Juramento não é fazer promessa, é ter fé
  • CONHEÇA O BUDISMO

Juramento não é fazer promessa, é ter fé

A felicidade absoluta sustenta-se em dois pilares: sólida filosofia e juramento – este tem poder de romper até mesmo o carma

Dois importantes pilares existem no Budismo de Nichiren Daishonin. O Buda apresentou às pessoas a mais profunda das filosofias e, por meio de sua postura, demonstrou o que significa viver baseado no juramento.


O pilar da sólida filosofia

O Budismo Nichiren possui essa sólida filosofia porque oferece um caminho seguro e direto para as pessoas comuns atingirem o estado de buda no momento presente, desconsiderando as circunstâncias em que elas vivem.


O pilar do juramento

Para o Budismo Nichiren, juramento é o ponto de partida de todas as mudanças. Fazer um juramento significa mudar a si próprio e assumir a responsabilidade pelo futuro. Em outras palavras, é o poder que permite atingir a iluminação no presente. Em razão desse poder, naturalmente é possível inspirar outras pessoas a seguir a sólida filosofia. Esta é a vida de uma pessoa que vive no estado de buda.


Função maléfica

Alguns podem imaginar que o estado de buda esteja distante da realidade. Existe uma tendência de pensar no Buda como um ser transcendental, isto é, separado ou diferente dos mortais comuns. Essa concepção, há muito arraigada, faz as pessoas não acreditarem no princípio da iluminação universal. Esse sentimento descrente é a principal função maléfica a ser combatida.


“Tranquilo desespero”

Ao depositar esperança, fé e força em algo externo, por exemplo, a pessoa vive à espera de que as circunstâncias mudem sozinhas. Se isso não ocorrer, a responsabilidade não é dessa pessoa. De forma cômoda, o pensamento dela é o de ter a quem ou a que culpar. Alegremente, ela vive com a “consciência limpa”, levando tudo num “tranquilo desespero”. Afinal, nada vai mudar, pois a infelicidade criou raízes. Entretanto, surge a falsa afirmação: “Estou bem comigo mesmo”.

A pessoa que vive baseada na ilusão citada anteriormente aumenta o caos que impera na sociedade. Viver assim é viver fora do ritmo fundamental do universo, ou seja, é a própria “Calúnia contra a Lei”.


Por que calúnia?

Porque impossibilitado de atingir a iluminação, o indivíduo vai tentar impedir os outros de alcançarem essa condição. Isso é o oposto da sólida filosofia.“‘Calúnia contra a Lei’ significa difamar o ensinamento correto, e deriva da incredulidade ou da dúvida nesse ensinamento. ‘Ensino correto’ refere-se ao Sutra do Lótus, que expõe a iluminação de todas as pessoas", diz o presidente Ikeda.


Por que o juramento é importante?

Porque evita a “calúnia contra a Lei”. Aceitar o Gohonzon, por si só, não garante que a iluminação será atingida. Mesmo com a prática, se não houver o comprometimento com a mudança, de nada vai adiantar. Agindo assim, a pessoa viverá novamente num “tranquilo desespero”.


Juramento não é promessa. Juramento e fé

Promessa é condicional. Só é paga depois de recebido o benefício. Juramento é diferente: a pessoa se compromete a fazer algo e cumpre, independentemente do que aconteça.


O poder da fé é pré-requisito para cumprir o juramento. Essa fé é fidelizar, harmonizar e comportar-se de acordo com a Lei.


Fé não é crença

Crença é “acreditar no escuro”, sem ter certeza e, simplesmente, esperar por mudanças. Uma oração com fé é alegria, revitaliza e tem resposta rápida. Uma oração baseada na “crença” é “uma austeridade angustiante e sem fim”, difícil e desanimadora. A crença não tem resposta, pois ela deixa de ser uma oração em seu verdadeiro significado.


Só o Juramento basta?

Não. Transformar a si próprio é mudar o estado básico de vida para o estado de buda. Por isso, é necessária uma filosofia compatível com o estado de buda. Em outras palavras, o juramento tem de ser o mesmo grande juramento do Buda.


Qual é o grande juramento do Buda?

É dedicar a vida ao kosen-rufu. Inclui a felicidade do indivíduo e a das demais pessoas, a começar pela que está diante de si. Ao pôr o grande juramento em prática, surge o respeito e a confiança nos outros, sem nunca desistir deles nem de si próprio.


Ter fé no Budismo Nichiren é ter fé na Lei Mística e no potencial das pessoas. Conforme descrito nos sutras, a sabedoria do buda é insondável e nasce do solo do grande juramento. Essa sabedoria só é manifestada pelas pessoas comuns por meio da fé na Lei Mística.


Nichiren Daishonin escreveu: “A prática dos ensinos budistas não o livrará do sofrimento do nascimento e da morte se não compreender a verdadeira natureza de sua vida. Se buscar a iluminação fora de si, então, mesmo que realize dez mil práticas e dez mil boas ações, tudo será em vão”.


O juramento seigan

Um mestre do kosen-rufu é a pessoa que baseia a vida nesse grande juramento. O presidente Ikeda é o Mestre que demonstra por meio das ações a nobre forma de viver a seus discípulos. Assumir a decisão do Mestre como causa dos próprios esforços é o juramento seigan, que rompe com as correntes do carma. O juramento seigan é capaz de fazer a vida se abrir para a Lei Mística.


A oração da unicidade

A oração baseada na unicidade de mestre e discípulo é a oração que transforma. Mesmo sem entender, à medida que se vive nessa sintonia, o juramento se torna um desejo. Quando isso acontece, a pessoa passa a desejar o kosen-rufu como um objetivo de vida e, assim, assume naturalmente um modo de vida iluminado.


As correntes do carma

Uma pessoa presa às correntes do carma vive focada unicamente nos efeitos do presente, originados nas causas do passado. Ela nunca se desenvolve, porque a vida segue um ciclo interminável. Romper tais correntes com o juramento seigan significa ter em mente que todo instante da vida é uma causa para o futuro. O presidente Ikeda finaliza: “Independentemente do que tenha ocorrido no passado ou o que esteja ocorrendo agora, nós podemos fazer uma nova causa no presente — uma verdadeira causa embasada na Lei Mística, que é a causa mais forte de todas — e redirecionar o curso atual da vida”.



                                                                                                               



Fonte: Terceira Civilização, ed. 508, 11 dez. 2010, p. 56
TAGS:CONHEÇA O BUDISMO

• comentários •

;