Como vencer o estado de ira em nossa vida?
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Como vencer o estado de ira em nossa vida?

Devemos começar com a humildade em respeitar e admirar o que é louvável em todas as pessoas

A vontade de aprender com as pessoas e a prontidão em realizar uma autorreflexão são qualidades que fazem os seres humanos se desenvolverem e se tornarem mais felizes. O que acontece quando perdemos ou negligenciamos essas habilidades? As espantosas consequências disso são o que o budismo descreve como o mundo da ira.


A palavra “ira” possivelmente nos faz pensar numa pessoa perdendo a calma ou furiosa. Essa é uma reação natural e algumas vezes necessária diante das situações que defrontamos. Tal ira pode agir positivamente quando direcionada contra a injustiça ou a irresponsabilidade, por exemplo.


Há uma diferença entre esse tipo de ira e o ego obcecado do mundo da ira descrito na teoria budista. Ira, nesse caso, refere-se a um dos “dez mundos” ou “estados de vida” que, de acordo com o conceito budista dos dez estados de vida, são inerentes a todos.


Nós passamos por esses estados em diferentes momentos e de diversas maneiras, dependendo das respostas que damos às circunstâncias em que vivemos e dos pontos fortes ou fracos de nossos esforços internamente motivados em busca do nosso aprimoramento.


Os “dez estados de vida” são inferno, fome, animalidade, ira, tranquilidade ou humanidade, alegria, erudição, autorrealização, bodisatva e buda.


A principal característica do mundo da ira é a inveja, o tipo de pessoa que não tolera a ideia de existir alguém melhor que ele. É uma necessidade ardente de ser superior aos outros, uma crença de que se é “bom” ou “o tal”.


Tudo parte da transformação do coração

Como descreve um texto budista, “Uma vez que aqueles que estão no estado de ira desejam profundamente ser superiores e não suportam ser inferiores a ninguém, eles depreciam e desdenham os outros e exaltam a si próprios, assim como um falcão que, ao se lançar em alto voo, olha o mundo de cima. Eles aparentemente buscam mostrar também que habitam o mundo da benevolência, justiça, honestidade, sabedoria e fidelidade”.


Nichiren Daishonin, fundador do budismo no século 13, o qual é praticado pelos membros da SGI, caracteriza a ira como “perversidade”. Isso se deve à grande desunião entre os mundos internos e externos de uma pessoa no estado de ira. A intensa competitividade dessa pessoa é mascarada por uma demonstração de virtudes e por um comportamento adulador intencionado a extrair o reconhecimento por parte de outros, tão essencial para seu senso de superioridade. A agressividade das pessoas nesse estado dá uma falsa ideia de sua insegurança. Arrogância, desprezo pelos outros, um traço de temperamento altamente crítico, influente e conflituoso sempre com desejo competitivo são aspectos do mundo da ira assim que este se manifesta em nossa vida.


Quando uma pessoa em posição de poder e autoridade é pega pelas armadilhas da ira, ou quando esse mundo passa a predominar na sociedade, as consequências podem ser catastróficas. O presidente da SGI, Dr. Daisaku Ikeda, descreve alguém nesse estado: “Tudo aparenta ser um meio ou uma ferramenta para a realização de desejos egoístas e impulsos. Na proporção inversa à dimensão dessa arrogância inflada, a existência de pessoas de outras culturas ou natureza parece infinitamente pequena e insignificante. Isso se torna uma questão de falta de preocupação em machucar ou até mesmo matar outras pessoas, o que se transforma em algo banal. É nesse estado mental que se favorece o uso de armas nucleares... Pessoas nesse estado de vida são cegas, não apenas para os terríveis sofrimentos que suas ações desencadeiam, mas para a própria vida em si”.


Energia para vencer a si mesmo

As ações da SGI visam tornar possível a transformação na sociedade com a transformação do coração de cada indivíduo e estão baseadas na compreensão das peculiaridades do coração humano e na profunda ligação entre o indivíduo, a sociedade e o universo.


Enquanto cada pessoa se empenha em ser feliz, os esforços equivocados daquelas no mundo da ira só as afundarão na miséria e no senso de isolamento. Paradoxalmente, entretanto, o senso de autoconsciência e de autoimportância, característico desse estado de vida, é também a porta de entrada para a empatia com os demais. O senso aguçado do ego de um indivíduo pode ser a base para a compreensão de como é importante e preciosa a vida de cada pessoa e das dificuldades em comum para viver feliz neste mundo.


A chave para a transformação do mundo da ira se encontra no autodomínio em canalizar a energia, que anteriormente era voltada para vencer em detrimento dos outros, em energia para vencer a si mesmo. Isso começa com a humildade em respeitar e admirar o que é louvável em todas as pessoas.


Fonte: Brasil Seikyo, ed. 2. 383, 12 ago. 2017, p. A3
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