Esperança para a transformação social
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Esperança para a transformação social

A meta é agir pelos objetivos sem ficar paralisado pelo desespero

A chama que nutre nosso coração

O budismo ensina que a mesma força que move o universo existe dentro da nossa vida, e cada indivíduo possui imenso potencial para isso. Assim, uma grande transformação no interior de uma pessoa tem a força para tocar a vida dos outros e mudar a sociedade. Se modificamos nossa determinação interior, tudo começa a se mover em nova direção.


Nesse sentido, a esperança é uma decisão. Quando possuímos o tesouro da esperança, podemos extrair nosso potencial e força interior. Uma pessoa de esperança sempre consegue avançar.


A esperança é a chama que nutre nosso coração, e pode ser acesa por qualquer um — pelas palavras encorajadoras de um amigo, um parente ou um mestre —, mas precisa ser atiçada e mantida pela nossa própria determinação. O crucial é a determinação de continuarmos a acreditar em nossa própria dignidade e em nossas possibilidades sem limites, e da mesma maneira nas outras pessoas.


Mahatma Gandhi conduziu o movimento da não violência pela independência da Índia e obteve sucesso contra todas as adversidades. De acordo com suas palavras, ele era “um otimista incorrigível”. As esperanças dele não estavam fundamentadas nas circunstâncias, à medida que as coisas melhoravam ou pioravam. Em vez disso, ele baseava sua fé inabalável na humanidade, na capacidade das pessoas para o bem. E se recusava em absoluto a abandonar sua fé nos companheiros.


Sentir esperança

Acreditar na bondade das pessoas e realizar esforços consistentes para cultivar a bondade em nós mesmos, como Gandhi provou, são a chave para liberar a grande força da esperança. Confiar nos outros e em nós mesmos dessa maneira — mesmo travando uma difícil luta interior para fazer disso a base de nossas ações — pode transformar uma sociedade que às vezes parece mergulhada nas trevas num mundo humano e iluminado em que todas as pessoas são tratadas com respeito.


Há ocasiões em que, ao sermos confrontados com uma realidade cruel, parece que perdemos as esperanças. Se não conseguimos sentir esperança, é tempo de criá-la. Para isso, devemos procurar dentro de nós, ou ao menos um lampejo de luz, um caminho para quebrar o impasse diante de nós. Nossa capacidade de sentir esperança pode ser expandida e fortalecida pelas circunstâncias difíceis. Por outro lado, a esperança que não pode ser testada nada mais é que um sonho frágil. Ela começa com o esforço de se empenhar por um ideal, não importando quanto distante esteja.


Acredito que a derradeira tragédia na vida não seja a morte física, mas a morte espiritual ao perdermos a esperança, desistindo de nossas possibilidades de crescimento.


Rumo aos objetivos

Meu mestre, Josei Toda, escreveu certa vez: “Olhando as grandes pessoas do passado, descobrimos que elas permaneceram invencíveis diante das dificuldades e das ondas que golpearam sua vida. Elas se agarraram rapidamente às esperanças que pareciam meros sonhos fantásticos para outras pessoas. Não deixavam nada detê-las ou desencorajá-las de realizar suas aspirações. Tenho certeza de que a razão para isso é que suas próprias esperanças não eram direcionadas para a realização de desejos pessoais ou interesses próprios, mas se baseavam no anseio pela felicidade de todas as pessoas, e isso as enchia com uma convicção e confiança extraordinárias”.


Josei Toda ressalta uma verdade importante: o fato de nos comprometermos com imensos objetivos e sonhos contribui para um mundo sem guerra ou violência, onde todos possam viver com dignidade.


Os problemas que o nosso mundo enfrenta são aterradores em sua profundidade e complexidade e, às vezes, é difícil ver onde ou como eles começam. Mas não podemos ficar paralisados pelo desespero. Devemos agir rumo aos objetivos que estabelecemos e em que acreditamos. Em vez de aceitarmos as coisas como são, devemos embarcar no desafio de criar uma nova realidade.


É nesse esforço que encontramos uma esperança verdadeira e eterna.


Fonte: 
Brasil Seikyo, ed. 2.410, 10 mar. 2018, p. A3
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