Dançar e encorajar as pessoas em todo o mundo
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Dançar e encorajar as pessoas em todo o mundo

O ambiente enchia de luz no momento em que eles pisavam no palco. Eles tomavam conta do palco

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Fui encorajado em muitas ocasiões pela dança de Pascual e Ángela, assim como muitos membros da SGI. O ambiente enchia de luz no momento em que eles pisavam no palco. Eles tomavam conta do palco. Apresentavam-se juntos e apoiaram numerosos festivais culturais no mundo todo.


Pascual foi coordenador da Divisão de Artistas da SGI-USA por mais de uma década, e também fundou o Comitê Internacional de Artistas pela Paz (Icap, na sigla em inglês).


"Eu serei um leão!”

No verão de 2001, Pascual notou uma mudança em sua condição física — ele estava sempre cansado e tinha dores agudas no estômago. Após uma série de exames médicos, foi finalmente descoberto que ele tinha um câncer que já havia progredido até seu quarto estágio. Tão logo eu soube desse diagnóstico, enviei-lhe uma mensagem de encorajamento.


Pascual foi submetido a quimioterapia, e os efeitos colaterais foram devastadores. Sentia tanta dor que parecia ter sido atropelado por um caminhão. Tinha fortes náuseas e crises de vômito e quase perdeu o paladar. Seus cabelos também caíram.


“Mas, surpreendentemente”, conta Ángela, “ele não ficou deprimido. Ele dizia constantemente: ‘Vou atingir a vitória total, vencendo essa doença. Eu serei um leão!”


Um drama de vitória completa

Pascual continuou a dizer aos membros da Divisão de Artistas: “Para desempenharem o papel de um vitorioso, devem decidir que vencerão. Então, visualizem esse resultado e gravem-no em sua mente. Façam um ensaio em sua mente. Escrevam seus objetivos num pedaço de papel e repitam-nos em voz alta várias vezes. Isso os ajudará a gravá-los em sua vida. Vocês devem repetir a cena da vitória total e gravá-la em sua mente. Se vocês tiverem a convicção de que podem realizá-los, então conseguirão. As orações significam continuar a orar e a lutar até conseguirem o resultado.”


Ele continuou a propagar o budismo alegremente mesmo em seu leito de morte. E no Ano-Novo de 2002, duas pessoas a quem havia apresentado o budismo receberam o Gohonzon. No dia seguinte, 2 de janeiro, Pascual receberia os resultados de alguns exames. Depois de analisar exaustivamente e refazer todos os testes possíveis, seu médico anunciou com um misto de incredulidade e felicidade que os exames mostravam que as células cancerosas haviam desaparecido completamente de seu corpo. Era a reviravolta de um quadro dramático de uma morte quase certa.


Dançar revela a própria alma

Em maio, Pascual e Ángela visitaram o Japão e apresentaram-se no auditório da Universidade Soka. Eles dançaram da forma mais maravilhosa possível. Os cabelos de Pascual já estavam totalmente grisalhos, mas isso só realçava sua beleza.


Um ano depois de ter demonstrado uma esplêndida recuperação, o câncer voltou a se manifestar. “Mesmo assim”, diz Ángela, “sua condição de vida era incrivelmente elevada, e nada podia abalá-lo. Quanto mais seu corpo se debilitava, mais forte era sua vitalidade. Ele estava determinado a propagar o budismo por todo o país. Eu testemunhei isso, e sei que estava sendo sincero. A pessoa que eu mais amei no mundo mostrou-me o verdadeiro poder da fé.”


Ele faleceu em 19 de setembro de 2003, rodeado por quatorze parentes e amigos. O médico havia dito que ele pararia de respirar cinco minutos após o respirador ter sido desligado, mas Pascual continuou a respirar durante uma hora e meia. Sua respiração era incrivelmente poderosa.


Pascual estava então com 59 anos. Havia prolongado a vida por mais de trinta anos desde que superara pela primeira vez seu problema de doença. Nesse período, ele acumulou uma exuberante arca de tesouros.


Um novo traje para um novo começo

Naturalmente, Ángela ficou profundamente entristecida pela morte do marido. Ela tentava encorajar-se e elevar seu ânimo, mas parecia incapaz de superar esse vazio e a sensação de perda. Em determinado momento, disse: “Não tenho asas. Voei todos esses anos sobre as asas de Pascual. Sou um pássaro incapaz de voar.” Ela sabia que deveria usar suas próprias asas, mas a princípio, não sabia como.


Quando lhe foi solicitado que dançasse em uma Reunião Nacional de Líderes da Soka Gakkai em Tóquio este ano (maio de 2004), Ángela ficou hesitante. Seria capaz de dançar? Seria capaz de transmitir algum sentimento no palco? Mas um amigo lembrou-lhe do desejo de Pascual de que ela continuasse a brindar aos demais o dom da arte, que ela não se aposentasse. Alguns companheiros da SGI compuseram uma canção para ela. O título era “Pascual vive”. Quando soube disso, foi tomada de profunda emoção. “Sim”, pensou. “Devo dançar esta música. Pascual vive! Ele está vivo aqui, em meu coração. Preciso transmitir isso ao presidente Ikeda, a todos. Devo dançar.”


Um de seus melhores amigos ofereceu-se para fazer um novo traje para sua apresentação, dizendo: “Você não pode dançar com um de seus trajes antigos. Deve usar um novo em folha! E o tema será a primavera, com o azul intenso da bandeira da SGI e o rosa e o amarelo para representarem a juventude. Seu traje simbolizará a vida, e sua capa será da mesma cor, algo de que Pascual gostaria.”


As coisas belas de uma só vez

Sua apresentação foi explosiva. Ela parecia flutuar no ar, como se flores e todas as coisas belas tivessem surgido de uma só vez.


Quando a vi bailar, fiquei de pé. Não conseguia permanecer sentado. Estendi meus braços e movia-os no mesmo ritmo de Ángela. Clamava silenciosamente para ela: “Você não está sozinha! Pascual está com você, e eu também estou com você!” Eu sabia que minhas palavras a alcançariam.


A dança de Ángela tornava-se mais veloz, ganhando um tremendo dinamismo, inacreditável para uma pessoa de 63 anos. Então, algo surpreendente aconteceu. Inconscientemente, ela começou a sapatear rapidamente no palco, no estilo típico de Pascual. Antes que ela se desse conta, começou a rodopiar sua capa, uma vez mais reproduzindo os movimentos característicos de Pascual. Ela jamais usara nenhuma dessas técnicas antes e, mais surpresa do que todos, de repente percebeu: “Pascual está aqui comigo! Estamos dançando juntos!”


Fonte:
 Terceira Civilização, ed. 440, 1 abr. 2005, p. 36
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