Transforme o ciclo de sofrimento em missão
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Transforme o ciclo de sofrimento em missão

Manifestar a natureza de buda faz romper a negatividade da vida

Tradicionalmente, o budismo oferece dois amplos caminhos para se compreender a duração da vida de uma pessoa. Um deles diz que tudo em nossa vida, do nascimento
à morte, é determinado pelo carma, os efeitos de causas feitas em vidas passadas e até o momento presente. Um caminho virtuoso de vida teria criado as causas para ter nascido em circunstâncias favoráveis e desfrutar uma vida longa. Por outro lado, ações destrutivas e prejudiciais diminuem a vitalidade da pessoa, reduzindo o tempo que ela pode aproveitar a vida como ser humano.


Em muitas tradições budistas, como o fato de nascer neste mundo impuro já é considerado uma forma de sofrimento, o objetivo passa a ser o de purificar a vida e o carma de uma pessoa para que possa escapar completamente do ciclo de vida e morte.


De outra perspectiva, entretanto, a alegria genuína não reside simplesmente em ser capaz de evitar o próprio sofrimento, mas em libertar os outros de seus sofrimentos. Em outras palavras, o maior valor na vida
é desejar viver e trabalhar em benefício das pessoas. O budismo chama esse desejo de juramento de bodisatva e é essa motivação que determina a natureza e o curso de nossa existência.


O ponto central é o juramento

O juramento de bodisatva pode ser descrito como o ímpeto original de nossa vida. A prática budista é uma maneira de “recordar” esse juramento, e gravá-lo ainda mais profundamente em nosso coração. O capítulo Revelação da Vida Eterna do Buda, do Sutra do Lótus, cujas partes são recitadas diariamente pelos membros da SGI em todo o mundo, esclarece que a natureza de buda — a lei universal, ou a natureza do Darma, para a qual o buda despertou — é inerente à vida de todas as pessoas. Essa natureza de buda é a essência da vida, e despertar para ela é despertar para o aspecto eterno de nossa própria existência.


Dessa perspectiva, nossa essência original é pura e imaculada, mas voluntariamente assumimos um carma negativo, escolhendo nascer em circunstâncias negativas ou com vários desafios físicos ou psicológicos para dar esperança aos outros ao triunfarmos sobre essas situações adversas. Mostrando a prova do poder inerente de nossa humanidade para superar o sofrimento, abrimos caminho para outros fazerem o mesmo. Somos capazes de apoiar verdadeiramente as pessoas que sofrem com dificuldades similares. A cada nova vida, despertamos para nosso juramento original e abraçamos alegremente quaisquer desafios que nos apresentam.


Esse despertar transforma nossa experiência de vida de um ciclo de sofrimento para um ciclo de missão. De acordo com essa compreensão, mesmo uma vida curta pode criar valor duradouro na vida daqueles com quem está conectada. Uma criança que morre cedo, por exemplo, pode inspirar seus pais a pensar mais profundamente sobre a natureza da vida fazendo com que vivam de forma mais significativa.


Não é simplesmente a duração de uma existência que determina o valor da vida de uma pessoa, mas a medida de quanto somos capazes de criar valor positivo, aumentando a nossa própria felicidade e a dos outros.


Base sólida, senso de missão

Mais que uma crença ou compreensão intelectual, o despertar para a natureza eterna de nossa vida é percebido como um senso profundo de confiança diante dos desafios constantes e inevitáveis da existência. Esse conhecimento não nos afasta das difíceis realidades de viver e morrer, mas nos capacita a confrontá- las com coragem e confiança. Como Daishonin descreve, somos capazes de repetir o ciclo de vida e
morte seguros sobre a “terra” de nossa natureza intrínseca iluminada. A crença na natureza eterna de nossa vida não diminui a importância de nossa presente existência, que o budismo considera como infinitamente preciosa.


O Budismo de Nichiren Daishonin ensina que devemos nos esforçar para viver o máximo possível, pois cada dia apresenta amplas oportunidades para prosseguirmos numa nobre e contributiva forma de viver. Quando vivemos com dedicação a esse ideal é que somos capazes de trazer o brilho de nossa humanidade, estender nossa vida e desfrutar uma existência mais plena e significativa.


Fonte: Brasil Seikyo, ed. 2.375, 10 jun. 2017, p. A3
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