A batalha contra a doença estimula a força espiritual invisível
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A batalha contra a doença estimula a força espiritual invisível

Discurso do presidente Ikeda extraído e adaptado do diálogo Kenko no Chie (A Sabedoria da Saúde) publicado em japonês em 1997.


No budismo, a doença — um dos quatro sofrimentos do nascimento, envelhecimento, doença e morte — é considerada um dos sofrimentos fundamentais que os seres humanos vivenciam. Em busca de soluções para as doenças, o budismo e a medicina compartilham de um objetivo comum. Ambos questionam o que é necessário para que as pessoas desfrutem de energia mental e bem-estar físico — ou seja, uma existência de plena realização.

Saúde não é simplesmente a ausência de doença. Uma vida verdadeiramente saudável é criativa; é uma vida em que continuamos a desafiar, criando algo e avançando para expandir nossos horizontes enquanto estamos vivos.

Meu venerado mestre Josei Toda, segundo presidente da Soka Gakkai, disse que as pessoas de hoje cometem dois erros básicos: elas confundem conhecimento com sabedoria e associam doença com morte.

Falando de forma geral, podemos dizer que a medicina combate a doença por meio do conhecimento. Por outro lado, o budismo desenvolve a sabedoria humana que traz o equilíbrio e fortalece nossa energia vital. Assim, usamos o conhecimento da medicina como uma ajuda no processo da nossa recuperação.

Portanto, ignorar ou rejeitar a medicina é tolice. Descartar a medicina embasado em razões religiosas nos leva ao fanatismo. Devemos fazer uso inteligente do conhecimento médico para vencer a doença e o budismo nos ajuda a manifestar a sabedoria para esse fim de maneira efetiva.

Sabedoria é essencial para a saúde e uma longa existência. É também um ingrediente vital para a felicidade. Se desejamos criar uma era em que as pessoas desfrutem de boa saúde, devemos primeiro criar uma era que seja fundamentada na sabedoria.


Em referência à relação entre doença e morte, a doença não necessariamente nos conduz à morte. Nichiren Daishonin diz: “Da doença surge a determinação para atingir o caminho”. Assim como ele afirma, a doença deve ser a razão para fazer um balanço, uma reflexão sobre a essência da vida e a maneira que vivemos. Por meio desses desafios, adquirimos uma compreensão mais profunda sobre a vida e estimulamos uma força espiritual invencível.

Eu era uma criança frágil. Tempos depois, sofri de tuberculose chegando a ser desenganado pelos médicos com o prognóstico de que não chegaria nem aos meus 30 anos. No entanto, aquela experiência me permitiu compreender os sentimentos daqueles que também tinham uma saúde debilitada; me fez prezar cada momento, a não desperdiçar um minuto sequer e a viver com todas as forças fazendo tudo o que estivesse ao meu alcance enquanto estiver vivo.

Há muitas pessoas com excelentes condições físicas, mas cuja vida não está na mesma condição. Por outro lado, há aquelas que enfrentam problemas de saúde, mas expressam uma condição de vida radiante. Enquanto estivermos vivos, estamos sujeitos a experimentar algum tipo de doença. Por essa razão, ter sabedoria para saber lidar com a doença é muito importante.



Fonte: BS, ed. 2.289, 29 ago. 2015

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