“Budismo consiste em vencer”
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“Budismo consiste em vencer”

A prática e a vida diária constituem uma luta para se obter a vitória

Discurso do presidente Ikeda extraído do diálogo “O Mundo dos Escritos de Daishonin”, volume 3, publicado em japonês em março de 2005.


O preceito de que “budismo consiste em vencer” aparece ao longo de todos os escritos de Nichiren Daishonin. É expresso de várias maneiras diferentes, mas talvez de modo mais sucinto em O Herói do Mundo, uma carta endereçada a Shijo Kingo, na qual Daishonin escreve: “O budismo preocupa-se principalmente com a vitória ou a derrota”.

Citando essa passagem, o presidente fundador da Soka Gakkai [Tsunesaburo Makiguchi] afirmou que alcançar a prova real é a própria vida da religião.

Tanto o budismo como a vida são uma luta para se conquistar a vitória. Não seria exagero dizer que o budismo foi exposto para habilitar as pessoas a vencer a batalha mais fundamental da vida — a batalha entre a natureza de buda e as funções demoníacas. Ou derrotamos as funções demoníacas e atingimos o estado de buda ou somos vencidos por elas e vivemos uma vida de ilusão. Em última análise, o propósito da prática budista é consolidar a vitória nesse confronto crucial.


Esse modo de vida supremo enunciado pelo Budismo Nichiren concebe todos os aspectos da existência como uma série de batalhas que devem ser travadas e vencidas. Essa é a verdadeira realidade da existência. Para aqueles que assumem esse desafio, tudo que ocorre na vida, até mesmo os acontecimentos da sociedade, se tornam parte da prática budista. Em outras palavras, para eles, o preceito de que “budismo consiste em vencer” se aplica a tudo.

Daishonin afirma: “Um buda é respeitado como o herói do mundo”. Um “herói do mundo” é a pessoa que participa corajosamente da realidade da vida e da sociedade. Buda é aquele que combate intrepidamente as funções demoníacas e, manifestando a energia vital do mundo do estado de buda, conduz uma vida de ações corretas na sociedade.

O que Daishonin estava tentando dizer a Shijo Kingo, um de seus principais discípulos leigos, ao escrever que “o budismo se preocupa principalmente com a vitória ou a derrota” é que tentar se espelhar no modo de vida do buda, como um “herói do mundo”, qualifica a pessoa como genuína praticante budista.


Vencemos no nosso coração, na nossa mente.

Daishonin destaca que “budismo consiste em vencer” para dar ênfase à importância de se possuir força interior e coragem para enfrentar cada obstáculo e dificuldade que surgirem na vida. Se formos covardes, não conseguiremos suplantar as funções negativas em nossa própria vida ou na sociedade. Daishonin aponta: “Um covarde não pode ter nenhuma de suas orações atendidas”.

Esse é o poderoso incentivo de Daishonin para que seus discípulos não sejam vencidos pelos altos e baixos da vida nem sejam arruinados por influências negativas. Seu ensinamento de que “nada supera a estratégia do Sutra do Lótus” expressa a mesma ideia.

A fé no Sutra do Lótus não se constitui em teoria intelectual ou abstrata. Ela deve possibilitar que evidenciemos sabedoria para vencer na sociedade, no mundo real.


Com o coração do rei leão, Daishonin travou uma monumental batalha após outra, sagrando-se vitorioso todas as vezes. Essa determinação inabalável também ativa as forças protetoras do universo.

Numa imponente declaração de vitória, ele afirma: “É pelo fato de os deuses budistas terem vindo em meu auxílio que sobrevivi até mesmo à Perseguição de Tatsunokuchi e escapei em segurança de outras grandes perseguições”.

Nossa existência, nossa vida cotidiana e a sociedade se modificam constantemente. Cada mudança pode ser tanto para melhor como para pior; não há meio-termo. Por isso, é essencial que nossa fé, nossa religião, nos habilite a vencer.



Fonte: Brasil Seikyo, ed. 2.280, 20 jun. 2015, p. B2

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