Qual o valor podemos criar em nossas vidas após perdermos alguém que amamos?
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Qual o valor podemos criar em nossas vidas após perdermos alguém que amamos?

A raiz do budismo surgiu da busca sobre o sofrimento da morte

Talvez não haja sofrimento maior do que se separar de um ente querido pela morte. E, embora saibamos com absoluta certeza que nosso tempo aqui é limitado e que ninguém pode escapar da impermanência da vida, isso não ajuda a nos preparar para o choque da morte ou para aceitar nossa própria inevitável separação deste mundo.


O budismo ensina que não devemos fugir da realidade da morte, mas enfrentá-la diretamente. Nossa cultura contemporânea tem sido descrita como uma que procura evitar e até negar a questão fundamental 
da nossa mortalidade. No entanto, é a percepção da
 morte que nos obriga a examinar a vida e procurar viver significativamente. A morte nos capacita a ver a vida como um tesouro e nos desperta para a preciosidade de cada momento compartilhado. Na luta para desafiar a tristeza da morte, podemos desenvolver um radiante tesouro de coragem nas profundezas do nosso ser. Por meio dessa luta, nós nos tornamos mais conscientes da dignidade da vida e mais capazes de sentir empatia com o sofrimento das pessoas.


Da perspectiva budista, vida e morte são duas fases de um continuum. A vida não começa no nascimento nem termina na morte. Tudo no universo, desde micróbios invisíveis no ar que respiramos até grandes galáxias espirais, passa por essas fases. Nossa vida individual é parte deste grande ritmo cósmico.


Tudo no universo e tudo o que acontece são partes da vasta teia viva de interconexões. A energia vibrante que flui por todo o universo, e que chamamos de vida, não tem começo nem fim. A vida é um processo contínuo e dinâmico de mudança.


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A beleza da vida deriva da grande diversidade de sua expressão. Da mesma forma, na sociedade humana, a natureza diversa das nossas lutas e vitórias, a grande variedade de possibilidades que permitem que nossa vida tome forma e chegue ao fim, nossa vida curta ou longa, tudo isso, à luz triunfante de nossa natureza de buda, se revela como significativo e valioso quando vencemos os sofrimentos.


As questões fundamentais da vida e da morte são, no final, uma questão de teoria e crença. O que importa é como vivemos, a nossa consciência da preciosidade
 da vida e o valor que somos capazes de criar durante 
uma experiência que passa, de acordo com o clássico chinês Compêndio das Dezoito Histórias, que registra as seguintes palavras do imperador T’ai-tsu (928­—976) da dinastia Sung: “A vida é como a passagem de um potro branco visto por uma fenda na parede.”(BS, ed. 1.826, 10 jan. 2006, p. A6). A maioria de nós tende a imaginar que sempre haverá outra oportunidade
 de encontrar e conversar
 com nossos amigos ou parentes novamente, por
isso não importa se algumas coisas ficam por dizer. Mas viver plenamente e sem arrependimento é dar-se aos outros ao máximo, trazendo todo o seu ser para o momento presente, com o sentimento de que pode ser o último encontro.


A visão do Sutra do Lótus sobre a vida e a morte é tal 
que continuamente traz nossa consciência àqueles com quem compartilhamos esta vida, exortando a nos desenvolver de forma rica e contributiva. Quando agimos em prol da felicidade dos outros, sentimos uma energia renovada e um senso de conexão com nossa essência mais profunda.
 À medida que persistimos nesses esforços ao longo do tempo, nossa vida adquire um crescente sentimento de expansividade e força. Dessa forma, extraímos os aspectos mais positivos da nossa humanidade e criamos uma existência de valor junto com as pessoas.


Fonte: Brasil Seikyo, Ed. 2377, 24 jun 2017/ Filosofia da Esperança


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