O que significa ‘não duvidar’?
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O que significa ‘não duvidar’?

Se a religião rejeitasse a existência de dúvidas, estaria repudiando a liberdade inerente ao espírito humano.

Em Registro dos Ensinamentos Transmitidos Oralmente, Daishonin diz que a fé é a “espada afiada” para dissipar a ilusão profundamente arraigada da escuridão ou ignorância fundamental (cf. OTT, p. 119). Para explicar o que é fé, ele cita a definição oferecida por Tiantai em Palavras e Frases do Sutra do Lótus: “Acreditar significa não duvidar”.

“Não duvidar” quer dizer crer no Gohonzon (Nam-myoho-renge-kyo) com fé absoluta, sem se deixar abalar por nenhum obstáculo. É o oposto de compreender os ensinamentos mas carecer de fé. Daishonin adverte: “‘Conhecimento sem fé’ refere-se aos que têm conhecimento sobre as doutrinas budistas mas que carecem de fé. Essas pessoas jamais atingirão o estado de buda” (CEND, v. II, p. 298). Mesmo que uma pessoa consiga entender os ensinamentos budistas complexos intelectualmente, isso não será suficiente para atingir o estado de buda nesta existência.

O que significa então “não duvidar”? É acreditar de todo o coração, possuir convicção absoluta. Contudo, devo frisar que existe uma diferença crucial entre não duvidar [depois de inquirir e buscar respostas] e simplesmente nunca questionar.

Se uma religião rejeitasse a existência de dúvidas, estaria repudiando a liberdade inerente ao espírito humano [de questionar e pensar de forma crítica]. Essa religião se alienaria da sociedade e incorreria no risco de resvalar para o dogmatismo e o fanatismo.

Ingressei na estrada da fé aos 19 anos. Embora tivesse acabado de conhecer Toda sensei, ele me concedeu respostas claras para cada uma de minhas francas perguntas. As palavras dele reverberavam incontestável sabedoria e humanismo. Depois, fiquei sabendo que ele mantivera suas convicções mesmo ao ser preso pelas autoridades militaristas da época da guerra.

Percebi, intuitivamente, que poderia acreditar no que aquele homem dizia, e decidi me associar à Soka Gakkai. Depositando, em primeiro lugar, minha fé em Toda sensei como meu mestre, comecei a aprofundar minha fé na Lei Mística e no Gohonzon.

Como jovem iniciante na prática do Budismo de Nichiren Daishonin, obviamente eu tinha muitas indagações. Mas ao me encontrar com o Sr. Toda, meus dias passaram a ser dedicados à profunda ponderação e reflexão sobre as respostas do budismo às questões existenciais e filosóficas fundamentais.

Ele costumava dizer: “A fé busca a compreensão, e a compreensão aprofunda a fé”. “Compreensão”, no contexto, poderia ser traduzida como “lógica” ou “razão”. Com base em minha experiência pessoal­, a fé se aprofunda mediante esclarecimento de questionamentos e dúvidas, e a reflexão contínua e intensa sobre tais indagações no curso da prática budista, até finalmente obtermos uma resposta satisfatória que possamos aceitar de todo o coração.

Aprofundando nossa fé, o espírito de procura para compreender os ensinamentos aflora, e estudando os ensinamentos e aplicando-os na vida, fortalecemos nossa convicção à medida que experimentamos o poder da prática budista. E consolidar uma convicção absoluta nas profundezas do nosso ser significa “não duvidar”.

A escuridão ou ignorância fundamental constitui o tipo mais básico de ilusão ou negatividade — a incapacidade de acreditar que a natureza de buda é inerente à nossa vida. Equivale essencialmente a não ser capaz de acreditar na própria dignidade. Se não conseguirmos acreditar em nossa própria natureza de buda, também não seremos capazes de acreditar na natureza de buda dos outros.

A ciência e a tecnologia, por maiores que sejam os avanços conquistados, não podem solucionar esse problema. No mundo de hoje, onde o ódio e a desconfiança predominam de forma disseminada, o Budismo Nichiren nos ensina como fazer resplandecer esse estado de vida imanente supremamente nobre dentro de nós, ajudar os outros a fazer o mesmo, e edificar a genuína alegria de viver. A fé na Lei Mística é a “espada afiada” que subjuga a escuridão fundamental intrínseca a cada um de nós.

Toda sensei afirmou: “Devem ter a decisão de que Nam-myoho-renge-kyo é a sua própria vida!” e que “Propagar a Lei Mística nos Últimos Dias da Lei significa acreditar firmemente que sua vida não é nada a não ser Nam-myoho-renge-kyo!”. Essa é a conclusão do Budismo de Nichiren Daishonin.


Praticando o Budismo Nichiren, nós, membros da Soka Gakkai, atingimos uma condição na qual percebemos profundamente que nós próprios somos entidades da Lei Mística e que possuímos potencial ilimitado.

Kosen-rufu não é nada além da construção de uma era de revolução espiritual na qual cada pessoa atue alicerçada na crença profunda na natureza de buda infinitamente nobre inerente a todos os seres humanos. Estamos liderando o movimento para efetuar uma grande mudança no destino da humanidade.

Fonte: Brasil Seikyo, Ed. 2373, 27 mai 2017/Encontro com o Mestre

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