Apreciar as diferenças e respeitar a individualidade
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Apreciar as diferenças e respeitar a individualidade

O espírito da filosofia humanística do Sutra do Lótus de prezar cada pessoa

Discurso do presidente Ikeda adaptado do diálogo A Sabedoria do Sutra do Lótus, v. 2, publicado em japonês em novembro de 1996.


O Sutra do Lótus é o maior registro da literatura sobre o budismo. Nele encontramos a parábola dos três tipos de ervas medicinais e os dois tipos de árvores, em que destaca a diversidade dos seres vivos. Trata-se da única parábola, entre as sete parábolas do sutra, a abordar esse tema. Ao mesmo tempo, destaca a natureza amplamente inclusiva da compaixão do Buda.


A compaixão do Buda é totalmente imparcial; ela não discrimina. O Buda vê todos como filhos e busca elevá-los ao mesmo estado de buda que ele atingiu.


Isso não quer dizer que não existam diferenças entre as pessoas, mas que o Buda não faz distinção entre elas. De fato, o Buda aprecia totalmente suas diferenças. Ele respeita a individualidade e deseja que sejam capazes de expressar sua singularidade de forma irrestrita.


As diferenças entre elas não são a razão para favorecer algumas e odiar outras. O Buda ama, se alegra e aciona a individualidade, essa é a compaixão e sabedoria do Buda.


É importante compreender que a pregação do Buda é pautada pelo reconhecimento da diversidade entre os seres humanos.


O Sutra do Lótus elucida os meios pelos quais indivíduos reais com suas específicas circunstâncias, personalidades e capacidades podem atingir a iluminação, e revela o caminho para se alcançar o estado de buda sem jamais se desviar da realidade da vida de cada um.


Prezar cada pessoa é a essência da filosofia centrada no ser humano — ou humanismo — do Sutra do Lótus; é o espírito do Buda. O objetivo fundamental do Sutra do Lótus de capacitar todas as pessoas a manifestar a iluminação também se inicia com o ato de prezar cada uma, e só pode ser concretizado quando se aplica tal conduta a todos os aspectos da nossa vida e dos nossos esforços.


É fácil falar de modo abstrato em amar ao próximo ou em amar a humanidade, mas pode ser um grande desafio ter amor ou compaixão por pessoas reais.


Um personagem de um romance de Dostoiévski tece a seguinte observação: “Quanto mais amo a humanidade em geral, menos amo as pessoas, em particular, como indivíduos”.2 E um personagem de outro de seus romances afirma: “No amor abstrato à humanidade, não se ama praticamente ninguém a não ser a si mesmo”.3


A Soka Gakkai, concentrando-se nos seres humanos reais, dedica-se a ajudar cada um a obter a felicidade absoluta. É um nobre legado cujo brilho resplandecerá intensamente na história da humanidade.




Fonte:


Brasil Seikyo, ed. 2360,  18 fev. 2016 - Encontro com o Mestre


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