Os Oito Ventos
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Os Oito Ventos

A calmaria de um vento fresco pode anteceder ventos gelados e devastadores. Da mesma forma, as condições favoráveis ou desfavoráveis da vida se manifestam constantemente como "ventos"

O escrito Os Oito Ventos

Este é um nome dado a uma famosa carta que o buda Nichiren Daishonin escreveu para seu discípulo, Shijo Kingo, em 1277.


O conteúdo da carta: “Um homem verdadeiramente sábio não será arrebatado por nenhum dos oito ventos: prosperidade, declínio, desgraça, honra, elogio, censura, sofrimento e prazer. Ele não se inflama com a prosperidade nem se desespera com o declínio. Os deuses celestes seguramente protegerão aquele que não se curva diante dos oito ventos".


Por que ventos?

Nichiren Daishonin usa a metáfora com os ventos porque as mudanças climáticas eram constantes e abruptas em sua época. A aparente calmaria de um vento fresco num dia de calor pode ser acompanhada de ventos gelados e devastadores. Da mesma forma, as condições favoráveis ou desfavoráveis se manifestam constantemente como “ventos”.


Em seu escrito, os oito ventos são: prosperidade, honra, elogio, prazer, declínio, desgraça, censura e sofrimento.


Conduta correta é o caminho da iluminação

A conduta correta é agir de acordo com o princípio da Iluminação universal que revela: Todas as pessoas são budas e dignas do mais supremo respeito. Conduta correta significa viver baseado no espírito da prática do shakubuku, ou seja, é agir como um buda considerando todos como budas. Esse é o caminho da iluminação.


(1) A prosperidade

São todas as formas de lucros e ganhos. Representa a busca incessante pelo progresso material, profissional ou financeiro. A prosperidade torna-se negativa no momento em que cega a pessoa para uma vida de acordo com a “conduta correta”.


Exemplo da influência da prosperidade: No contexto da prática budista: “Voltarei a participar das atividades mais assiduamente depois de vencer profissionalmente” ou “minha vida está indo de vento em popa. Não preciso me esforçar tanto na prática”.



(2) A honra

Sentimento que representa satisfação por conquistar a consideração daqueles ao redor. Porém, sua distorção leva à arrogância e ao autoritarismo, ou seja, a pessoa não vive de acordo com a conduta correta.


Exemplo da influência da honra: Exemplo desse tipo de conduta é pensar que já sabe o suficiente sobre a prática budista devido aos anos de prática, colocando-se acima de recém-convertidos.



(3) O elogio

Enaltecimento expresso por meio de palavras ou gestos. Mas essas manifestações podem se tornar prejudiciais quando as pessoas passam a depender disso, condicionando seu avanço ou ação ao reconhecimento dos outros.


Exemplo da influência do elogio: No contexto da prática budista: Quando alguém não recebe elogio por seus esforços pode pensar assim: “Não vou mais me dedicar, pois as pessoas não reconhecem meu empenho".



(4) O prazer

Qualquer tipo de atividade prazerosa que desvie a pessoa da conduta correta.


Exemplo da influência do prazer: “Agora vai passar aquele programa que eu gosto na televisão. Depois eu faço o gongyo".



(5) Declínio

Significa enfraquecimento e perda. Desmotivadas pelas condições de vida desfavoráveis, as pessoas tendem a perder a energia e a coragem, desviando-se da conduta correta.


Exemplo da influência do declínio: No contexto da prática budista: “Puxa, tenho praticado tanto e minha condição nunca melhora! Como poderei fazer shakubuku?” ou “Quando tiver melhores condições financeiras participarei mais assiduamente das atividades da organização”.



(6) A desgraça

Condição de uma pessoa que perdeu a credibilidade e o respeito dos outros. Essa perda é provocada por dois tipos de situações. O primeiro tipo: a pessoa perde o respeito por falhas ou atitudes praticadas por ela mesma. Segundo tipo: intrigas e difamações de pessoas ao redor motivadas por inveja ou rancor.


Exemplo da influência da desgraça: No contexto da prática budista: “Como ninguém me respeita, vou me afastar da prática” ou “como estão me atacando vou atacar também”.



(7) A censura

Repreender ou insultar. Há pessoas que, ao ser repreendidas ou orientadas com rigorosidade, acabam desanimando ou se irritando com as outras, afastando-se delas e até da prática budista.


Exemplo da influência da censura: “Não gostei de ser repreendido. Não vou mais apoiar esta atividade”, ou “meus familiares que não praticam me criticam por participar das atividades. Não sei o que fazer”.



(8) O sofrimento

Dor física e espiritual que nos leva a desanimar na prática budista e a ter pensamentos destrutivos.


Exemplo da influência do sofrimento: “Devido a um grave problema de doença em minha família no momento, não tenho condições de praticar”, ou “meus sofrimentos são tão grandes que o budismo não irá solucioná-los”.


São ilusões

Os oito ventos são ilusões porque mudam constantemente. Não são critérios confiáveis devido à sua inconstância. Uma situação de sofrimento pode mudar rapidamente, assim como uma situação de prosperidade.


Importante é não usar os “oito ventos” como referência para nada. Eles são ilusões e não são confiáveis para ser a base de uma vida inteira. Uma vez tomados como referência, a consequência de cada mudança sempre será sofrimento.


Não caia na armadilha

Nunca use os “oito ventos” como referência de avaliação da fé de outra pessoa. Pelo fato de uma pessoa ser censurada ou enfrentar um grande sofrimento não significa que sua prática esteja errada. Por outro lado, se uma pessoa prospera não significa que sua prática esteja correta. Lembre-se, são ilusões, portanto, não são critérios de avaliação de uma fé sincera.


A solução

A solução é elevar o estado de vida de forma que os “oito ventos”, que são condições externas, não influenciem a fé. Nichiren Daishonin ensina que a pessoa deve ser imperturbável diante das oscilações do cotidiano.


O presidente Ikeda conclui: “Se nos basearmos na natureza do Dharma, então, independentemente de sermos ou não elogiados ou censurados, podemos usar tudo como uma oportunidade para obter mais êxitos (...) Tanto nos momentos de alegria como nos de tristeza, devemos recitar a Lei Mística e avançar ainda mais. Esse é o caminho de um mestre da vida”.


Fonte: Brasil Seikyo, ed. 2086, 4 jun. 2011, p. A6
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