riqueza, da saúde física, do intelecto e das habilidades. No entanto, ele escreveu que, de todos os tesouros que possuímos, o mais fundamental é a dignidade interior e a profundidade do caráter que desenvolvemos, baseando nossa vida no Darma. Esse “tesouro do coração”, como ele o chamava, constitui o tesouro mais valioso que podemos acumular e permanece através dos ciclos de nascimento e morte.


Como disse o presidente da SGI, Daisaku Ikeda, “A verdadeira realização ou satisfação não pode ser encontrada correndo atrás de dinheiro ou posses. O mais elevado estado do ser é a condição espiritual elevada de desejar pouco e sentir-se satisfeito, livre do controle dos desejos. Em outras palavras, a felicidade absoluta, inabalável e verdadeira reside em acumular o tesouro do coração”.


Fonte: Brasil Seikyo, ed. 2.388, 23 set. 2017, p. A3
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