Educação para a cidadania global
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Educação para a cidadania global

No trecho extraído e adaptado do livro Educação Soka, p. 120-125, o autor Daisaku Ikeda defende que a educação deve impulsionar a difusão do humanismo em nossa sociedade

A educação é um privilégio que só os seres humanos possuem. É a fonte de inspiração que nos capacita a desenvolver nossa humanidade de forma plena e verdadeira e cumprir nossa missão de vida com serenidade e confiança.

O conhecimento acumulado à parte das questões humanas resulta num arsenal de destruição em massa. Por outro lado, o conhecimento em geral proporcionou conforto e conveniência à sociedade oferecendo trabalho e riqueza. A principal tarefa da educação deve ser a de assegurar que o conhecimento sirva para fortalecer as ações em prol da felicidade e da paz humanas.

A educação deve ser a força que impulsiona a eterna busca pelo humanismo. Por isso, é o empreendimento final e o mais importante de minha existência. É também o que me faz concordar plenamente com a colocação do presidente da Faculdade de Pedagogia da Universidade de Columbia, Arthur Levine, quando afirmou que a educação talvez seja o caminho mais demorado para a transformação social, mas é o único.

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Há muito em comum entre o pensamento de [Tsunesaburo] Makiguchi e o de [John] Dewey.1 Eles compartilhavam, por exemplo, uma inabalável convicção na necessidade de novos métodos para a educação voltada às pessoas. Como afirmou Dewey: “Tudo o que é distintamente humano é aprendido”.2

Dewey e Makiguchi foram contemporâneos. Em cantos opostos da Terra, em meio aos problemas e às desordens da sociedade recém-industrializada em que cada um vivia, ambos assumiram a tarefa de estabelecer um caminho para um futuro repleto de esperança.

Makiguchi, inspirado pelas ideias de Dewey, defendia a crença de que o propósito da educação deveria ser a felicidade dos estudantes por toda a vida. Ele acreditava também que a verdadeira felicidade encontrava-se na criação de valor. Falando de maneira simples, a criação de valor é a capacidade de encontrar propósitos, de aprimorar a própria existência e de contribuir para o bem-estar das outras pessoas sob quaisquer circunstâncias. Makiguchi revelou a teoria de criação de valor a partir de sua percepção das funções internas da vida que obteve de seu estudo do budismo.

Ambos, Dewey e Makiguchi, visualizavam além dos limites das fronteiras entre nações, contemplando novos horizontes da comunidade humana. Pode-se dizer que os dois vislumbravam uma cidadania global, com pessoas capazes de criar valor em escala global.

 (…)

Tenho a plena convicção de que os seguintes elementos são essenciais para a cidadania global:

• A sabedoria para perceber a inter-relação de todos os tipos de vida e ambiente.

• A coragem para não temer nem negar as diferenças, para respeitar e se forçar em compreender pessoas de diferentes culturas e para crescer por meio do contato com elas.

• A compaixão para cultivar uma empatia imaginativa que alcance além do ambiente ao nosso redor e se estenda a outras pessoas que sofrem em lugares distantes.

(…)

A missão das pessoas que receberam alguma educação é servir com orgulho, seja de maneira visível ou não, à vida daqueles que não tiveram essa oportunidade. Às vezes, a educação pode se tornar uma questão de títulos e graus, prestígio ou autoridade. No entanto, estou convicto de que ela deveria ser um veículo para desenvolver nas pessoas o nobre espírito de abraçar e expandir a vida de outras.

Nesse sentido, a educação deveria capacitar cada pessoa com a força para vencer as próprias fraquezas, prosperar em meio à realidade social por vezes severa e alcançar novas vitórias para o futuro da humanidade.

O trabalho de cultivar cidadãos globais sobre os alicerces conceituais e éticos da cidadania global é dever de todos nós. É um projeto vital do qual todos nós somos participantes e pelo qual todos nós somos responsáveis. Para ter sentido, a educação para a cidadania global deveria ser tomada como parte integral de nossa vida diária em nossa comunidade local.

 

Notas:

1. John Dewey (1859-1952) foi filósofo e pedagogista norte-americano e Tsunesaburo Makiguchi, educador e primeiro presidente da Soka Gakkai.  Seu pensamento menciona os ideais e o trabalho de Dewey com grande respeito em seu livro Soka Kyoikugaku Taikei [Sistema Pedagógico de Criação de Valor] publicado em 1930.

 

2. DEWEY, John. The Public and its Problems [O Público e seus Problemas] p. 154, 1946.

 

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