Qual a verdade para qual Shakyamuni despertou?
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Qual a verdade para qual Shakyamuni despertou?

A realidade sobre o despertar da natureza de buda

Shakyamuni percebeu que o desejo é o impulso fundamental que impele a vida para a frente, amarrando-nos ao ciclo de nascimento e morte. A cada momento, 
os impulsos de vários desejos são manifestados por pensamento, palavra e ação, que compõem a força latente do nosso carma individual. Por essas causas e efeitos, ações e reações, moldamos a nós mesmos e nossas circunstâncias de instante a instante, perpetuando um processo fluido contínuo ao longo de incontáveis existências. Além disso, Shakyamuni ensinou que não existe alma ou indivíduo permanente e que tenha existido ao longo de todo esse tempo, mas simplesmente a continuidade da energia cármica é que gera a ilusão de uma essência ou indivíduo imutável.


Portanto, eliminar o desejo cortaria a energia que alimenta o ciclo de vida e morte, e, no momento da morte, a vida seria extinta de uma vez por todas. Este estado de êxtase e aniquilação, ou nirvana, era o objetivo final dos primeiros ensinamentos budistas e hoje continua a ser considerado como tal por tradição. A vida, nessa perspectiva, é um ciclo de sofrimento do qual se pode eventualmente escapar. O Sutra do Lótus, no entanto, traz uma visão completamente revolucionária sobre os seres humanos de que a nossa vida tem um profundo propósito neste mundo.


Esta escritura budista, a qual Nichiren Daishonin e uma linhagem de estudiosos budistas antes dele consideraram como a expressão mais completa e perfeita da iluminação de Shakyamuni, enfatiza que a natureza essencial de nossa vida a qualquer momento é a de um buda. Ao despertar para a verdade do seu estado de buda inerente, descobre-se esse sentido fundamental de propósito, e a vida assume uma qualidade completamente diferente e fundamentalmente jubilosa.



Mas o que é a natureza de buda e como despertar para ela?

Em essência, a natureza de buda é o impulso inerente à vida para aliviar o sofrimento e trazer felicidade às pessoas. Ela está contida no Sutra do Lótus com a declaração: “Medito constantemente: como posso conduzir as pessoas ao caminho supremo e fazer com que adquiram rapidamente o corpo de um buda? ” (PHJ, p. 320)

A frase Nam-myoho-renge-kyo, que Daishonin recomendou que seus seguidores entoassem, poderia ser descrita como o som desse impulso 
primordial, este juramento, e
 sua recitação, como a prática
 que orienta a vida embasada 
nesse juramento. Pela
 alquimia maravilhosa deste
 ato, o processo incessante de 
mudança é a vida num processo infinito de
crescimento e transformação.


Nossa própria existência torna-se, então, uma expressão desse juramento. Do ponto de vista iluminado de buda, nós nascemos livremente neste mundo com a determinação 
de despertar os outros para 
sua natureza de buda. Quando estamos despertos para tal, as causas e os efeitos em nossa vida se tornam as causas e os efeitos do estado de buda: as circunstâncias particulares de nossa vida e de nosso caráter, nossos sofrimentos e triunfos, tornam-se os meios para demonstrar o poder da natureza de buda e formar laços de empatia com as pessoas.


Esse despertar para a
 natureza de buda também é
 por vezes descrito como um despertar para o “eu maior”.
 O presidente da SGI, Daisaku 
Ikeda, comenta: “O eu maior sempre procura aliviar a dor
 e aumentar a felicidade das
 pessoas em meio às realidades da vida cotidiana. Além disso, o dinâmico e vital despertar do eu maior permite que cada indivíduo sinta tanto a vida como a morte com igual alegria”.

Nossa vida no mundo do estado de buda não é dirigida pelo nosso carma, mas por nosso juramento, nosso senso de missão. Somos fundamentalmente livres. Quando não estamos despertos para essa realidade ou quando nossa vida se torna desconectada desse juramento, levamos uma vida de “mortais comuns”, somos então regidos e sujeitos às vicissitudes do carma.



Fonte: Brasil Seikyo, Ed. 2377, 24 jun 2017/ Filosofia da Esperança


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