O poder da decisão
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O poder da decisão

Não é preciso sofrer a vida inteira com os mesmos desafios. Para superar vícios e doenças, resolver problemas financeiros ou dar fim à desarmonia familiar que se arrasta por anos, a solução é decidir.

A determinação não é simples decisão por algo que se deseja: vai além. Ela é a vitória sobre a covardia, o medo que mantém a indivíduo preso, tal como o elefante que ignora a própria força e permanece amarrado num banco.

Vitória não acontece simplesmente porque se deseja. Ela não surge ao acaso ou por merecimento. Por trás do triunfo existe comprometimento, esforço e persistência — características de uma pessoa decidida.


Aqueles com uma forte decisão jamais são derrotados. Essa é uma regra imutável. Segundo o budismo, determinação é ichinen — o estado em que a mente se encontra neste momento. É a atitude mental corajosa para mudar a si mesmo e enfrentar as dificuldades. Uma pessoa de forte ichinen ou determinação vitoriosa sabe que a mudança interna é a que transforma o externo. Em termos práticos, determinação é nunca retroceder.


Vencendo a covardia, o oposto da determinação.

Quando uma pessoa se deixa dominar pela covardia, ela tem seu foco totalmente no externo e ignora a força que possui dentro de si. Gosta de apontar culpados e se apega aos problemas para ter sempre desculpas para não mudar a si própria. Ela se preocupa com o que os outros vão pensar e não age devido ao medo excessivo da derrota.

Ao falar sobre a determinação, o presidente Ikeda diz: “O sol da vitória reside no coração de cada um. Assim, é preciso combater o inimigo chamado ‘covardia’, banindo-a da vida”. Uma pessoa de coração destemido é quem venceu a covardia e adquiriu a percepção de que a sua força interior é maior que todos os obstáculos.


Um indivíduo de coração destemido não se prende à severidade dos obstáculos ou à complexidade da situação. As dificuldades são esperadas porque ele sabe que são desafios provocados por ele mesmo ao decidir avançar na vida. Sendo assim, sua disposição é ficar mais forte para enfrentar o que vier.

O poeta indiano Rabindranath Tagore cita : “Não quero rezar para me proteger dos perigos, mas para ser destemido ao encará-los. Não quero implorar para que me retirem a dor, mas para que tenha um coração que a possa conquistar”.


Para chegar a essa condição de vida é necessário o elemento principal: o juramento feito diante do Gohonzon.

“Um juramento no budismo é o poder de romper as correntes do destino para nos libertar dos grilhões do passado e construir uma identidade capaz de visualizar um novo futuro com esperança. Em outras palavras, o poder de um juramento permite que nos desenvolvamos por meio dos ensinamentos do Buda, que nos responsabilizemos pelo nosso próprio futuro com base em uma firme consciência de nossa identidade, e sustentemos os esforços nessa direção. Juramento é o ponto de partida de todas as mudanças. Assumir o juramento implica comprometer-se a mudar a si próprio. É também o ponto de partida para transformar a vida dos demais”, explica o presidente Ikeda.


Esse é o juramento pessoal de realizar o desejo do Buda; o juramento que faz toda a diferença. A determinação vitoriosa [ichinen] é, especificamente, a decisão de cumprir o juramento seigan. Kosen-rufu são as ações de uma pessoa de determinação vitoriosa que se dedica a despertar o juramento seigan na vida das pessoas também.

É o daimoku de juramento seigan que faz com que você se comprometa a realizar o desejo do Buda: daigan — o desejo de que todas as pessoas atinjam a iluminação, a condição na qual experimentamos total e livremente a felicidade enquanto ajudamos os outros a fazer o mesmo. Daí surgem a decisão e a coragem que transformam qualquer realidade.


A pessoa que possui uma determinação vitoriosa [ichinen] não teme a derrota e não se enfraquece com a vitória. Seu objetivo é lutar até o fim para cumprir seu juramento seigan feito diante do Gohonzon. O verdadeiro vencedor é quem, por meio do daimoku, conquista um coração destemido — o espírito de jamais retroceder em seu juramento.



Fonte: Terceira Civilização, ed. 571, 9 mar. 2016

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