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Você acredita em seu talento?

Entenda o princípio “três mil mundos num único momento da vida” e transforme a tudo!

A vida de cada pessoa contém infinito potencial; este é o princípio essencial do Budismo de Nichiren Daishonin. Embora seja fácil aceitar isso teoricamente, a verdade é que temos a tendência a colocar limites em nossas possibilidades. De certa maneira, deixamos que essas limitações perceptíveis ou inconscientes definam nossa vida, ou seja, consigo fazer isto, mas não aquilo. Conseguimos viver de maneira bem confortável dentro desses limites que impomos a nós mesmos, porém, quando nos deparamos com um problema ou desafio e sentimos que não temos a capacidade ou recursos espirituais para superá-lo, acabamos sofrendo. Sentimo-nos indefesos ou desamparados, com medo.


A prática budista nos permite extrair inesgotáveis reservas internas de coragem, esperança e resiliência para superar os desafios e expandir nossa vida e ajudarmos outras pessoas a fazer o mesmo. O “estado de buda” descreve essa condição de vida dinâmica e compassiva e o Buda é aquele que estabeleceu firmemente essa condição como sua realidade predominante. A maioria das pessoas, no entanto, não tem consciência dessa possibilidade ou de como concretizá-la.


O erudito budista Tiantai (538–597), que viveu no século 6, desenvolveu uma prática meditativa que permite às pessoas perceberem a ilimitada extensão de sua vida a cada momento. Ele também apresentou o princípio, o qual chamou de “três mil mundos num único momento da vida” (ichinen sanzen). Tal princípio mostra que o mundo dos fenômenos inteiro existe num único momento da vida.


Tiantai chegou aos três mil fazendo o seguinte cálculo: 10 mundos ou possíveis condições de vida, e cada uma contém 10 mundos (10 x 10) x 10 fatores x 3 domínios da existência.


O que são os dez mundos, dez fatores e três domínios?

Em ordem ascendente, os dez mundos são: 1) mundo do inferno; 2) mundo dos espíritos famintos; 3) mundo dos animais; 4) mundo dos asura; 5) mundo dos seres humanos; 6) mundo dos seres celestiais; 7) mundo dos ouvintes da voz; 8) mundo dos que despertaram para a causa; 9) mundo dos bodisatvas; e 10) mundo dos budas.


Originalmente, os dez mundos eram vistos como locais fisicamente distintos, cada um deles habitado pelos respectivos seres. Entretanto, o Sutra do Lótus ensina que cada um dos dez mundos contém inerentemente todos os dez. Com base nessa perspectiva, o conceito de dez mundos pode ser interpretado como estados de vida potenciais existentes em cada ser, ou seja, dez condições ou estados de vida que toda pessoa pode manifestar ou experimentar a qualquer momento. Assim, os dez mundos correspondem, respectivamente, aos estados de: 1) inferno; 2) fome; 3) animalidade; 4) ira; 5) tranquilidade ou humanidade; 6) alegria; 7) erudição; 8) autorrealização; 9) bodisatva; e 10) buda.


Embora os dez mundos descrevam as diferenças existentes entre pessoa e fenômeno, por sua vez, os dez fatores descrevem os elementos comuns a todas as coisas. Os três primeiros são (1) aparência (aquilo que pode ser visto), (2) natureza (a disposição inerente, que não pode ser vista) e (3) entidade (a essência da vida que permeia e integra aparência e natureza). Os seis fatores seguintes explicam de que forma nossa vida interage com as outras e com o ambiente que nos rodeia. (4) Poder é a energia possível e (5) influência é quando essa energia inerente é ativada. (6) Causa interna, (7) relação, (8) efeito latente e (9) efeito manifesto descrevem os mecanismos de causa e efeito; a lei da causalidade à qual tudo está sujeito: causas internas latentes da vida de uma pessoa (positivas, negativas ou neutras) por meio da relação com várias condições, produzem efeitos manifestos, bem como efeitos latentes que se manifestarão com o tempo.


Causalidade

Fazendo uma analogia simples, a causa interna pode ser comparada ao sedimento no fundo de um copo d’água e a relação à colher que mexe a água. O efeito é a turvação da água. Sem a causa interna do sedimento, por mais que mexa a água, ela não ficará turva. Um comentário ou incidente pode levar uma pessoa à fúria ou a se afundar na injúria, ao mesmo tempo que em outra pessoa esse mesmo estímulo externo não causa nenhum efeito.


O décimo fator, consistência do início ao fim, significa que os dez fatores são compatíveis com cada um dos Dez Mundos. Ou seja, o mundo do inferno tem a aparência, a natureza, a essência, o efeito manifesto etc. de inferno, e todos são diferentes para os demais mundos.


Os “três domínios da existência” são (1) domínio dos cinco componentes — forma, percepção, concepção, volição e consciência — que constituem um ser vivo; (2) domínio dos seres vivos; e (3) domínio do meio ambiente. Em termos simplificados, esses domínios poderiam ser considerados, do ponto de vista de um ser humano, a pessoa, a sociedade e o ambiente.


Tiantai extraiu o ichinen sanzen de princípios elucidados no Sutra de Lótus, escritura budista que consiste no fundamento do Budismo Nichiren praticado pelos membros da SGI. Nichiren Daishonin (1222–1282) descreveu ichinen sanzen como “o coração e a essência dos ensinamentos estabelecidos pelo Buda no curso de sua existência”. É o princípio fundamental do Budismo Nichiren.


Essa estrutura é um tipo de mapa da nossa relação com o mundo, mostrando-nos que a vida não é fixa e sim fluida e que nossa percepção das coisas pode mudar a cada momento. Para alguém que se encontra num estado depressivo do inferno, o mundo parece sufocante, obscuro e sem esperança. Os problemas são esmagadores e paralisantes. Passado, presente e futuro parecem lúgubres. Porém, uma pequena mudança em nossa percepção, um raio de esperança, uma palavra de incentivo ou uma resposta podem transformar instantaneamente tudo.


Mudança instantânea

Quando nossa perspectiva muda, até o mundo parece diferente. Quando acreditamos no potencial para a mudança em cada momento, quando começamos a ter fé em nosso estado de buda, o significado que descobrimos nas coisas ao nosso redor muda.


Embora isso possa soar simples demais, pode ser muito difícil mudar nossa perspectiva fundamental. Tiantai desenvolveu uma prática de meditação profunda, mas notoriamente difícil envolvendo a teoria de ichinen sanzen a fim de possibilitar que as pessoas percebam seu estado de buda. Seiscentos anos depois, com base na teoria de Tiantai e nos princípios do Sutra do Lótus, Daishonin desenvolveu uma prática simples e eficaz que pode ser realizada por qualquer pessoa e em qualquer situação.


A prática desenvolvida por Nichiren Daishonin de recitação do Nam-myoho-renge-kyo com fé́ em nossa natureza de buda inerente manifesta os princípios de ichinen sanzen na vida do praticante. Mais do que permitir que alguém enxergue as coisas de uma perspectiva diferente, seu ensinamento ressalta nossa capacidade de transformar o mundo de forma positiva em benefício próprio e das outras pessoas.


Nichiren Daishonin expressa a realidade de ichinen sanzen nos seguintes termos: “A vida em cada momento abarca o corpo, a mente, o sujeito e o meio ambiente dos seres sensíveis nos dez mundos. Também abrange os seres insensíveis nos três mil mundos, incluindo as plantas, o céu, a terra e até as minúsculas partículas de pó́. A vida em cada momento permeia todos os fenômenos e é revelada neles. Despertar para este princípio corresponde à relação mútua e inclusiva de um único momento da vida e todos os fenômenos”.


O poder da crença

Devido à profunda inter-relação entre nossa vida e todos os fenômenos a cada instante, uma mudança no íntimo de nossa vida influencia todas as coisas e faz que nosso ambiente ou circunstâncias mudem, transformando assim o próprio mundo. O presidente da SGI, Dr. Daisaku Ikeda, escreveu: “O poder da crença, o poder do pensamento, direciona a realidade para aquilo que acreditamos ser realidade”. Nossa firme determinação ou oração permeia todo o mundo dos fenômenos, e sua influência se manifesta com mais vigor quando entramos em ação.


A prática desenvolvida por Nichiren Daishonin e realizada na SGI incentiva as pessoas a se empenhar incessantemente para manifestar o ilimitado potencial que existe em sua própria vida, a enfrentar e vencer os obstáculos à felicidade tanto dentro si mesmas quanto na sociedade, e, com isso, começando onde estão agora, a transformar o mundo num lugar melhor.


Fonte: Brasil Seikyo, ed. 2.367, 15 abr. 2017, p. A3
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