A determinação fortalece o coração e multiplica a força
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A determinação fortalece o coração e multiplica a força

Trechos do capítulo “Correr com toda Força”, volume 29 da Nova Revolução Humana

Para celebrar o Dia 18 de Novembro de 1978, Shin’ichi Yamamoto apresentou uma proposta comemorativa sobre “a época da localidade”.


Na parte principal, ele alertou que o mundo estava agora unificado, e dentre as questões, a destruição da natureza e do meio ambiente ultrapassou limites de país e localidade, e levou a influên­cias devastadoras em todo o planeta. Afirmou que era necessário reunir a sabedoria de cada país para rea­lizar pesquisas e discussões em escala global sobre a política para a sobrevivência da humanidade, visualizando planos concretos. Para isso, propôs a criação de uma “ONU Ambiental” como local de diálogo e decisões sobre esses assuntos.


Ele também se referiu à questão dos países desenvolvidos que vieram desfrutando do progresso alcançado com a utilização das ciências modernas e tecnologias, e sobre os países em desenvolvimento que não foram irrigados por esses benefícios e sofrem com a fome e a pobreza — ou seja, a questão norte-sul. E salientou que, para se projetar a harmonia entre os dois e a mútua prosperidade, os países desenvolvidos que se edificaram com o sacrifício dos países em desenvolvimento têm responsabilidade moral de tomarem para si os maiores riscos.


Disse ainda que o que veio edificando a cultura de consumo em massa que ocasionou a destruição ambiental foram os desejos sem fim das pessoas, sendo questão de suma importância, limitar e controlar esse querer.


“Para isso, quero declarar a importância da filosofia, que desenvolve essa sabedoria, e, em especial, a religião. Mudança de ‘material’ para ‘coração’, do materialismo para idea­lismo — não há uma época em que está sendo requisitado mais do que agora a visão de valor, tal como o escrito de Daishonin: ‘Mais valioso que o tesouro do cofre é o tesouro do corpo, e o tesouro do coração é o mais valioso de todos’ (GZ, p. 1173). Tenho a convicção de que, quando essa visão de valor se firmar no coração das pessoas, as grandes questões da humanidade, não importando as provações que surjam, avançarão na direção da solução, tal qual o desenroscar de uma linha embaraçada. Isso porque, ao considerarmos que a ‘destruição interior’ e a ‘destruição exterior’ estão intrinsecamente ligadas, a ‘harmonia interior’ sem falta atrairá a ‘harmonia exterior’.”


Esse foi o brado de Shin’ichi do ponto de vista budista.


Ao se basear na Lei fundamental da vida — o budismo — sem falta um novo caminho de criação para soluções das questões complexas e difíceis da humanidade se abrirá.


***


Na parte final da sua proposta, Shin’ichi Yamamoto discorreu sobre o movimento da Renascença, ocorrido na Europa entre os séculos 14 e 16.


“Pode-se dizer que Renascença foi uma revolucionária correnteza da época, em que o deus absoluto que dominava tudo foi levado para o interior do indivíduo. No entanto, apesar de a visão de mundo medieval centralizado na Igreja ter sido refutada e de se bradar pela liberdade da natureza humana, posterior a isso a autoridade externa diferente da dignidade do indivíduo tornou-se absoluta. E o fluxo da crença no progresso, sistema, capital, ciên­cia e poder nuclear atravessou­ séculos”.


Mas agora essa distorção alcançou o seu limite, e o senso de valor que se tinha até então ruiu rapidamente, fazendo surgir um grande vazio no interior e na forma de viver das pes­soas.


“A partir de agora, acredito que os princípios deverão ser de uma religião enraizada nas profundezas do coração das pes­soas. Do absolutismo da autoridade externa para uma época que prioriza a reforma interior do indivíduo. Esse é um caminho discreto e constante, e penso que não há como não se tornar a tendência da época, que deve ser também chamado de 2ª Renascença. Os protagonistas serão as pessoas do povo, e essa luta deve partir da transformação da própria vida de cada uma”.


Shin’ichi concluiu o texto mostrando que o caminho que tornará isso possível se encontra no Budismo de Nichiren Daishonin.


Ele estava resolutamente decidido que, em prol do século 21, seria necessário abrir um novo caminho de sobrevivência para a humanidade, descerrando para a sociedade e o mundo os princípios do budismo.


Nichiren Daishonin afirma em Estabelecer o Ensinamento Correto para a Pacificação da Terra: “Se o senhor se importa realmente com a segurança pessoal, deve primeiro orar pela paz e segurança nos quatro quadrantes da terra, não é verdade?” (CEND, v. I, p. 24). “Paz e segurança nos quatro quadrantes da terra” tem o significado de paz e prosperidade da sociedade e do mundo.


Se os religiosos fecharem os olhos para as questões da humanidade e darem as costas à sociedade, isso será abandonar a “salvação das pessoas”, que é a missão fundamental de uma religião. Lançar-se em meio à tempestuosa sociedade e lutar para libertar as pessoas do sofrimento são a atitude de um verdadeiro budista.


***


Shin’ichi Yamamoto afirmou na proposta que “ir ativamente em meio às pessoas desafortunadas que menos recebem atenção e dialogar” é a ação concreta de zelar por uma única pessoa, e ser “precursor da época da localidade”.


Ele também iniciou ações exatamente conforme estas palavras:


“A nova correnteza do kosen-rufu se encontra nas regiões distantes. Irei às localidades onde não consegui visitar muitas vezes e estarei com os companheiros que não pude ver até agora”.


O pai de Cuba, José Martí, também disse: “A verdadeira revolução está acontecendo nas regiões remotas”.


Em 21 de novembro, dois dias após a proposta comemorativa ter sido publicada no Seikyo Shinbun, Shin’ichi participou da reunião de líderes de Totsuka, realizada no Centro Cultural de Totsuka comemorando o 48º aniversário de fundação da Soka Gakkai. No dia seguinte, 22 de novembro, nesse local o Gongyokai do 1º aniversário do centro cultural foi realizado seis vezes. Desejando o grande avanço e vitória da província de Kanagawa, Shin’ichi dirigiu orientações depositando todo o seu sentimento. Foi o início de uma nova corrida com toda a força.


Nesse mesmo dia, na província de Gunma, foi promovida uma reunião de líderes representantes e anunciada a canção Sino do Kosen-rufu, composta por Shin’ichi.


Dez dias antes, os líderes de Gunma solicitaram a Shin’ichi a composição da música da província para uma nova partida da organização. No entanto, estava previsto para ele realizar orientação em Kansai, e em seguida as atividades comemorativas do 48º aniversário da Gakkai o aguardavam. Os líderes de Gunma pensavam: “Sensei irá compor a canção somente bem depois”.


Quando a reunião nacional de líderes comemorativa do Dia da Fundação da Soka Gakkai foi realizada em 18 de novembro no Centro Cultural de Arakawa, em Tóquio, foi entregue ao coordenador da província de Gunma, que participava da convenção, a letra da canção.


Durante a série de orientações em Kansai, nos escassos momentos de folga, Shin’ichi pensou na letra e, naquele mesmo dia, fez suas considerações, concluindo a música.


Ele empenhava esforços com obstinada determinação pensando: “É pelos companheiros”.


Este ichinen – determinação – fortalece o coração e multiplica a força.


Os companheiros de Gunma sentiram uma profunda emoção nessa rápida resposta de Shin’ichi. Essa alegria foi ainda maior justamente por terem recebido a letra no dia da fundação da Soka Gakkai.




Fonte:


Brasil Seikyo, ed. 2326, 04 jun. 2016, p. B4


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