Conectar-se para reerguer cada “Torre de Tesouro”: cada vida
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Conectar-se para reerguer cada “Torre de Tesouro”: cada vida

Devemos dar atenção às palavras que fluem de outra alma. Nosso coração estremece com o sofrimento do outro e, pacientemente, sopra vida nas pequenas brasas que ainda restam no outro coração.

 

Trechos extraídos, adaptados e atualizados da Proposta de Paz 2012, do presidente da Soka Gakkai Internacional, Dr. Daisaku Ikeda, publicado na revista Terceira Civilização, ed. 524, abr. 2012, p. 24, em que ele enfatiza a importância da conexão humana para proteger a vida, utilizando a analogia da Torre de Tesouro.


A segurança humana deve ser “construída com a força das pessoas e suas aspirações”. Para quem dá esse primeiro passo sozinho é um desafio extremamente difícil; e muito mais desafiador será sustentar esse grandioso empreendimento até o ponto onde toda a vida será iluminada pela luz da esperança.

Para ilustrar, é como se cordas seguras ligassem um coração a outro, com ganchos de encorajamento, para que todas as pessoas continuem sua escalada pelos íngremes caminhos da existência. Exemplos luminosos são a vida de três figuras históricas, Ralph Waldo Emerson, Saint-Exupéry e Tomio Tada.

Além da trágica perda do filho, a vida de Emerson foi marcada pela morte da primeira esposa e dos dois irmãos. Tempos depois, ele reflete sobre essas perdas e conclui que assumiram “o aspecto de um guia ou de um gênio”, dando-lhe o ímpeto para transformar o modo de viver.

Saint-Exupéry escreveria mais tarde: “O que salva um homem é dar um passo e depois outro. É sempre o mesmo passo, mas você tem de dar (...). O que assusta o homem é o desconhecido. Mas, quando tem de enfrentar o desconhecido, passa a conhecê-lo e perde o medo”.

Tomio Tada, imunologista, finalmente foi capaz de voltar a escrever e, citando a Divina Comédia, de Dante, gravou estas palavras: “Se estou numa condição infernal, então me deixe descrever o meu inferno”. E acrescentou: “Não sei o que me espera, mas estou aqui pelo que eu passei”. Ele estava preparado para recuperar o sentido da sua vida.

Em cada um desses momentos dramáticos, foi indispensável o apoio dos outros. O filósofo William James (1842–1910) concluiu que as pessoas que compartilham experiências sentem uma mudança perceptível no senso de sofrimento e de perda.

O filósofo alemão Karl Jaspers (1883–1969) reconhece que o conjunto de ensinamentos deixado por Shakyamuni nasceu de diálogos que ele manteve com uma pessoa ou com pequenos grupos. Shakyamuni acreditava que, “para falar com todos, é preciso falar com cada um”. Seus ensinamentos são respostas às preocupações e aos sofrimentos das pessoas.

Chamando os outros de “amigo”, Shakyamuni se esforçava para penetrar no coração e na mente de cada um deles, esclarecer a natureza real do sofrimento e ajudá-los a despertar a forma de superá-los.

Esse cuidado se vê nos ensinamentos de Nichiren Daishonin. Nas cartas que enviou aos seus discípulos, ele abraça cada um deles, lamentando as dificuldades como se fossem suas. As palavras de Daishonin nos chegam até hoje como diretrizes para a vida porque são a cristalização de sua oração solidária e determinação para orientar os discípulos a superar as provações.

O Budismo Nichiren ensina que, não importando as circunstâncias, temos a capacidade de ajudar os outros.

No Sutra do Lótus, reconhecido na tradição do Budismo Nichiren como o mais elevado ensinamento de Shakyamuni, a imagem de uma enorme Torre de Tesouro cravejada de joias, é usado para ilustrar a beleza, a dignidade e a preciosidade da vida.

Uma escritura budista afirma: “A Torre de Tesouro não é nada mais do que todos os seres vivos” (Gosho Zenshu, p. 797). Isso significa que a magnífica torre, de escala cósmica, descrita no Sutra do Lótus, nada mais é que a essência original de cada ser humano.

Quanto mais pessoas com essa convicção estenderem a mão aos aflitos e juntos iniciarem a reconstrução da comunidade, mais torres do tesouro se levantarão.

 

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