“Desejos mundanos são iluminação” e “sofrimentos do nascimento e da morte são nirvana”
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“Desejos mundanos são iluminação” e “sofrimentos do nascimento e da morte são nirvana”

Confira o resumo das matérias de estudo do Exame de Budismo para Admissão 2016

Sob outra perspectiva, o conceito de “atingir o estado de buda na forma que se apresenta” pode ser visto pelos princípios de “desejos mundanos são iluminação” e “sofrimentos do nascimento e morte são nirvana”.

Os diversos sutras e escrituras, classificados nos dias de Daishonin como ensinamentos Hinayana, afirmavam que os desejos mundanos eram a causa dos sofrimentos. E, portanto, não haveria forma de eliminar os sofrimentos sem extinguir tais desejos mundanos. Esses ensinamentos eram voltados para a emancipação (despertar para libertar-se dos sofrimentos) por meio de intensos e prolongados exercícios budistas embasados em grande número de preceitos (regras de disciplina).

Entretanto, a busca de uma vida completamente livre dos desejos mundanos leva a extinção do corpo e da mente que não almeja o renascimento neste mundo. E, portanto, nega a vida em si. Os sutras do Mahayana provisório negavam a possibilidade de alcançar o estado de buda para as pessoas dos dois veículos, para as que praticavam o budismo Hinayana, para as mulheres e para as pessoas más. Na prática, seus seguidores acreditavam existir um fosso intransponível entre os mortais comuns e o Buda tal como nas doutrinas do Hinayana.

Esses sutras revelaram, também, budas fictícios com características que transcendiam o ser humano ou viviam num mundo distante da realidade tal como o buda Amida e o buda Mahavairochana.

Além disso, para que um mortal comum pudesse alcançar a condição de Buda seria necessário que ele aprendesse sequencialmente cada estágio da iluminação do Buda ao longo de inúmeras existências. Acreditava-se também que jamais poderiam se igualar ao Buda por seus próprios esforços, pois a sua salvação era dependente do poder absoluto do Buda.


O Sutra do Lótus elucida que todos os seres humanos podem manifestar a condição de vida de sabedoria e compaixão inerente a si mesmos, chamada de estado de buda.

Mesmo sendo um mortal comum cercado de desejos mundanos, com acúmulo de carmas negativos, e vivendo num mundo de tormenta e sofrimentos, quando se desperta para a verdade de que sua vida possui o estado de buda intrínseco, ele poderá manifestar a sabedoria da iluminação do Buda, libertar-se dos sofrimentos e conquistar uma condição de completa liberdade. Este é o significado do princípio de “desejos mundanos são iluminação”.

Nichiren Daishonin indica que o estado de buda que existe no seu interior é o Nam-myoho-renge-kyo.

Quando acreditamos no Gohonzon do Nam-myoho-renge-kyo, recitamos o daimoku e despertamos para o sublime verdadeiro “eu”, surgem a sabedoria para perseverar na vida, a convicção e coragem para desafiar e ultrapassar os obstáculos, e a compaixão para se preocupar com o próximo.

“Sofrimentos do nascimento e morte são nirvana” indica que mesmo em uma condição de vida de sofrimento causada pela realidade dolorosa do nascimento e morte, quando re-citamos o Nam-myoho-renge-kyo com fé no Gohonzon, podemos manifestar e revelar em nossa vida, a condição de tranquilidade (nirvana) do estado de iluminação do Buda.

Os princípios de “desejos mundanos são iluminação” e “sofrimentos do nascimento e mor-te são nirvana” ensinam que quando nos levantamos com base na fé na Lei Mística, podemos conduzir uma vida proativa, transformando todo e qualquer sofrimento em causa para nosso próprio crescimento e felicidade.


O segundo presidente da Soka Gakkai, Josei Toda, afirmava que há dois tipos de felicidade: a relativa e a absoluta.

A felicidade relativa indica a satisfação de uma conquista material ou de algo que tanto se deseja. Porém, essa satisfação não é duradoura, pois não há limites para os desejos. É chamada de felicidade relativa por existir somente em função de fatores externos.

Em contrapartida, a felicidade absoluta indica uma condição de vida de plenitude que não está presa a fatores externos, e sim, manifesta-se pelo simples fato de estar vivendo. É chamada de felicidade absoluta por não ser influenciada por condições externas. Atingir o estado de buda significa estabelecer essa condição de felicidade absoluta.

Uma pessoa que estabeleceu uma condição de felicidade absoluta em sua vida pode ultrapassar tranquilamente mesmo as maiores adversidades, manifestando uma forte energia vital e transformando as dificuldades numa mola propulsora para seu desenvolvimento.

De outro ponto de vista, a felicidade relativa que depende do ambiente desaparece com a morte. Porém, conforme Daishonin afirma em seus escritos – “Passando pelos ciclos de nascimento e morte, a pessoa faz seu caminho pela terra da natureza do Darma, ou iluminação, que é inerente a ela” (Registro dos Ensinamentos Transmitidos Oralmente, OTT, p. 52) –, a felicidade absoluta, que é a condição de vida do Buda, é eterna, capaz de transcender até mesmo a morte.



Fonte: Os Fundamentos do Budismo de Nichiren

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