Como se manter corajoso?
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Como se manter corajoso?

É a coragem o elemento fundamental que nos impulsiona e nos habilita a transformar a vida por completo

Desenvolver a coragem é fundamental para alcançarmos qualquer objetivo na vida. Em todos os nossos empreendimentos, antes de tomarmos qualquer decisão, necessitamos ter coragem; em qualquer área, são as pessoas corajosas que concretizam metas e realizam seus sonhos.

A coragem, porém, nem sempre é uma ação heroica em um momento de perigo — pode consistir em um esforço persistente e sem glamour ao agirmos da maneira que acreditamos ser a correta.


No budismo, a coragem, ou destemor, é altamente valorizada. Em uma de suas cartas, Nichiren Daishonin, o fundador do budismo, no século 13, praticado pelos membros da SGI, pediu a seus seguidores: “Não deve sentir o menor medo em seu coração. O que impede as pessoas de manifestarem o estado de buda é a falta de coragem, apesar de terem professado a fé no Sutra do Lótus muitas vezes ao longo de inumeráveis kalpa no passado”.

O budismo se originou dos ensinamentos do buda Shakyamuni cerca de 2.500 anos atrás, e os princípios do Sutra do Lótus especificamente são a base dos ensinamentos de Nichiren Daishonin. O Sutra do Lótus ensina que cada pessoa tem um potencial infinito e que, por meio da prática sincera, cada uma pode trazer à tona esse potencial, permitindo que sua abundante criatividade floresça e, assim, contribua para o enriquecimento da sociedade.


Embora saibamos intelectualmente que temos um grande potencial, se não reunirmos a coragem para agir baseado nesse conhecimento, o potencial permanecerá intangível. O budismo também ensina que os esforços para expandir e desenvolver a nossa vida serão inevitavelmente confrontados com resistência, frequentemente severa, de fora e de dentro. É perseverando e vencendo esses obstáculos que nos capacitamos a desbloquear as ricas possibilidades de nossa vida, e de manifestar a iluminação inerente.

Sem dúvida, esse processo requer coragem e, além disso, requer fé. Acreditar essencialmente em nós mesmos, em meio à difícil realidade da vida. Além do mais, está enraizado em um entendimento de que a transformação positiva de nossa vida trará uma transformação correspondente na grande cadeia da vida na qual existimos.


Os ensinamentos budistas dão grande ênfase à sabedoria, e é fácil verificar como a simples falta de sabedoria se torna a causa de muitos problemas que assolam a sociedade humana, de maneira global e local. Porém, muitas vezes é a falta de coragem fundamental que impede as pessoas de agirem com base naquilo que sabem ser o correto; portanto, é a falta de coragem que está na raiz de muitos dos sofrimentos que nos confrontam como indivíduos e como sociedade.

Intimamente ligado ao exercício da coragem está a convicção. A convicção sobre o direito e a possibilidade de os outros e a si próprio serem felizes, livres e respeitados. Tal convicção é a base da justiça social e o âmago da visão na qual o budismo é fundado. É um comprometimento feroz e inquebrantável é essa visão que dota o buda com a qualidade do destemor.


Muitas pessoas vivem paralisadas pelo medo, aparentemente incapazes de dar um passo para resolver qualquer dificuldade ou para revelar seu potencial verdadeiro. Esses desafios diferem em cada indivíduo, ambos em sua natureza ou dimensão. O processo para adquirir a coragem necessária para agir é sempre o mesmo, independentemente de quão grande ou pequeno seja o desafio.

Além do mais, na medida em que no nosso dia a dia extraímos essa fonte de coragem aqui e agora, estamos transformando positivamente, não apenas nossa vida, mas também todo o mundo ao redor. Como diz o presidente da SGI, Dr. Daisaku Ikeda: “As coisas pequenas são importantes. O que parece um pequeno ato de coragem é coragem de qualquer maneira. O importante é estar disposto a dar um passo à frente”.



Nota:

Publicada pela Soka Gakkai Internacional, a SGI Quarterly reúne vozes de uma série de indivíduos e grupos que exploram respostas criativas para os desafios comuns do nosso tempo. As edições podem ser baixadas do site SGI Quarterly[em inglês]


Fonte: Brasil Seikyo, ed. 2.364, 25 mar. 2017, p. A3

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