Budismo e física quântica
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Budismo e física quântica

O Universo e os seres humanos, Ciência e religião, A eternidade da vida, O pacifismo budista e criação de uma civilização global são capítulos da obra

O livro Espaço e Vida Eterna explora alguns dos aspectos mais profundos da existência humana por meio da visão de mundo de Chandra Wickramasinghe e Daisaku Ikeda. Cada qual revela comparações interessantes entre princípios básicos da astronomia e do budismo. O livro tem cinco capítulos: O universo e os seres humanos, Ciência e religião, A eternidade da vida, O pacifismo budista e criação de uma civilização global. Confira um trecho do diálogo entre os autores em que eles conversam sobre física quântica.


Dr. Daisaku Ikeda: O senhor se importaria em dar uma breve explicação da exata diferença entre a mecânica quântica e a mecânica clássica?


Chandra Wickramasinghe: Os objetos na mecânica clássica podem ser comparados a coleções de pontos de massa, e cada ponto de massa se comporta de maneira mais eficaz como uma pequena bola de bilhar. Na mecânica quântica, as partículas elementares são representadas por “ondas”. No entanto, a possibilidade de as unidades subatômicas demonstrarem ou não as propriedades de ondas depende do método de observação. Em um experimento individual, os componentes do sistema quântico podem exibir o comportamento que, na mecânica clássica, é chamado de “partículas”, porém, em outro experimento, eles podem se comportar como ondas. Na teoria quântica, por exemplo, os elétrons agem como se fossem tanto partículas como ondas. Uma dicotomia semelhante ocorre quando examinamos a radiação eletromagnética ou a luz.


Ikeda: Pelo que eu entendo, cada partícula possui uma individualidade única e pode ser contada, ao passo que as ondas, em vez de serem independentes, interagem, fortalecendo ou enfraquecendo umas às outras. O fato mais intrigante é o de que os elétrons possuem as qualidades tanto das partículas quanto das ondas.

Wickramasinghe: Com certeza. É por isso que o determinismo da física clássica teve de ser, no final, abandonado e substituído por considerações probabilísticas. Quando interpretamos os fenômenos, não temos alternativas senão usar os termos partículas, ondas e outros empregados em mecânica clássica. Porém, isso envolve basicamente uma contradição de conceitos. Então, os termos permaneceram, mas a doutrina em que foram fundamentados, ou seja, o determinismo, foi alterada.


Ikeda: E o resultado foi o famoso princípio da incerteza de Heisenberg, certo?


Wickramasinghe: Sim. Esse princípio diz que para as partículas subatômicas, a posição e o impulso não podem ser determinados de forma precisa simultaneamente. Se a posição for fixa, o impulso é incerto dentro de determinados limites e vice-versa. A partir dos anos 1920, a teoria quântica avançou a passos largos, deixando a física clássica bem para trás.


Ikeda: É correto pensar em “impulso” como um indicativo da velocidade a que a matéria se move?


Wickramasinghe: Sim, creio que seja suficiente. Porém, mais precisamente, pela razão de a massa da matéria também influenciar o impulso, os objetos pesados, tais como aqueles que comumente encontramos ao nosso redor em nossa vida diária, não são afetados pela incerteza.


Fonte: Brasil Seikyo, ed. 2.125, 31 mar. 2012, p. A3
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Nota:

Você pode ler este diálogo na íntegra no livro Espaço e Vida Eterna, à venda na livraria Pearl (www.livrariapearl.com.br).

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