Muito além da meditação
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Muito além da meditação

Dedicar suas energias e tempo buscando formas de encorajar as pessoas

No Sutra do Lótus existe um trecho citado na página 20 da Liturgia da SGI: “Mai ji sa ze nen. I ga ry shu j. Toku ny mu j d. Soku jo ju bu-shin”: “Medito constantemente: Como conduzir as pessoas ao caminho supremo e fazer com que adquiram rapidamente o corpo de um buda?” (PHJ, p. 320).


Essa frase é o coração do budismo porque revela a intenção e o caráter do Buda — ele dedica todas as suas energias e tempo buscando formas de encorajar as pessoas. Os discípulos do Buda são, portanto, herdeiros desse mesmo desejo e modo de agir.


Sempre se dedicando à iluminação de todos


Meditação não consiste apenas em contemplar algo passivamente. Não existe buda egoísta que pensa só em si. Um buda está sempre firmemente determinado a trabalhar pela felicidade das pessoas. Na Nova Revolução Humana consta:


“Shin-ichi Yamamoto falou sobre o termo Mai ji sa ze nen, do capítulo ‘Extensão da Vida’ do Sutra de Lótus:


— Se explicarmos em uma frase o significado de Mai ji sa ze nen, podemos dizer que é ‘a determinação que está sempre no âmago do coração’. O Mai ji sa ze nen do Buda é a iluminação de todos. Um buda anseia e medita constantemente em como tornar feliz cada uma das pessoas. O importante é o que estamos pensando, desejando e para que oramos — o que está no âmago da nossa determinação. A verdadeira condição de vida se evidencia nesse ponto. Nós, discípulos do infinito passado do buda Nichiren Daishonin, devemos instituir como missão pessoal o grande desejo do buda [daigan], que é o kosen-rufu. Isso significa ter como determinação pessoal a felicidade de cada pessoa. Todos os dias, vamos retornar ao ponto primordial da nossa decisão eterna e vamos nos tornar pessoas que anseiam pelo kosen-rufu, oram e agem em prol dele. Eu decidi que ‘todo dia é dia de Ano-Novo’. Portanto, minha decisão é me empenhar com o máximo de minhas forças neste ano com renovado entusiasmo em prol dos meus companheiros da Lei e pela paz do mundo!” (BS, ed. 2.179, 11 maio 2013, p. A8).


Qual o seu desejo mais sincero e profundo?


Uma pessoa ambiciosa deseja ardentemente dinheiro ou um cargo; ela foca a mente com máxima intensidade em descobrir meios de atingir o objetivo mesmo que seja passando por cima de outras pessoas. Já um ótimo professor passa o dia tentando achar a melhor forma de educar seus amados alunos. Uma mãe devotada dedica todo seu ser em dar amor, alegria e conforto ao filho.


O tempo todo estamos nos devotando a algo, concentrando nossa mente para alcançar aquilo que mais queremos.


No budismo, aprendemos qual é o foco da mente do Buda. Na SGI, os periódicos, os escritos, as teses, os livros, todos existem para explicar com riqueza de detalhes e da maneira mais simples e aplicável o “pensamento constante” do Buda.


Pensamento constante


Um budista faz um juramento: “Concentrarei meus pensamentos e dedicarei meus dias à minha felicidade e à felicidade de todos à minha volta”.


É um juramento porque é sólido e imutável. Faça chuva ou faça sol, um membro da SGI está constantemente usando os benefícios e as dificuldades que passa como incentivo para os outros.


A “meditação” de um budista na SGI não está relacionada apenas com o bem-estar pessoal, muito menos é uma busca desenfreda para melhorar apenas a si mesmo ou conquistar algo só para se autoproteger.


Consiste num pensamento firme e focado na transformação de si e de todos — a revolução humana. É um estado mental com grande energia vital interior produzida pela recitação do Nam-myoho-renge-kyo que se expande naturalmente em espiral contagiando o próprio corpo, a família, o ambiente de trabalho e o mundo. É um modo de viver dinâmico que constantemente cria valor e felicidade.


Encorajar pessoas é o desejo primordial da vida


O trecho mai ji sa ze nen revela a determinação constante do Buda, seu grande desejo que remete aos primórdios da vida.


O presidente Ikeda afirma: “O Buda anseia por uma única coisa: ajudar as pessoas a atingir a felicidade suprema. Esse é o pensamento constante de um mestre do kosen-rufu. Com clareza cristalina em seus pensamentos e em seu propósito, o Buda mostra o caminho que todos precisam seguir para alcançar essa felicidade. Ele diz: ‘Avancem nesta direção’. Essa é uma passagem comovente, uma conclusão apropriada para esse poema épico pela salvação da humanidade” (PHJ, p. 320).


Por que se preocupar com a felicidade alheia é a prática mais importante do budismo? Esse é o próprio desejo original da vida. Quem põe sua mente e sua vida a serviço do encorajamento das pessoas, expande a vida ilimitadamente, está sempre satisfeito e em sintonia com o universo.


Vamos melhorar o mundo


Nichiren Daishonin afirma que o mai ji sa ze nen “é o único pensamento, ou ichinen, que os budas e todos os outros seres possuem originalmente” (GZ, p. 1368).


O presidente Ikeda complementa: “‘Quero ser feliz e quero que todos os demais também sejam’. Esse é o pensamento original, o puro desejo que opera nas profundezas da vida desde o tempo sem início. Os que vivem totalmente embasados nesse espírito são budas. Portanto, o desejo universal do buda é chamado de ‘grande juramento’”.


Shakyamuni e Nichiren Daishonin viveram até o último suspiro com base nesse grande juramento — o ardente desejo de conduzir as pessoas à felicidade. A essência do caráter dos três mestres da Soka Gakkai também é o “pensamento constante”, dia e noite, em como conduzir as pessoas do planeta à felicidade.


O mai ji sa ze nen deles não é apenas contemplação pessoal, mas o mais correto modo de vida que está sempre acompanhado de ações focadas e coerentes com o “grande desejo” do Buda. Portanto, meditar é transformar a si e tudo ao redor, usar toda a força mental para revitalizar o ambiente e melhorar o mundo.



Fonte:


Brasil Seikyo, ed. 2342, 8 out. 2016 - Conheça o Budismo

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