Elevar a própria condição e construir uma vida de primeira categoria
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Elevar a própria condição e construir uma vida de primeira categoria

Quando vivemos de forma digna podemos atuar em prol da paz, tendo como palco o mundo inteiro

Ao lado do meu venerado mestre, o professor Josei Toda, vivi o supremo drama da minha juventude de corpo e alma. Ele se empenhou intensamente em me treinar e me ensinar diversas coisas mesmo em meio à difícil situação em que se encontravam seus empreendimentos como se ele estivesse à beira de um precipício. “Tenha contato com as coisas de primeira categoria” — esta era a orientação coerente do meu mestre. A Lei Mística é a grande lei fundamental que permeia todo o imenso universo. É o “ensinamento do buda vivo” que possibilita criar infinito valor em todas as dimensões. Encontramos esta suprema filosofia que permite dar vida a tudo que existe ainda na juventude. Por isso, a expectativa do meu mestre era que buscássemos tudo que fosse de primeira categoria e nos tornássemos líderes em prol da paz, tendo como palco de atuação o mundo inteiro.


O que significa “tudo de primeira categoria” que devemos buscar? Como elevar a própria condição de vida? Meu mestre me orientava rigorosamente no seguinte ponto: “Se está envolvido numa tarefa, seja honesto e dedique-se de corpo e alma; tenha orgulho do seu trabalho e se empenhe com inabalável sinceridade sem buscar fama ou reconhecimento”.


Ele deixou esta diretriz para os jovens: “Vivam com honestidade. Cumpram dignamente a sua nobre missão!”. Para isso, é preciso:

• Ler obras literárias de primeira categoria.

• Ouvir músicas de primeira categoria.

• Apreciar obras de arte de primeira categoria.

• Ter contato com pessoas de primeira categoria.


Quando se procede com base nesses quatro itens, constrói-se um imensurável tesouro, porque é por meio desse aprimoramento que o caráter se torna de primeira categoria.


Arte que estimula o espírito humano

Os jovens que são unos a mim devem avançar pelo grande movimento de paz e cultura Soka, de forma magnânima, ampliando o coração para o vasto universo, aproximando-o cada vez mais de uma arte e de uma cultura bastante elevadas e do mundo todo.


O Dr. Jao Tsung-I, erudito poeta, calígrafo e pintor chinês, observou que as artes de primeira categoria inspiram força. Ele disse: “Podemos chamar de verdadeira arte aquela que dá coragem e acende a esperança ou extrai a pureza do nosso coração”. A arte estimula o espírito humano, enriquece o coração e nos enche de energia para avançar. Embora haja diferença no idioma, na etnia, na história ou no clima, não há fronteiras na arte. Ela possui uma mística energia que aproxima as pessoas e une os corações.


Fundei a Associação de Concertos Min-On e o Museu de Arte Fuji de Tóquio com o objetivo de contribuir, mesmo que pouco, para o bem-estar da humanidade. Na época, o mundo estava sob a tensão da Guerra Fria. O desejo de criar a paz mundial pela força da cultura era considerado um conto de fadas por algumas pessoas. No entanto, eu possuía forte convicção de que o povo de qualquer país deseja igualmente a paz. Não realizamos um movimento cultural porque vivemos relativamente tranquilos, mas devemos executar com firmeza um movimento cultural em prol da paz.


Sempre falei aos jovens: “É um trabalho humilde, mas o intercâmbio cultural é o caminho mais seguro para construir um mundo pacífico”. Portanto, desejo oferecer a arte de primeira categoria a todas as pessoas, e assim construiremos um século de humanismo com a força da arte.


Tenho convicção de que o papel da cultura e da arte que possibilita reconstruir o coração humano, o espírito humano, é extremamente grande.


Neste mês [novembro de 2013], iniciei o diálogo com Jutta Unkart-Seifert, a soprano austríaca e ex-subsecretária do Ministério de Artes e Esportes da Áustria, com o título A Luz da Vida — a Canção da Mãe. Certa vez ela afirmou: “A arte é a expressão de algo nobre em nosso interior”. É um constante treino com diligência; um real brilho emitido pela criatividade e sensibilidade. Sem dúvida, a arte expressa dessa forma desperta e estimula a dignidade da nossa vida, aquele “algo sagrado” existente em nosso interior.


Além disso, não poderíamos afirmar que nossa luta, voltada para si e para os outros, está polindo a nossa própria vida e despertando a dignidade em milhões de pessoas? Afirmo que a união de pessoas ligadas pelo incentivo mútuo evidenciando sua nobre natureza de buda em si e nos outros é, sem dúvida, a mais digna arte humana.


Uma verdadeira obra-prima é a vida dedicada ao kosen-rufu

Os membros do Departamento de Artistas que resplandecem como belas flores Soka, os componentes das Bandas Masculina Ongakutai e Feminina Kotekitai e todos os que compõem o coral de cada localidade são pioneiros que figuram na mais notável arte do povo.


De toda forma, na vida real, nosso movimento em prol do kosen-rufu, que conduz todas as pessoas pelo drama da felicidade, iluminando o coração com a luz da esperança, tendo ou não os aplausos e ovações, não seria a criação da mais nobre cultura de paz?


A Sra. Deng Yingchao, mãe do povo chinês, louva um membro de uma companhia teatral: “O teatro é o resultado do trabalho conjunto entre atores que representam o papel com a máxima habilidade, como também os preparadores do palco, da iluminação, a direção etc. Quero estender meus agradecimentos aos heróis anônimos que trabalham nos bastidores”.


Conheço um membro da Divisão Sênior de Katsushika, Tóquio, ex-integrante da Banda Masculina Ongakutai e que trabalha no ateliê de instrumentos de sopro. Ele sonhava seguir o caminho de instrumentista, porém, a empresa de seu pai faliu e ele teve de começar a trabalhar para ajudar no sustento da família.


Consertar instrumentos — um mundo totalmente desconhecido. Havia instrumentos que ele nem sequer conhecia, e não existia material didático. Mas, com o espírito de vencer sem retroceder um único passo sequer, com o treinamento recebido no Ongakutai, empenhou-se no aprendizado considerando esse trabalho uma vocação que apoia o sonho dos instrumentistas. Atualmente, ele se tornou um exímio profissional com capacidade de consertar qualquer instrumento de sopro.


Uma obra-prima musical

A vida é uma batalha, na qual não acontecem apenas coisas agradáveis. Contudo, quando ultrapassamos as dificuldades uma por uma com coragem e persistência, elevamos nosso estado de vida, adquirimos a capacidade de reger e executar livremente a sinfonia da felicidade, a vitória espiritual.


A vida dedicada ao drama chamado kosen-rufu experimenta uma obra-prima musical como a exultação da vida, obra-prima de um quadro, retratando a vida de plena satisfação repleta de boa sorte e virtude, e o honroso triunfo como um grande ator.


O Buda Nichiren afirma: “Apesar de não ser o venerável Mahakashyapa, deve pular de alegria! Embora não seja Shariputra, deve se levantar e dançar! Quando o bodisatva Jogyo emergiu da terra, ele saltou alegremente”.


Nós continuaremos bailando juntos e pintando um gigantesco quadro que representa o nosso coração incontido de alegria por toda a eternidade.


Fonte: Brasil Seikyo, ed. 2.204, 23 nov. 2013, p. B2
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