6 pontos para a criação e a educação dos filhos
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6 pontos para a criação e a educação dos filhos

Extraído do discurso proferido em uma conferência de representantes da SGI em Miami, Flórida, em 3 de fevereiro de 1993.

Agora, gostaria de falar sobre como criamos e educamos as crianças, compartilhando alguns pontos que tenho em mente. Observei várias famílias e vivi muitas situações, e o que apresento são minhas conclusões. Ficarei muito mais feliz se elas tiverem alguma utilidade para vocês.


Em primeiro lugar, os integrantes da Divisão dos Estudantes devem fazer do estudo sua principal atenção. Nem é preciso dizer que a fé é fundamental, mas é algo que praticamos por toda a vida. Há uma idade e fase da vida em que se deve estudar. E se não houver um empenho árduo nessa época, a pessoa poderá deixar de adquirir aptidões e conhecimento imprescindíveis e vir, mais tarde, a se arrepender profundamente.

A fé se manifesta na vida diária. Para os membros da Divisão dos Estudantes, a fé se expressa em seus estudos. Mesmo que às vezes seus filhos não consigam fazer o gongyo, não há razão para que vocês, como pais, fiquem preocupados ou aflitos por causa disso. Há ocasiões em que simplesmente recitar o Nam-myoho-renge-kyo três vezes é suficiente.

O principal é que eles continuem praticando. É importante estimular nas crianças o espírito de se manterem conectados ao Gohonzon e à SGI por toda a vida. Está bem se eles progredirem na fé e na prática pouco a pouco. Os pais devem ser tolerantes sobre essa questão. Devem até mesmo tranquilizar a criança que está ocupada estudando, dizendo: “Não se preocupe, hoje farei o gongyo por você”.


Por mais atarefados que estejam, façam um esforço para estar com os filhos e conversar com eles. A quantidade de tempo não é relevante. O mais importante é usarem a sabedoria.

Ainda que seja apenas um breve encontro, abracem e tenham contato com seus filhos quando os virem. Criem laços com eles, conversem e tentem arranjar tempo para ouvir o que têm a dizer. Contanto que tenham amor e compaixão, encontrarão sabedoria para fazer o que é certo. A fé se manifesta como sabedoria. O propósito da nossa fé é nos tornar sábios para que possamos viver de maneira sábia.

Mesmo que falemos sobre nosso compromisso de ajudar os outros, nossas palavras cairão no vazio se não formos capazes de nos comunicar genuinamente com nossos filhos ou de construir famílias fortes e felizes.


Sempre se lembrem de que uma criança é um ser humano, um indivíduo com uma personalidade distinta. As crianças podem, às vezes, ter a percepção mais aguçada do que os adultos. Por isso, precisamos ter cuidado com a maneira como nos comportamos diante delas. Os pais devem, por exemplo, evitar discutir na frente dos filhos. Se precisarem discutir, façam isso num local onde elas não possam vê-los (risos). As crianças ficam tristes quando seus pais brigam. Vão para a escola com o coração pesado e não se esquecem do incidente por um longo tempo.

Segundo um psicólogo, quando as crianças presenciam os pais brigando, muitas vezes ficam profundamente abaladas, sentindo medo e ansiedade, como se o chão debaixo delas tivesse cedido. Altas árvores crescem num solo firme e seguro. Proporcionem a seus filhos um lar em que possam gozar de tranquilidade e paz de espírito.


Os filhos tendem a se rebelar quando são advertidos pelo pai, embora provavelmente ouçam a repreensão da mãe. O pior é o pai e a mãe se juntarem para repreender a criança ao mesmo tempo. Isso a deixa sem ter a quem recorrer.

Com relação à repreensão dos pais aos filhos, o presidente Toda observou: “Quando o pai fica irado, ele afasta os filhos. Porém, mesmo que a mãe fique zangada, as crianças permanecem próximas a ela”.

Essa sabedoria se baseia na compreensão sobre o comportamento e a psicologia humana. Logicamente, sempre existem diferenças entre culturas e entre cada família, mas espero que essas observações possam ser úteis para vocês.


Os pais devem ser justos. Jamais devem favorecer uma criança em detrimento de outra por ela ser mais esperta, mais bonita ou de alguma forma mais habilidosa. Um único comentário impensado dos pais muitas vezes pode machucar a criança e incutir nela um sentimento de inferioridade.

Acompanhe seus filhos com muito carinho e encoraje-os. Descubra e elogie seus pontos fortes, edificando a confiança deles. Torne-se um aliado infalível deles, estenda-lhes apoio, envolva-os com abundante amor e acreditem totalmente no seu potencial. Respeite a individualidade de cada criança. Esse é o papel dos pais.

Nossa sociedade e nossas escolas operam sob o princípio insensível da competição, julgando e selecionando pessoas por suas habilidades e aparência. Por esse motivo, torna-se ainda mais importante que a família seja um lugar de justiça e igualdade, em que todos sejam valorizados como um indivíduo único e insubstituível.


Por fim, para educar as crianças para que elas se tornem excelentes adultos, os pais precisam estar em forte sintonia com os filhos e crescer com eles, avançando em uníssono.

Como membros da SGI, dedicamos a nossa vida em prol da Lei e da felicidade do próximo. Nossa existência não é egocêntrica. Em decorrência disso, podemos ser mais ocupados do que os outros e talvez não tenhamos muito tempo para relaxar com a família, como gostaríamos.

Nosso modo de vida é o mais nobre de todos. Devemos nos certificar de que nossos filhos entendam e respeitem nossas crenças, nosso modo de viver e nossa dedicação. É um erro presumir que eles, de alguma forma, saberão que os amamos ou que entenderão nosso compromisso com o kosen-rufu por si próprios, sem que tenhamos que dizer nada. Precisamos fazer esforços conscientes para verbalizar e externar nossos pensamentos e sentimentos para eles — e fazer isso de maneira sábia e descontraída, sem pressioná-los. Encontrar sabedoria para essa tarefa é uma expressão de nossa fé.



Fonte: BS, ed. 2.307, 23 jan. 2016, p. B2

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