É tempo de autoestima! (parte 1)
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É tempo de autoestima! (parte 1)

A autoestima não é definida apenas pelo quanto você acredita em si mesmo. Depende também da confiança no potencial da vida das outras pessoas. A prova de que acredita em si mesmo é sua capacidade de encorajar outras pessoas a confiar nelas também. A expansão dessa rede de confiança para mais pessoas aumenta a sua autoestima e a dos indivíduos que fazem parte dela.


Para muitas pessoas, já virou reprise de novela. O indivíduo decide construir uma nova vida, quer mudar a realidade atual e conquistar grandes objetivos. Por alguns dias até consegue, mas, de repente, o desejo de continuar desaparece. E, sem motivação e autoconfiança, ele simplesmente volta a ser o que era e vai levando a vida do jeito que dá.


Segundo artigo da professora de psicologia da Universidade do Estado de Ohio, Jennifer Crocker, e da doutoranda em psicologia na mesma instituição, Jessica J. Carnevale, “condicionar o sucesso de projetos pessoais à confiança em si mesmo pode trazer mais problemas que benefícios” (Revista Mente Cérebro, ed. especial 51, p. 30).

Normalmente, a psicologia define autoestima como o valor que uma pessoa atribui a si mesma. Para se valorizar, o indivíduo precisa de um suporte que justifique o amor-próprio. Em geral, esses suportes são aparência física, histórico acadêmico, bom relacionamento com a família e com os amigos e sucesso profissional. Estudos científicos constataram que a autoestima é vulnerável quando depende desses suportes. É vulnerável por uma razão: para esse indivíduo, a dor do fracasso supera a alegria do sucesso.


Será que focar na alegria da vitória é a solução? A resposta é não. A autoconfiança decorrente das realizações individuais não dura. Em geral, após o êxtase do objetivo alcançado, as pessoas voltam a se sentir como de costume. Para solucionar isso, o indivíduo tem de continuar a conquistar novas metas. Mas, há um porém. Tudo o que ele faz é por obrigação e não pelo interesse da tarefa em si. Dessa forma, nenhuma conquista consegue suprir o vazio interior que surge como consequência da ausência da motivação intrínseca.

As tarefas se tornam obrigações quando o indivíduo busca objetivos e situações somente para aumentar a autoestima. O erro está na inversão de objetivos. A autoestima, que antes era um meio, agora passa a ser finalidade. No entanto, por mais que haja conquistas, o medo do fracasso continua a comandar.

Vencidas pelo medo, as pessoas invertem seus objetivos porque desistiram de fazer o que desejam verdadeiramente e buscam por realizações que trazem algum retorno, evitando que sejam avaliadas e julgadas.

A autoestima é duradoura quando você se mantém fiel aos objetivos. Evitar a inversão e não depender da alegria da vitória ou medo do fracasso para agir asseguram a satisfação e transformação da realidade.


As Dras. Jennifer Crocker e Jéssica J. Carnevale defendem que “na contramão da literatura de autoajuda e dos pressupostos propagados pela mídia, em especial o mercado publicitário, o caminho mais eficaz para desenvolver e preservar a autovalorização parece ser pensar menos em si e mais nos outros” (Ibidem, p. 30).

Ainda assim, é preciso ter cuidado, pois da mesma forma que pensar somente em si estimula o egoísmo, pensar apenas nos outros se transforma em hipocrisia. A chave para resolver esse dilema está na base na qual a pessoa apoia a autoestima. As autoras do artigo afirmam que “escorar a autoestima em valores como fé ou virtude parece ter menos consequências negativas do que em outras circunstâncias nas quais é possível ser avaliado e julgado (como aparência ou alguma habilidade específica)” (Ibidem, p. 33).

A fé religiosa evita que a autoestima traga problemas e faz com que ela gere benefícios. Mas é preciso se atentar para dois pontos:

– Primeiro, não usar a religião como meio para evitar o medo do fracasso ou para sustentar a autoestima contingente.

– Segundo, a confiabilidade da religião.

Confiar é agir com fé. Isso é fundamental porque quando se está disposto a praticar uma religião, a pessoa deve confiar sua vida a ela. Por esse motivo, é essencial a escolha criteriosa de um ensinamento religioso correto.

Se uma religião fomenta o medo e permite ser usada como meio para sustentar a autoestima e torná-la dependente de fatores externos, na realidade, ela está corrompendo o ser humano.



Fonte: Terceira Civilização, ed. 566, 10 out. 2015

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