Partilhar de sincera amizade
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Partilhar de sincera amizade

Seja um bom amigo e construa pontes de esperança para encorajar o próximo por meio de uma conduta honesta

Ensaio do presidente da SGI, Dr. Daisaku Ikeda, publicado na revista SGI Quarterly, ed. jan. mar de 2004


Creio que a amizade é a forma mais genuína de relacionamento humano de que somos capazes de construir. Ser compreendido e estimado é uma experiência vital, fortalecendo direta e indiretamente nossa vontade de viver. A amizade multiplica a quantidade de valor que podemos criar e experimentar. Como diz um ditado, a amizade dobra nossa alegria e corta pela metade nossa tristeza. Nada traz uma satisfação mais profunda ou uma recompensa mais duradoura que ser um verdadeiro amigo para alguém.


Da minha experiência, a amizade não é o tempo gasto com alguém. Antes, acho que é uma medida da força ou da profundidade da ressonância espiritual que surgem entre as pessoas. Muitas vezes, ao me encontrar com alguém pela primeira vez, pude sentir um indescritível sentimento de familiaridade.


Há diversos tipos de amizade. Com alguns, simplesmente nos sentimos confortáveis e tranquilos. No entanto, em minha opinião, ainda mais valioso é aquele tipo de amizade baseado num sentimento de propósito ou de compromisso com relação a uma causa comum.


Minha própria vida foi coroada com inúmeras amizades. Uma que me vem à mente é aquela cultivada com o falecido Dr. Linus Pauling, conhecido como o “pai da química moderna” e ganhador de dois prêmios Nobel. Nós nos conhecemos em 1989, quando ele já estava com 88 anos. Sua apaixonada oposição à guerra era famosa, e esse compromisso comum desempenhou papel fundamental em nossa amizade.


Igualmente preciosas para mim são as amizades que criei com pessoas que podem não ser famosas em sua comunidade. Há pessoas em todo o mundo trabalhando incansavelmente para fazer do seu ambiente próximo um local melhor para seus cidadãos. Sempre escrevo sobre meus amigos, porque cada um deles teve influência única em minha vida, e me senti compelido a compartilhar essas experiências.


A amizade é testada pela adversidade. Talvez somente aqueles que tenham sofrido ventos realmente adversos podem apreciar plenamente a beleza da amizade. Para os jovens, desenvolver e manter amizades é um desafio. Eles podem se sentir angustiados ao descobrirem que a pessoa que achava ser um bom amigo, na verdade não era. Quando os jovens me perguntam sobre isso, eu os encorajo a manter o foco em si e em suas próprias ações, e não nas de outras pessoas.


Se você for constantemente um bom amigo, então lhe asseguro que jamais terá razões para se arrepender, mesmo que a outra pessoa se afaste e se volte contra você. O coração humano abriga possibilidades realmente temerosas. Encorajo os jovens a não permitir que determinada experiência abale sua fé na humanidade.


Meus próprios esforços para criar laços de amizade com pessoas de todo o mundo são guiados por minha crença de que este é o caminho mais certo para a paz. Pode haver, por exemplo, alianças políticas que unam os povos de dois ou mais países. Partilhar interesses econômicos ou comerciais pode ser uma maneira. Mas laços que se limitam a essas dimensões são, em última instância, frágeis e se rompem diante de alguma crise ou conflito.


Diferentemente das disparidades de ordem política ou econômica, o espírito da amizade é o da igualdade, além de ser amplo e universal. Ele tem o poder de transcender as diferenças de cultura, língua ou religião. De forma ainda mais fundamental, ele nutre a confiança que pode manter abertos os canais de comunicação, evitando que mal-entendidos evoluam para conflitos maiores. Pode ser um pensamento simplista, mas acredito profundamente que aprimorar a amizade entre as pessoas de diferentes culturas é a chave para a paz no século 21.


Fonte: Brasil Seikyo, ed. 2.393, 28 out. 2017, p. A3
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