Fazer shakubuku é revelar o verdadeiro potencial
  • CONHEÇA O BUDISMO

Fazer shakubuku é revelar o verdadeiro potencial

O shakubuku é uma expressão assertiva da verdade; uma prática que valoriza a vida humana

O propósito do budismo é a felicidade das pessoas. A vida interior de cada um de nós é rica em possibilidades inexploradas e profundas reservas espirituais de sabedoria, coragem, energia e criatividade. A beleza singular de cada ser humano consiste em dar forma e expressão a essas potencialidades de maneiras infinitamente diferentes, de acordo com as particularidades de nossas características, cultura, personalidade e interesses específicos.


Assim, o objetivo do budismo é permitir às pessoas se tornarem conscientes e de que podem evidenciar o potencial ilimitado de sua vida. O budismo refuta a sensação de impotência que talvez sintamos diante do sofrimento e de novos desafios, possibilitando-nos explorar nossos recursos internos para transformarmos qualquer fonte de sofrimento e encontrarmos a sentido de realização pessoal e propósito da vida.


Na vasta tradição do budismo, é o Sutra do Lótus que mais claramente define esse profundo potencial e esclarece que esse sutra existe também na vida de todos. Além disso, o Sutra do Lótus enfatiza que a finalidade dos ensinamentos budistas é possibilitar a todas as pessoas se conectarem com o que ocorre aqui e agora. O sutra também é notável por ser o “ensinamento do veículo único”, que engloba todos os demais sutras e expressa a verdade suprema do budismo — a de que todas as pessoas podem atingir o estado de buda e têm o direito de ser felizes.


Os textos budistas descrevem dois métodos básicos por meio dos quais essa verdade é apresentada. A primeira, chamada shoju [“método de propagação do budismo que consiste em conduzir as pessoas ao ensinamento correto de forma gradativa, conforme a capacidade de cada uma. O termo é empregado em contraste com shakubuku, que consiste em refutar o apego das pessoas a ensinamentos errôneos para fazê-las compreender diretamente o ensinamento correto”], é compartilhar essa visão da vida sem diretamente contestar as crenças já existentes da outra pessoa. A segunda, o shakubuku, é uma expressão mais assertiva da verdade que contesta o ponto de vista daqueles que desvalorizam a vida humana.


O real caminho para a iluminação

Shakubuku é uma prática para os outros. Um exercício concreto de compaixão e crença na natureza de buda de todas as pessoas. É um ato de maior respeito com os demais e que requer coragem — discutir profundamente os ensinamentos budistas. Praticar unicamente para si pode parecer uma opção mais fácil, mas não é o verdadeiro caminho para a iluminação.


No século 13, cerca de 1.500 anos após a morte de Shakyamuni, o fundador do budismo, apesar de bem estabelecido no Japão, o budismo havia se dividido em várias escolas rivais, cada qual afirmando representar o verdadeiro ensinamento de Shakyamuni. Alguns até se submeteram às estruturas de opressão e poder corrupto existentes na época.


Foi nesse contexto que Nichiren Daishonin (1222—1282), fundador do budismo praticado pelos membros da SGI, viveu. Depois de muito tempo estudando vários ensinamentos budistas, ele passou a refutar vigorosamente as doutrinas que haviam se distanciado dos ensinamentos, encontrados no Sutra do Lótus, que valorizam a vida. Ele perseverou em seus esforços, mesmo enfrentando forte perseguição dos poderes instalados, por convicção de que filosofias equivocadas, que incentivam a passividade e a sensação de impotência humana, eram a principal causa de sofrimentos e dos conflitos sociais.


Nichiren Daishonin sempre manteve o compromisso de dialogar, declarando: “Enquanto as pessoas de sabedoria não provarem que meus ensinamentos são falsos, jamais desistirei". Seus adversários optavam pela perseguição, recusando-se assumir o risco de um debate.


o verdadeiro aspecto de cada um

O próprio Sutra do Lótus apresenta um modelo de shakubuku na figura do bodisatva Jamais Desprezar, que se curvava diante das pessoas que encontrava, dizendo-lhes que as venerava profundamente, pois eram possuidoras da natureza de buda. As ações desse bodisatva, entretanto, foram inicialmente objeto de ridicularizarão e humilhações. Ao se dirigir diretamente à natureza de buda do outro, o que o bodisatva Jamais Desprezar refutava nas pessoas que encontrava era a visão limitada que tinham de si mesmas.


Limitar o que acreditamos ser nosso poder de realização na vida e o que podemos esperar dela é uma tendência natural, e esses limites são o meio pelo qual nos definimos. Podemos facilmente nos tornar prisioneiros das visões míopes do que somos e do mundo em que vivemos, bem como nos sentir incomodados e até ameaçados se essa visão limitada for posta em xeque. O budismo desafia constantemente nosso entendimento do que pensamos ser.


O espírito de shakubuku, no entanto, jamais deve ser a preocupação superficial
e argumentativa de provar a si mesmo ou a superioridade de um ponto de vista. É o espírito de contínuo empenho benevolente para que outra pessoa acredite no grande e inexplorado potencial de sua vida.


Fonte: Brasil Seikyo, ed. 2.361, 25 fev. 2017, p. A3
TAGS:CONHEÇA O BUDISMO

• comentários •

;