Teoria dos dez mundos no Exame de Budismo
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Teoria dos dez mundos no Exame de Budismo

Confira o resumo das matérias do Exame de Budismo para Admissão 2016

Os dez mundos, também conhecidos como dez estados da vida, compõem a base da filosofia de vida elucidada pelo Budismo de Nichiren Daishonin. É uma teoria profunda e prática que esclarece com simplicidade as complicadas questões da vida.

Os ensinamentos budistas, exceto o Sutra do Lótus, pregavam que os dez mundos eram cada qual estados de vida fixos e imutáveis.

Todavia, o Sutra do Lótus apresentou uma visão fundamentalmente diferente ao elucidar que os seres dos nove mundos, do inferno ao do bodisatva, isto é, dos dez mundos exceto o dos budas, possuem inerentes o mundo do buda; elucidou, também, que o Buda que alcançou a iluminação continha em seu interior os demais nove mundos. Assim, revelou que os dez mundos não são, cada qual, um mundo físico fixo e distinto, mas, sim, condições que se encontram inerentes a cada vida. O princípio que indica a existência dos dez mundos em cada um dos dez mundos é chamado de “possessão mútua dos dez mundos”.

Nichiren Daishonin afirma que: “Nem a terra pura nem o inferno existem fora de nós, ambos se encontram apenas em nosso coração. Aquele que desperta para isso é chamado de buda, e aquele que ignora é chamado de mortal comum” (O Inferno é a Terra da Luz Tranquila, CEND, v. I, p. 477).

O pensamento de que os dez mundos são todos inerentes à vida leva à conclusão de que mesmo um estado de vida de sofrimento do inferno pode ser transformado para uma condição de plena felicidade – o estado de buda.

Com base nessa frase dos escritos, vamos descrever cada um dos seis caminhos.



Originalmente, inferno possui o significado de “prisão debaixo da terra”. Os sutras budistas descrevem vários tipos de inferno, como os “oito infernos escaldantes” e “oito infernos gelados”.

O mundo do inferno representa a mais baixa condição de vida, o estado de inferno, de extremo sofrimento em que a pessoa se sente sem liberdade.


O mundo dos espíritos famintos indica a condição de vida, do estado de fome, caracterizada pela obsessão de realizar os desejos e pela incapacidade de satisfazê-los. Em sua origem na Índia Antiga, “espírito faminto” indicava os mortos.

Naturalmente, em termos de desejos, há duas faces, uma do bem e a outra do mal. Por exemplo, o ser humano não poderá sobreviver se não houver o desejo por alimentação. Há também diversas situações em que o desejo promove o progresso e o desenvolvimento das pessoas. O mundo dos espíritos famintos indica uma condição de vida, de estado de fome, em que não se consegue direcionar os desejos rumo ao próprio desenvolvimento, mas, ao contrário, a pessoa acaba se tornando escrava desses mesmos desejos, causando sofrimentos para si mesma.


O que caracteriza o mundo dos animais é a ausência da razão e a busca somente por interesses imediatos. Portanto, o mundo dos animais indica uma condição de vida, o estado de animalidade, em que as pessoas são conduzidas unicamente por seus instintos, sem conseguir discernir o certo do errado. O critério de suas ações é se aproveitar dos mais fracos e bajular os mais fortes. Não conseguem visualizar o futuro e ficam presas somente às coisas imediatas e, no final, destroem a si mesmas.

Os mundos do inferno, dos espíritos famintos e dos animais representam condições de vida de terrível agonia e, portanto, conhecidos como “três maus caminhos”.


Originalmente, asura referia-se a um demônio da mitologia da Índia antiga descrito como beligerante e hostil por natureza. O mundo dos asura representa a condição de vida no estado de ira que se caracteriza pelo constante e desenfreado desejo de superar os outros. Assim, quando uma pessoa no estado de ira se defronta com alguém que considera inferior, ela manifesta arrogância e menospreza o outro.

No mundo dos asura, diferentemente dos três maus caminhos do inferno, fome e animalidade em que a pessoa é completamente dominada pelos desejos fundamentais dos três venenos da avareza, ira e estupidez, ela possui consciência dos seus atos, mas é baseada num forte sentimento de egoísmo.

Por essa razão, o mundo dos asura, junto com os três maus caminhos, formam as “quatro tendências maléficas” ou os “quatro maus caminhos”.


O mundo dos seres humanos representa uma condição de vida denominada de estado de tranquilidade ou de humanidade em que a pessoa manifesta paz e serenidade como um verdadeiro ser humano. No entanto, não se consegue manter essa condição de vida digna de um ser humano sem esforço. Na realidade, em meio a circunstâncias altamente negativas, é extremamente difícil, se não impossível, viver dignamente como ser humano se não houver um esforço permanente visando ao progresso de si mesmo.

Esse estado contém em si o perigo de a pessoa, num instante, cair nos maus caminhos, ao mesmo tempo em que possui o potencial para avançar para os quatro nobres mundos com a dedicação na prática budista.


Originalmente, o mundo dos seres celestiais indicava um local, nos céus, onde se acreditava residirem deuses com poderes sobre humanos. Na Índia antiga, acreditava-se que as pessoas de boas ações na vida presente nasceriam na próxima existência nos céus. No Budismo de Nichiren Daishonin, esse “mundo dos seres celestiais” indica a condição de vida, chamada de estado de alegria, que se caracteriza pelo contentamento oriundo da concretização dos desejos resultado de esforços.

Todavia, a alegria deste estado é efêmera e desaparece com o passar do tempo ou com a mudança das circunstâncias.


Os seis caminhos – do mundo do inferno ao mundo dos seres celestiais – indicam estados de vida em que as pessoas são arrastadas pelas influências externas. Portanto, as pessoas são dependentes das circunstâncias externas, privadas da verdadeira liberdade e de independência.

O objetivo da prática budista é o de edificar uma condição de felicidade com total independência dos fatores externos, ultrapassando os estados dos seis caminhos. A condição de vida iluminada que se conquista por meio do exercício budista é denominada de quatro nobres mundos – dos ouvintes da voz, dos que despertaram para a causa, dos bodisatvas e dos budas.


O mundo dos ouvintes da voz e o mundo dos que despertaram para a causa são conhecidos como dois veículos. O mundo dos ouvintes da voz corresponde a uma condição de vida, o estado de erudição, de iluminação parcial alcançada ouvindo os ensinamentos do Buda.

Mas, mesmo reconhecendo a grandiosidade do estado de vida do Buda, acaba se restringindo à percepção parcial alcançada, sem acreditar na possibilidade da iluminação, se fechando num sentimento egoístico e não se empenham em beneficiar as outras pessoas.


O que caracteriza a condição de vida do bodisatva é o espírito de procura ao mais elevado estado de vida do Buda, ao mesmo tempo em que se empenha pelo bem de outras pessoas, compartilhando os benefícios conquistados por meio da prática budista.

Enquanto as pessoas nos dois veículos se fecham em um coração egocêntrico, satisfeitas com a percepção parcial alcançada, na condição de vida do bodisatva predomina a ação em prol da Lei e das pessoas, com forte senso de missão.


O mundo dos budas corresponde à mais digna e respeitável condição de vida personificada pelo Buda. A palavra “buda” significa “iluminado” e indica alguém que despertou e alcançou a percepção da Lei Mística como a lei fundamental da vida e do universo.

Em termos contemporâneos, podemos dizer que a condição de vida do estado de buda é a da “felicidade absoluta”, que não é influenciada por nada.

Com o propósito de salvar todas as pessoas dos Últimos Dias da Lei, Nichiren Daishonin manifestou a mais nobre condição de vida do mundo dos budas em sua própria vida de ser humano comum, estabelecendo assim o caminho do mundo dos budas para todos. Por essa razão, Daishonin é o Buda dos Últimos Dias da Lei.



Fonte: Os Fundamentos do Budismo de Nichiren

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