Nossa vida é determinada pelos genes?
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Nossa vida é determinada pelos genes?

Extraído do discurso publicado no jornal Seikyo Shimbun, de 17 de dezembro de 2005, entre Daisaku Ikeda; Dr. Shosaku Narumi, presidente da Conferência de Jovens Médicos da Soka Gakkai; Dra. Chiaki Nishiyama, coordenadora do Departamento de Médicas da Soka Gakkai; e Dr. Ryuto Hirasawa, secretário do Departamento de Médicos da Área Tóquio 2.


Presidente Ikeda: Nitiren Daishonin escreveu a Nanjo Tokimitsu, um jovem discípulo seu que havia perdido o pai: “Você é seu pai quando jovem. A semelhança entre ambos é realmente incrível! São idênticos não só no aspecto físico, mas também na nobreza de coração” (Gosho Zenshu, p. 1507). Há certamente casos em que as crianças são parecidas com seus pais. As semelhanças físicas, como os traços faciais, devem-se essencialmente à genética?

Dr. Narumi: Efetivamente, dependem em grande parte do código genético. O tipo sanguíneo, a cor dos olhos e do cabelo, por exemplo, são determinados geneticamente.

Presidente Ikeda: Os genes também determinam o nível de nossa inteligência?(risos

Dra. Chiaki: Neste caso, ao fator genético somam-se diversos elementos, como esforço pessoal, o meio em que a pessoa vive, entre muitos outros.

Dr. Hirasawa: Um estudo sobre quociente de inteligência (QI) de pais e filhos revelou que os filhos tendem a apresentar níveis similares a de seus pais.

Dr. Narumi: Obviamente, há exceções. O QI é apenas uma dentre as muitas manifestações da capacidade intelectual de uma pessoa.

Presidente Ikeda: Sim, é verdade. Embora não esteja relacionado com a genética, recordo que o presidente Toda costumava dizer que o discípulo que ouve os ensinos de seu mestre desenvolve, na mesma proporção, sua capacidade intelectual.


Dra. Chiaki: Há um estudo muito interessante realizado nos Estados Unidos. A pesquisa foi feita com gêmeos univitelinos ou idênticos que foram adotados por diferentes famílias e que, portanto, cresceram separadamente.

Presidente Ikeda: Os gêmeos univitelinos possuem a mesma informação genética, não é verdade? 

Dra. Chiaki: Sim. O estudo tinha como finalidade verificar de que forma o meio influenciava na formação da personalidade dos gêmeos. Apesar de os gêmeos terem crescido em diferentes ambientes e se encontrado pela primeira vez depois de trinta anos, eram muito parecidos no modo de ser e compartilhavam as mesmas aflições e gostos por vestimenta. Alguns até haviam colocado o mesmo nome em seus filhos. Segundo um especialista, dois terços do caráter das pessoas é determinado pelos genes.

Dr. Narumi: Dois terços pode parecer uma proporção muito grande. Porém, o fato de um terço de nossa personalidade ser formado por outros fatores além da herança genética é muito significativo. Isto quer dizer que trinta por cento de nossa personalidade pode ser influenciada pela educação e a forma como somos criados.

Presidente Ikeda: Este é um enfoque muito interessante. Podemos observar que a personalidade ou o caráter não é simplesmente uma questão hereditária ou ambiental, mas a expressão de múltiplos fatores confluentes.

Dr. Hirasawa: Correto. Acredito que esse tipo de pensamento, ou seja, de achar que os genes definem o caráter do indivíduo é uma postura muito cômoda. Se assim fosse, poderíamos culpar nossos pais por todos os defeitos ou aspectos negativos que temos. (risos)

Presidente Ikeda: Em essência, cada um de nós tem de construir o próprio futuro. Em um escrito budista consta: “Se deseja saber as causas que foram feitas no passado, observe os efeitos que se manifestam no presente. E se deseja saber os efeitos que se manifestarão no futuro, observe as causas que estão sendo feitas no presente”. Tanto nossa herança genética como o meio ou as circunstâncias não deixam de ser realidades que devemos enfrentar e, ao mesmo tempo, são resultados de nossas causas passadas. O mais importante, portanto, é de que maneira vamos nos desenvolver e como vamos transformar nossas circunstâncias a partir deste momento, visando a um brilhante futuro. O budismo nos oferece o poder para efetuar essas mudanças.

O poeta romano Ápio Cláudio, o Cego, escreveu: “Cada um é artífice de seu destino”. Assumir o controle de nossa sorte e possibilitar a liberdade de nosso espírito é uma postura ativa e dinâmica que o budismo define como “espírito da verdadeira causa” — a disposição de mudar a partir deste instante. Se fizermos de cada momento nosso ponto de partida e nos empenharmos constantemente na busca de um novo eu, na construção de um novo mundo, poderemos edificar uma existência cheia de esperança e energia. Acredito que nesta postura se encontra o segredo da eterna juventude.



Fonte: Terceira Civilização, ed. 466, 1 jun. 2007

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