Estudar os escritos de Daishonin é buscar inspiração para a vida
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Estudar os escritos de Daishonin é buscar inspiração para a vida

O Sr. Morinaka esteve no Brasil por ocasião do Curso Latino-Americano de Budismo (Clab), dessa vez realizado no Rio de Janeiro. Em entrevista exclusiva ao Brasil Seikyo ele explica que o estudo do Gosho é a chave para a revolução humana e a transformação da sociedade, confira!


O coordenador do DEB foi responsável por explanar o conteúdo do Clab

Como desenvolver o gosto pelo aprendizado e torná-lo parte da própria vida?

O estudo do budismo surgiu da necessidade das pessoas no dia a dia e para aprimorar a prática da fé. Porém, às vezes, a prática é tida como uma obrigação. Na verdade, a essência do estudo do budismo é ler o Gosho. No momento em que estudamos o Gosho, sentimos o espírito de Nichiren Daishonin.  Ikeda sensei sempre diz: “Quando estiver cansado, leia o Gosho”. Quando estivermos numa circunstância difícil, vamos abrir o Gosho e, conforme lermos as palavras de Daishonin, o espírito de Daishonin preencherá nosso coração. Sensei também diz que é como abrir a janela do coração. A leitura do Gosho é a essência fundamental, pois, por meio dela, entramos em contato com o espírito de Daishonin, elevando nossa energia vital. O contato com o espírito de kosen-rufu de Daishonin, fortalece o estado de buda inerente. Isto, para a Soka Gakkai, não é obrigação, e sim o elemento básico para aprofundar a fé. Não é algo que tenha de estudar em especial. É abrir o Gosho, estudar e agir conforme o que está escrito. Qual passagem ou escrito é a base de apoio para cada um perseverar por toda a existência? Ler o Gosho é buscar uma frase para a vida, aquela que norteará a postura para desafiar todas as circunstâncias. Um exemplo: quando estamos com fome, procuramos algo para comer. Para manter a prática da fé, quando nosso coração e nossa prática da fé estiverem frágeis, vamos abrir o Gosho e nutrir o nosso espírito com a leitura dos escritos do Buda. O princípio “fé, prática e estudo” é a própria energia e a força motriz para movimentar tudo. O verdadeiro estudo do budismo surge da fé e não por obrigação. Estudar o budismo faz parte do nosso cotidiano.


Qual a importância do estudo do Budismo de Nichiren Daishonin nesta nova era do kosen-rufu mundial?

Tenho consciência de que o estudo do budismo será mais importante do que nunca, pois o Budismo de Nichiren Daishonin sempre foi uma religião mundial. Não somente o Budismo de Nichiren Daishonin, mas o ensinamento de Shakyamuni, cujo desejo é salvar todas as pessoas e conduzi-las à iluminação, transcendendo etnias, idioma, país. O budismo nasceu na Índia. O grande veículo começou na Ásia Central, passou para a China, depois foi para a Coreia e então chegou ao Japão. O budismo, tendo a Índia como ponto de partida, foi para o leste e o oeste e se instalou em inúmeras culturas — de Shakyamuni a Daishonin. Nesse sentido, o fluxo do budismo de Shakyamuni, em si, podemos denominar de religião mundial. Mas o budismo que chegou em cada localidade acabou se tornando algo regional. E Nichiren Daishonin foi quem elucidou para mundo inteiro o kosen-rufu mundial que consta no sutra. Quem conseguiu deixar esse conteúdo acessível às pessoas foi Daishonin, por isso o Budismo de Daishonin é uma religião mundial. E a organização que o expandiu para o mundo foi a Soka Gakkai, que hoje se tornou uma religião mundial, mas desde a sua fundação vem atuando como religião mundial. Essa expressão, [“religião mundial”] está chamando atenção agora que entramos no século 21, porque as pessoas estão buscando o significado de “religião” que aprofunde e compreenda o ser humano. E onde ela se encontra? Todas as religiões de hoje precisam buscar, cada uma a seu modo, as respostas para essas indagações. Até a chegada do século 21 nenhuma religião conseguiu apresentar essa resposta, e precisamos nos preparar para corresponder a essas questões que a época nos traz. Não há dúvida de que estamos neste tempo. É importante para conseguirmos responder de forma clara e direta as perguntas que a época exige de nós: com base em que conceitos expandimos esse budismo para o mundo? E para qual direção estamos seguindo?  Ikeda sensei já vem deixando claro os principais conceitos, direcionamentos, conteúdo. Desde que assumiu a presidência [da Soka Gakkai] em 1960, iniciou o kosen-rufu mundial. De certa forma, o ano em que ele se tornou presidente, viajou para as Américas, veio ao Brasil meses depois já descrevem o aspecto de religião mundial. Ou seja, desde que se tornou líder da organização, sensei veio fazendo tudo o que era necessário para que se tornasse  religião mundial. E mais ainda! Antes mesmo já vinha fazendo isso, desde a época em que recebeu treinamento direto de Josei Toda. Agora é o momento de os discípulos se aproximarem dessa concepção do Mestre. Com base as orientações do presidente Ikeda, precisamos deixar claro significado da religião mundial. A época chegou.


À luz dos escritos de Nichiren Daishonin, como encarar esta época marcada pela turbulência no cenário mundial?

Quando se fala “à luz dos escritos”, o Gosho esclarece a essência de todos os acontecimentos que vivemos agora. A situação do mundo inteiro configura a era dos Últimos Dias da Lei, época em que os ensinamentos de Shakyamuni se perdem, há conflitos intermináveis, se torna difícil para o ser humano conduzir uma vida com a dignidade. O próprio Shakyamuni declarou que seria uma era em que a vida das pessoas estaria dominada pelos “três venenos” — avareza, ira e estupidez —, que se tornam mais fortes e contaminam tudo. No Japão, conta-se que a era dos Últimos Dias da Lei começou no século 11, mas acredito que agora, no século 21, é a época que mais configuram os Últimos Dias da Lei. Por isso, só resta a cada um dos indivíduos realizar a sua revolução humana, vencer a escuridão fundamental e purificar os “três venenos”. Não é exagero dizer que o Gosho é o indicador da própria revolução humana. Será por meio da mudança do espírito de cada um, e falando com base na tese Estabelecer o Ensinamento Correto para a Pacificação da Terra, é a transformação de uma sociedade para que o foco seja o ser humano. A SGI de hoje é a organização que construiu essa rede em todo o mundo. E são os relatos de comprovação que mostram que a transformação de um único indivíduo consegue mudar toda a sociedade. Os intelectuais também indicam que são as atuações dos associados da Soka Gakkai que conseguirão dissipar a escuridão da época. É isto o que as pessoas anseiam.


Qual a frase do Gosho que mais toca o coração do senhor e por quê?

Uma frase do sutra que é bastante citada nas escrituras e da qual gosto muito é: “As pessoas que ouviram a Lei habitaram aqui e ali, em várias terras do buda, e constantemente renasceram em companhia de seus mestres” (sétimo capítulo do Sutra do Lótus, “Parábola da Cidade Imaginária”). Esse trecho do sutra não fala somente do laço de mestre e discípulo desde o passado, mas elucida a continuação da luta conjunta de mestre e discípulos baseada no juramento seigan pelas três existências. Desde a época de universitário iniciei de fato minha prática da fé e me questionei sobre o que era unicidade de mestre e discípulo, pois, para ser franco, eu não sabia. Procurei meus veteranos e a resposta foi que a respeito de possuirmos ou não a alegria de lutar junto com o Mestre. E o Gosho cita justamente essa alegria, que atravessa as três existências. Tal maneira de viver, em essência, é estabelecer essa forma de vida no coração. Em A Herança da Suprema Lei da Vida, encontramos a relação de mestre e discípulo de Daishonin e Sairen-bo. Este não é somente um escrito de que eu gosto, mas um modelo de como conduzir a minha própria vida.


Morinaka cita que estudar o Gosho é como nutrir a própria vida 
 

Em relação ao estudo do budismo, houve algum episódio ocorrido entre o senhor e o presidente Ikeda que ficou gravado em seu coração?

Há muitos, mas um inesquecível foi quando Ikeda sensei falou no DEB sobre “razão” e “sentimento”. Ele disse que toda a razão e todo o sentimento, no final, se unem, estão sempre ligados. Quando se fala em estudo do budismo, tende-se a confundir com algo que só se baseia na lógica. Mas a lógica surge do grande desejo de realizar o kosen-rufu. O raciocínio lógico com o qual se esquece do kosen-rufu não é o princípio que o Budismo de Daishonin ensina. Tudo sempre deve ter base no sentimento ardente da grande paixão pela concretização do kosen-rufu e ,com isso, põe-se em prática toda lógica e razão. Essa orientação ficou gravada em meu coração.

Foto: Italo Yukimaru, Ronaldo Silva e Carlos Alves

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