Fé é uma luta constante contra a inércia
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Fé é uma luta constante contra a inércia

“Fortaleça sua fé dia após dia, mês após mês”

Discurso do presidente Ikeda proferido na conferência de representantes comemorativa do Dia 16 de Março realizada em Tóquio, Japão, em 15 de março de 1992.


Nichiren Daishonin declara: “Fortaleça sua fé dia após dia, mês após mês. Se enfraquecer na determinação ainda que um pouco, demônios se aproveitarão” (WND, v. I, p. 997). Ele também diz: “Seja sempre diligente na fé para que seu desejo seja realizado” (CEND, v. I, p. 473).


Não avançar é retroceder. Josei Toda constantemente fazia advertências sobre ter uma atitude negligente na fé e na prática. Ele disse: “Tudo no universo, das estrelas e planetas ao menor inseto, está em constante mutação. Nada permanece igual, nem por um único momento. Portanto, a questão crucial é se estamos mudando para melhor ou para pior. Quando falhamos em perceber isso, nós nos rendemos à inércia. Em outras palavras, o que há de assustador em ceder à inércia é que nos tornamos completamente desatentos e indiferentes ao fato de estarmos mudando para melhor ou para pior. Além disso, quando deixamos a apatia tomar conta da nossa fé e praticamos apenas pela força do hábito, é como se tivéssemos parado de praticar completamente. A fé, no Budismo Nichiren, consiste em uma prática ativa para mudarmos rapidamente para melhor”.


Não avançar não é apenas estagnar, significa regredir. No âmbito da fé, não existe algo como “isto já é o suficiente”. A complacência leva à inércia e pode levar a pessoa a parar de praticar.


Em uma carta de incentivo à venerável Nichimyo, uma seguidora de Daishonin que se dispôs a enfrentar a perigosa viagem até a Ilha de Sado para visitá-lo, ele escreve: “Sei que sua fé sempre foi admirável, mas, agora, deve fortalecê-la mais do que nunca. Somente assim as dez filhas demônios [divindades protetoras do budismo] a protegerão ainda mais” (Ibidem, p. 642).


Não importando quanto tenhamos nos dedicado à fé no passado, se nos tornarmos apáticos ou negligentes em nosso empenho, a proteção das divindades celestiais — as forças positivas do universo — enfraquecerão. Além disso, corremos o risco de apagar toda a boa sorte que acumulamos. É por essa razão que Daishonin encoraja a venerável Nichimyo a continuar fortalecendo sua determinação na fé ainda mais.


Em seus escritos, Nichiren Daishonin usa com frequência a expressão “mais do que nunca” para incentivar seus seguidores na prática budista. Em um encorajamento para Shijo Kingo, que demonstrou abnegada devoção à fé por ocasião da Perseguição de Tatsunokuchi, Daishonin afirma: “Intensifique a força de sua fé mais do que nunca” (WND, v. I, p. 681), e “Deve fortalecer sua fé mais do que nunca” (Ibidem, p. 953). A passagem citada anteriormente, “Fortaleça sua fé dia após dia, mês após mês” (Ibidem, p.997), também foi endereçada a Shijo Kingo e a outros discípulos.


Contudo, muitas vezes, é difícil identificar a inércia em nós mesmos. Não ter consciência dela talvez seja uma característica e causa mais determinantes desse estado.


Certa vez, alguém apareceu com uma lista de “sintomas” de estagnação na fé, que incluía: ter apenas objetivos e determinações vagas; fazer o gongyo sem orar por nada específico durante a recitação; fazer o gongyo e ir para as atividades da SGI com passividade e com sentimento de obrigação; ter propensão a reclamar; não sentir alegria, entusiasmo ou gratidão; ter um fraco espírito de procura; ser negligente no trabalho e esquecer a importância de pôr a fé em prática na vida diária.


Acredito que, sem dúvida, de certa forma, identificamos em nós essas tendências. Afinal, somos apenas humanos e, portanto, imperfeitos. Porém, Daishonin nos alerta: “Se sua fé enfraquecer e não alcançar o estado de buda nesta existência, não me culpe” (WND, ­v. I,­ p. 1030).


Nossa prática budista não é uma obrigação, mas um direito que nos habilita a alcançar a felicidade. Obtemos benefícios na exata proporção de nossa determinação e esforços na fé.



Fonte:

Brasil Seikyo, ed. 2315, 12 mar. 2016, p. B1


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