Crie empatia pelas pessoas que sofrem
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Crie empatia pelas pessoas que sofrem

Adaptado da série de ensaios “Reflexões sobre a Nova Revolução Humana”, publicada em japonês na edição do jornal Seikyo Shimbun, de 24 de maio de 2003.


No fim de maio de 1951, logo depois de assumir como segundo presidente da Soka Gakkai, Toda sensei transferiu sua empresa — na qual eu ocupava a função de consultor — para um novo local perto da Estação de Ichigaya, em Tóquio. Eu estava com 23 anos e trabalhava arduamente como chefe do departamento de vendas. Nosso novo escritório se resumia a uma única sala no Edifício Ichigaya, um prédio de três andares, próximo ao fosso externo que antes circundava o Castelo Edo.

O escritório da Soka Gakkai tinha aproximadamente 13 a 16 m2. A mesa do presidente Josei Toda ficava perto de uma parede envidraçada no fundo da sala, com sete ou oito cadeiras dispostas diante dela. Todos os dias, das 14 às 16 horas, Toda sensei concedia orientações individuais e incentivos aos membros que vinham procurá-lo naquele local.

Eurípedes, poeta e dramaturgo da Grécia antiga, disse que não há melhor remédio para as dores do ser humano do que as palavras de alento de um bom amigo.1


Meu mestre conversava franca e abertamente com os associados que vinham procurá-lo. Quando perguntava-lhes “O que há de errado?” com uma voz calorosa e os olhos repletos de compaixão por trás das grossas lentes dos óculos, ficavam completamente à vontade e expunham seus problemas com honestidade.

O presidente Josei Toda ouvia as profundas angústias de todos e, demonstrando empatia como se o sofrimento deles fossem seus, ele os incentivava de um modo capaz de tocar o coração e inspirá-los a ativar o grande poder da fé e da prática. “Você vai conseguir”, assegurava a cada um. “Se praticar esta fé, infalivelmente será feliz. Torne-se um campeão do espírito. Viva de forma plena e com o orgulho de ser um valoroso membro da Soka Gakkai”.


Entre os que procuravam o presidente Josei Toda no escritório da Soka Gakkai em Ichigaya também estavam líderes que se sentiam constrangidos por enfrentarem problemas pessoais, apesar de ocuparem funções de responsabilidade na organização. Toda sensei os confortava calorosamente, dizendo-lhes que qualquer um que tente uma vida genuína, devotada a uma causa, está fadado a confrontar várias dificuldades. Em contrapartida, repreendia severamente aqueles que se mostravam presunçosos a ponto de menosprezar os membros que lutavam contra adversidades.

Os desafios pessoais nos ajudam a compreender a dor dos outros. Nossos problemas só nos tornam mais fortes. O presidente Josei Toda, além de ter perdido uma filha, vivenciou repetidas crises nos negócios e ficou preso durante dois anos por manter a fé no Sutra do Lótus. Tempos depois, refletindo sobre sua vida, ele chegou à conclusão de que essas experiências de tristeza, dor e infortúnios, e de superação de incalculáveis desafios o fortaleceram e o qualificaram para exercer a função de presidente da Soka Gakkai.


O renomado escritor francês Victor Hugo declarou: “Os grandes sofrimentos agigantam a alma a proporções descomunais”.2

Para tanto, é importante oferecer incentivo sincero às pessoas que passam por tais sofrimentos e lhes infundir coragem e esperança na vida para que não sejam derrotadas.

A orientação sobre a fé deve se basear no Gosho — os escritos de Nichiren Daishonin. Não se desenvolve a capacidade de orientar de forma inspiradora se apoiando apenas em juízos e opiniões pessoais; essa habilidade precisa ser lapidada por meio do esforço na prática e no estudo dentro da organização dedicada ao kosen-rufu.



Notas:

1. Cf. EURIPIDES. Fragments: Oedipus — Chrysippus, other Fragments. Editado e traduzido para o inglês por Christopher Collard e Martin Cropp. Cambridge, Massachusetts: Harvard University Press, 2008. p. 607. (Fragmento nº 1079.)

2. HUGO, Victor. Ninety-Three. Traduzido para o inglês por Frank Lee Benedict. Nova York: Carroll and Graf Publishers, Inc., 1988. p. 331.


Fonte: Brasil Seikyo, ed. 2.361, 25 fev. 2017, p. B3

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