Charlie Chaplin
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Charlie Chaplin

O arco-íris é um presente dos céus. Ele surge e se estende por todo o céu depois da chuva como uma grande ponte, lançando a luz de suas sete cores: vermelho, laranja, amarelo, verde, azul, anil e violeta.

Tenho certeza de que vocês ficaram encantados quando viram um arco-íris pela primeira vez. Eu também tenho muitas recordações admirando diversos arco-íris com amigos do mundo todo.

No Havaí, o primeiro local que visitei fora do Japão, o arco-íris é comum. Há um ditado havaiano que diz: “Sem chuva, não há arco-íris”. Em outras palavras, coisas boas somente acontecem quando vencemos os obstáculos.

Arco-íris é sinal de esperança, pois representa a esperança de não ser derrotado pela chuva ou tempestade.

Os grandes nomes da humanidade ultrapassaram tempestades de dificuldades e espalharam o arco-íris da esperança pelo céu de sua missão. Por meio desta nova série, vamos aprender mais sobre esses indivíduos e a trajetória de sua vida.

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Em maio de 2013, recebi uma carta do Reino Unido, enviada pela atriz britânica Kiera Chaplin, neta do grande comediante e ator Charlie Chaplin.

Vocês sabem quem foi Charlie Chaplin?

Provavelmente já viram alguma foto dele. O personagem mais famoso interpretado por ele é Carlitos que usava um bigode curto e grosso, chapéu-coco preto, calças largas, sapatos gigantes e sempre andava balançando sua bengala. A imagem desse cavalheiro, simpático e sempre de bem com a vida, arrancava sorrisos e aquecia o coração das pessoas por onde passava. Ele foi um dos atores mais famosos do século 20.

Chaplin estrelou em mais de 80 filmes. Este ano [2014] marca o centésimo aniversário de sua estreia nos cinemas.

Eu também sou um grande fã de Charlie Chaplin. Por diversas vezes, falei sobre ele com meus amigos, louvando-o por seu amor à humanidade e por ter a coragem de se manter fiel e verdadeiro aos seus ideais.

Na carta endereçada a mim, Kiera Chaplin escreveu: “Tenho certeza que meu avô ficaria extremamente honrado ao saber que, mesmo de uma maneira sutil, ele o inspirou e, em retorno, você inspira muitos budistas em todo o globo terrestre”.

“Seja corajoso!” — que também é o lema dos integrantes da Divisão dos Estudantes Futuro da Soka Gakkai — é uma das mensagens de grande incentivo de seu filme Luzes da Cidade (1931).

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Charlie Chaplin nasceu em 16 de abril de 1889, em Londres. Seu pai, Charles, e sua mãe, Hannah, eram cantores talentosos. Charlie tinha um irmão mais velho, Sydney. Embora não tivesse estabilidade financeira, os quatros juntos formavam uma família feliz.

No entanto, o pai de Charlie começou a beber abusivamente e, tempos depois, abandonou a família. Hannah teve de sustentar sozinha os dois filhos e, talvez, esse esforço tenha prejudicado sua saúde.

Quando Charlie estava com 5 anos, sua mãe repentinamente perdeu a voz enquanto cantava no palco. A plateia ficou enfurecida e todos começaram a vaiar. Desesperado, o diretor de palco colocou o jovem Charlie para cantar no lugar da mãe. Ele, pensando em sua mãe, uniu coragem e foi ao palco. A plateia ficou encantada com a performance do adorável garoto. Foi a primeira aparição dele no palco.

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A voz da mãe de Chaplin não voltou e por isso ela nunca mais pode subir aos palcos como cantora. A situação familiar se tornou bem difícil, mas, não importando quão pobres fossem, ela era sempre carinhosa e radiante. Ela costurava as roupas dos filhos, dançava e fazia mímica para interagir com eles. A mãe de Chaplin teve papel fundamental em sua vida para que se tornasse ator e comediante tempos depois.

As mães são o sol de cada família. Quando estava no segundo ano do ensino fundamental, meu pai ficou doente e as coisas ficaram muito difíceis em nossa família. Mas minha mãe costumava brincar dizendo que éramos os “grandes campeões” dentre todas famílias e situações mais humildes. Sua voz alegre e positiva nos enchia de coragem.

Tempos depois, a mãe de Chaplin adoeceu e teve de ser hospitalizada. Charlie e seu irmão, Sydney, foram enviados a um orfanato. Ainda com 11 anos, ele trabalhou em diversos lugares, mas nunca se permitiu ser derrotado, não importando quão dura fosse sua realidade; acalentava o sonho de se tornar o melhor ator do mundo e por isso continuava a se esforçar para tornar esse objetivo realidade. Seu espírito era como o arco-íris da esperança que resplandecia seu máximo brilho.

Chaplin começou a trabalhar como ator, ganhou fama pelo talento e viajou para os Estados Unidos onde se tornou mundialmente famoso. E, independentemente de sua popularidade, sempre cultivou o sentimento de gratidão por sua mãe dizendo: “Se hoje cheguei até aqui e conquistei tudo isso, devo à minha mãe”.

Em 1o de setembro de 1939, Hitler e seu exército militar invadiram  outro país dando início à Segunda Guerra Mundial. Eu estava com 11 anos naquela época, quase a mesma idade de vocês. A guerra que fora iniciada por Hitler se espalhou pela Europa e tirou a vida de inúmeras pessoas.

A batalha de Chaplin pela paz começou com ele fazendo do cinema sua grande arma. No filme O Grande Ditador, Chaplin se veste igual a Hitler, inclusive com o mesmo bigode.  Na cena final, o personagem de Chaplin profere um discurso sincero e honesto, completamente diferente da mensagem de Hitler, no qual clama para que as pessoas jamais se permitam estar à mercê de um ditador.

“Não se desesperem! (...) Vocês têm o poder de fazer da vida uma existência bela e livre, cheia de aventuras. Em nome da democracia, usemos esse poder! Vamos nos unir!” Ele termina o discurso se dirigindo à heroína do filme: “A alma do homem ganhou asas e agora ele alça grandes voos em direção ao arco-íris, à luz da esperança, ao futuro. Observe, Hannah, observe.”

Sim, isso mesmo. Chaplin deu o nome de sua própria mãe que morrera dez anos atrás à heroína.

As pessoas que prezam a mãe em seu coração são fortes. Nada as derrubará. Enquanto desbravam um novo desafio pensando em sua mãe, sempre avançarão pelo caminho correto, o caminho da vitória.

Espero que todos vocês sejam carinhosos com seus pais, cuidando deles muito bem. Ao mesmo tempo em que se esforçam para alcançar seus objetivos, nos estudos e em diversas outras frentes, por favor, façam surgir seu próprio arco-íris da esperança. Estou aguardando ansiosamente pelo resplandecer de seu arco-íris pelo vasto céu do século 21.

Meus queridos amigos da Divisão dos Estudantes, verdadeiros arco-íris da esperança — confio em vocês!

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Fonte:

BS, ed. 2.290, 5 de setembro de 2015

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