Encorajamento é vitória
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Encorajamento é vitória

Ter coragem é um dos pontos primordiais do movimento Soka

Artigo do presidente da SGI, Daisaku Ikeda, publicado na edição de outubro da revista japonesa de estudos Daibyakurengue.


Venham, vamos conduzir,

juntos, uma vida insuperável

trilhando nosso caminho com confiança,

apoiando calorosamente

e encorajando-nos uns aos outros.


Rabindranath Tagore (1861–1941), poeta, dramaturgo e educador indiano, escreveu: “O que quer que aconteça, será algo pequeno, na medida da preocupação da sua alma. Não há ninguém maior do que você”.¹ Essas palavras de encorajamento de um grande escritor — que transformou numerosos sofrimentos pessoais em uma brilhante energia criativa — são profundas e fortificantes.


Nossa vida é uma “torre de tesouros” de suprema e inviolável dignidade. Quaisquer que sejam as tribulações que encontremos, podemos transformar tudo o que é negativo em algo positivo e emergir triunfantes, transformando assim o veneno em remédio. E encorajando e nos apoiando mutuamente como amigos de fé, podemos acelerar nosso progresso rumo ao crescimento e à vitória.


O 28º e último capítulo do Sutra do Lótus é intitulado “Encorajamentos do Bodisatva Mérito Universal”. Nele, o termo “encorajamento” (kambotsu em jap.) é escrito com dois caracteres chineses que significam “recomendar” e “inspirar”. Podemos interpretar isso como recomendar a Lei Mística aos outros e inspirá-los a tomarem fé nela. O Sutra do Lótus encerra-se com esse encorajamento.


Encorajamento é um ponto primordial de nosso movimento Soka. Por isso nosso movimento é tão positivo e otimista. O encorajamento baseado na Lei Mística é a força motriz para uma contínua vitória.


Em um mundo

de tumultuadas mudanças

e desordens,

nós avançamos

cantando alegremente.


Como afirma Nichiren Daishonin: “Quando recitamos Myoho-renge-kyo uma vez, somente com esse simples som convocamos e manifestamos a natureza de Buda de todos... os seres vivos. Esse benefício é imensurável e ilimitado”. Todos nós possuímos dentro de nós o mais precioso e respeitável estado de vida, o estado de buda. O objetivo de promover nosso movimento pelo kosen-rufu por meio do diálogo é direcionar, despertar e extrair a natureza de Buda inerente à vida de cada pessoa. Quando recitamos sinceramente daimoku e corajosamente tocamos os outros pelo diálogo, possibilitamos que muitas pessoas formem uma conexão com o budismo e, dessa forma, propagamos a compreensão da Lei Mística.


Vivendo numa época de graves revoltas, Daishonin defendeu o estabelecimento de uma paz duradoura na sociedade e enfatizou a necessidade de fortalecer o poder das pessoas comuns. Isso ressoa com a tendência rumo à capacitação das pessoas que vemos pelo mundo hoje.


John Kenneth Galbraith (1908–2006), um economista de renome internacional com quem eu tive a boa sorte de me encontrar e conversar várias vezes, disse: “Não importa o quão árduas as realidades ou adversidades que a sociedade pode encontrar, se as pessoas que compõem essa sociedade forem fortes, elas se tornarão a força motriz de uma brilhante reviravolta, recuperação e crescimento, e terão êxito em conduzir a sociedade para a prosperidade.”² Creio que também nessa esfera um encorajamento positivo desempenha um importante papel.


A voz de nosso mestre clamando

“Não seja derrotado,

Vença sem falta!”

ainda ressoa na nossa vida,

seus discípulos.


Meu mestre Josei Toda [ segundo presidente da Soka Gakkai] sempre encorajava sinceramente aqueles que se encontravam na situações mais desafiadoras ou difíceis. Ele dizia: “O Budismo de Daishonin é um ensino que possibilita as pessoas lutarem em meio às adversidades e se tornarem felizes. Quanto mais miserável e infeliz uma pessoa, mais surpreendente o poder e o potencial que ela pode produzir para superar sua infelicidade. Essas pessoas são capazes de encorajar verdadeiramente e apoiar os outros que sofrem”. Ouvindo os encorajamentos apaixonados do Sr. Toda, os membros eram inspirados a se levantar, desafiar suas circunstâncias e vencer. E eram capazes de encorajar e apoiar muitos outros que sofriam.


O Dr. Lou Marinoff, presidente fundador da Associação Americana de Orientadores Filosóficos, disse: “Somente estar com um mestre que realizou algo na vida é uma experiência marcante. Isso é o que há de maravilhoso na interação humana”.³


Em inglês, a palavra encourage significa “dividir a coragem”. Discípulos que procuram sinceramente corresponder ao encorajamento de seu mestre ardem com a chama da coragem o que os torna destemidos e inconquistáveis. Quando eles se unem a seu mestre, um espírito de leão de conquistar a vitória certeira pulsa dentro deles.


Devemos ter orgulho pelo fato de que as vitórias magníficas que estamos conquistando atualmente, imbatíveis diante das mais desafiadoras circunstâncias, brilharão pelo eterno futuro como uma fonte de encorajamento para toda a humanidade.


Fonte: 
Brasil Seikyo, ed. 1.959, 11 out. 2008, p. A2
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Notas:

1. Rabindranath Tagore, Nikki Shokan-shu (Jornais e Cartas), Tagoru Chosaku-shu (Coletânea de Obras de Tagore). Tomio Mizokami et al, trad. Tóquio, Daisanbunmei-sha, 1988, v. 11, p. 348.
2. John Kenneth Galbraith, Nihon Keizai e no Saigo no Keikoku (A Última Advertência para a Economia Japonesa). Tadashi Kakuma, trad. Tóquio, Tokuma Shoten, 2002, p. 16.
3. Artigo no jornal Seikyo Shimbun, 26 de setembro de 2002.

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