Jamais procure o Gohonzon fora de si mesmo
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Jamais procure o Gohonzon fora de si mesmo

Proferido no Encontro Alusivo ao Dia 2 de Abril, falecimento do presidente Josei Toda, com a presença de representantes de divisões, realizado em 3 de abril de 1993, em Tóquio.

Em qualquer religião, o objeto de devoção é de fundamental importância. Sendo assim, qual é o verdadeiro significado do objeto de devoção — o Gohonzon — no Budismo de Nichiren Daishonin?

Em O Aspecto Real do Gohonzon, Daishonin diz: “Jamais busque este Gohonzon fora de si mesmo. O Gohonzon existe apenas dentro do corpo de pessoas como nós, mortais comuns, que abraçam o Sutra do Lótus e recitam Nam-myoho-renge-kyo”. Toda sensei após ler esta frase explanou: "Podemos orar ao Gohonzon imaginando que exista fora de nós. Mas a verdade é que ele 'reside dentro de nós que recitamos Nam-myoho-renge-kyo com fé no Gohonzon das Três Grandes Leis Secretas'. Essa afirmação de Daishonin é realmente inspiradora".

Porém, a intensidade do brilho difere de acordo com a força e a fé de cada pessoa. Podemos associá-la a uma lâmpada elétrica; uma lâmpada de alta potência brilha forte, enquanto a de baixa potência emite uma luz fraca.

Tomando essa analogia como exemplo, aqueles que ainda não abraçaram a Lei Mística são como uma lâmpada que não está conectada a fonte de energia. Para nós, praticantes da Lei Mística, a lâmpada é o Gohonzon ligado à fonte e por isso nossa vida brilha intensamente.


Quando possuímos forte fé, nossa vida se torna uma “fonte inesgotável de benefícios”, justamente como Daishonin descreve o Gohonzon. Ele afirma: “Este Gohonzon também se encontra unicamente nos dois ideogramas com os quais se escreve fé”.

Uma pessoa com uma prática da fé forte jamais se vê num beco sem saída. No curso da vida, naturalmente encontraremos diversos tipos de problemas e sofrimentos, mas, sem dúvida, também somos capazes de transformá-los em oportunidades para desenvolver uma condição de vida ainda mais elevada.

No momento em que abraçamos nossa fé no Gohonzon e recitamos Nam-myoho-renge-kyo, todo o nosso ser nesse exato instante se torna a entidade dos três mil mundos num único momento da vida e manifestamos a condição de vida do buda Nichiren Daishonin. Foi com esse propósito que Daishonin inscreveu o Gohonzon, e justamente nessa ação encontramos a essência do Budismo de Nichiren Daishonin.

No âmago da nossa vida, possuímos uma infinita energia vital e ilimitada sabedoria. Somente por meio da fé seremos capazes de manifestá-las livremente.


Toda sensei sempre dizia: “Nós manifestamos o que há dentro de nós. Não é possível manifestar o que não temos!”. Assim como o forte e puro estado de buda, os fracos e medíocres estados de inferno, fome e animalidade também existem em nossa vida e se manifestam em resposta às causas e às condições do nosso ambiente.

A vida é única e eterna pelas três existências — passado, presente e futuro; por essa razão, nosso carma de existências passadas também pode vir à tona no presente em forma de problemas e sofrimentos. Mas, assim como as causas dos sofrimentos se encontram em nossa vida, possuímos o poder de transformá-los em verdadeira felicidade — este é o real poder do estado de buda.

O presidente Toda afirmou que, na essência, o ser humano é a manifestação do que existe em seu interior, nem mais, nem menos.

Por isso, é essencial que cultivemos “a terra de nossa vida” e finquemos profundamente “as raízes da felicidade”. Devemos evidenciar o Gohonzon que existe dentro de nós para criarmos um forte eu tal como uma grande árvore inabalável.

O ponto crucial é possuir uma forte fé. Nichiren Daishonin diz: “O que importa é o coração". O que importa não é a forma, posição social ou fortuna de uma pessoa, mas sim a forte fé que possui em seu coração.



Fonte: Brasil Seikyo, ed. 2.231, 14 jun. 2014, p. B1

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