A arte de fazer amizades duradouras
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A arte de fazer amizades duradouras

Josei Toda era flexível e compreensivo com as pessoas, tolerante com os conceitos e costumes da sociedade e com natureza humana

Foi no dia 2 de abril [1958] que meu querido mestre faleceu.


Ele foi um grande líder budista, e tinha amplo círculo de amigos e de conhecidos. Como eu o assistia, frequentemente precisava manter contato com essas pessoas em seu lugar, tarefa que para mim era uma grande honra. Entre seus amigos estava um brilhante erudito religioso, que na época era professor adjunto da Universidade de Tóquio. Mais tarde, ele se tornou professor titular e presidente da Associação Japonesa para Estudos Religiosos.


Na primavera de 1959, um ano depois do falecimento de Toda sensei, esse erudito escreveu um artigo que foi publicado no Seikyo Shimbun, o jornal da Soka Gakkai, na edição de 10 de abril. Em seu texto, ele compartilha as recordações vividas com o amigo falecido. Disse que, quando estava para iniciar uma viagem de pesquisa, o Sr. Toda lhe presenteou com um exemplar do seu romance Revolução Humana (escrito com pseudônimo de Myo Goku). Ao abrir o livro, encontrou na contracapa um poema que o autor havia lhe dedicado:


Tu partes e eu oro de coração por tua boaventura e felicidade. Que poema cheio de afeto, votos de felicidade e boa sorte para o amigo que partia!

Dissipando equívocos

Eles se encontraram pela primeira vez no final de novembro de 1954. O Sr. Toda mantinha diálogos com dois eruditos em religião na sede da Soka Gakkai, e um deles era seu amigo. O teor dos diálogos foi logo divulgado no programa de rádio Shukyo no Jokan [A Hora da Religião] da NHK (corporação japonesa de radiodifusão). Josei Toda explicara o papel da Soka Gakkai de forma clara e direta. Eu estive presente nessa ocasião. Seu futuro amigo, dez anos mais jovem que ele, até então tinha uma imagem negativa da organização. Porém, Toda sensei dissipou suas dúvidas e acabou com os equívocos com muita paciência. Desse dia em diante, eles sempre mantiveram contato. Mais tarde, visitei esse professor na Universidade de Tóquio, onde os integrantes da Divisão dos Estudantes (DE) da Soka Gakkai e eu participamos de diálogos filosóficos e religiosos. É com muito carinho que me recordo desses momentos.


Gostaria de partilhar um pouco mais das recordações desse erudito, tal como foram publicadas no Seikyo Shimbun: Meu papel com relação à religião é ser um observador objetivo, e não posso me envolver demais com nenhuma organização dessa natureza. Mas a relação que tive com o presidente Josei Toda transcende quaisquer questões religiosas. Estou seguro de que até mesmo os difamadores da Soka Gakkai teriam sido conquistados pelo Sr. Toda, caso se encontrassem com ele.


Ele ainda escreveu em seu artigo: “Certa ocasião, o Sr. Toda solicitou-me que atuasse como intermediário e preparasse uma reunião com pessoas que não simpatizavam com ele e com a Soka Gakkai. Infelizmente, nunca pude realizar isso”.


Como teria sido maravilhoso se eu tivesse conseguido atender seu pedido.


Cativar boas amizades

Toda sensei era intransigente com relação à sua fé. Porém, era notavelmente flexível e compreensivo com os demais, tolerante com os conceitos e costumes da sociedade e com natureza humana. Ele enxergava além do dogmatismo e fazia amizades sem distinções.


Com o tempo, esse erudito chegou a ser uma autoridade em seu campo de estudo e continuou nos oferecendo bons conselhos, sempre embasado em sua sábia compreensão da Soka Gakkai e de sua missão.


Também tenho dialogado com grandes personalidades do saber e da cultura. Venho fazendo isso tendo sempre em mente a nítida imagem do meu mestre, que era capaz de dialogar livre e persuasivamente com qualquer pessoa. Tenho conversado com muitos eruditos, como o professor emérito Bryan Wilson, da Universidade de Sofia, em Tóquio, Japão, Shin Anzai, com quem iniciei uma grande amizade. Ambos os eruditos possuíam uma visão sagaz e crítica da religião. Precisamente por isso, achei importante que conhecessem a verdade sobre a Soka Gakkai.


O budismo e a sociedade são unos

A grandiosa Soka Gakkai, cuja construção o Sr. Toda dedicou a própria vida, é uma fortaleza de consciência dedicada à felicidade e à paz no mundo. Soka Gakkai — uma fortaleza do povo. Nós que nos reunimos sob sua bandeira resplandecemos com o mais nobre espírito. O kosen-rufu é o processo de abraçar um amigo, e então outro, com essa luz radiante.


O budismo e a sociedade são unos. Não existem barreiras entre a Soka Gakkai e a cidadania como um todo. Não podemos permitir que se ergam barreiras entre um coração e outro. A amizade é a prova da nossa condição humana, e o budismo é o que nos permite desenvolver essa humanidade ao máximo. Por isso, é extremamente importante que dediquemos nossa vida ao florescimento de diálogos prazerosos que gerem valor, e que façamos com que o fruto da amizade cresça e amadureça.


Fonte: Brasil Seikyo, ed. 2.379, 15 jul. 2017, p. 41
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