Jovens filósofos, ponderem sobre a questão da vida e da morte!
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Jovens filósofos, ponderem sobre a questão da vida e da morte!

Para os protagonistas do século 21– parte 3 (Leia a parte 1 e a parte 2). Esta é a décima parte da segunda série de diálogos sobre a juventude realizados entre o presidente Ikeda e os coordenadores da Divisão dos Estudantes Colegiais, Teruhiko Yumitani e Yoshiko Ueda , representando os membros da Divisão, publicada na edição de 1o de janeiro de 1999 do Koko Shimpo, jornal quinzenal da Divisão dos Estudantes Colegiais da Soka Gakkai.


Pres. Ikeda: É algo extremamente valioso ponderar sobre a questão da vida e da morte. Isso é uma prova de nossa humanidade.

Em geral, quando as pessoas vão envelhecendo e acabam presas pela rotina da vida diária, tendem a parar gradativamente de considerar sobre as questões fundamentais. Mas a questão da vida e da morte é muito importante. Devemos considerar profundamente sobre ela durante toda nossa vida.

Se comparássemos nossa existência a uma árvore, a questão da vida e da morte seria como suas raízes. Embora tenhamos toda uma variedade de problemas e questões para lidar na vida, eles nada mais são que os ramos e as folhas, todos ligados à raiz da questão fundamental da vida e da morte.

Yumitani: Algumas pessoas pensam assim: “Ainda sou jovem. Não tenho necessidade de pensar nisso. Posso esperar até que fique mais velho e esteja à beira da morte.”

Pres. Ikeda: Bem, talvez possamos analisar isso da seguinte forma. Vamos imaginar a caloura de um curso. Ela faz planos e lança objetivos para seu primeiro ano no colegial. Mas não conseguirá nada de significativo enquanto não definir quais serão seus planos para todo o período do colegial.

Assim, ela tenta fazer planos para todo o período do colegial. Mas então percebe que se não pensar no que vai fazer depois de se formar, também não poderá planejar os anos do colegial de forma sábia.

Ueda: Sim, mas a menos que tenha no mínimo uma vaga idéia do que quer fazer quando deixar a escola — seja encontrar um emprego ou ir para a faculdade — realmente não se consegue passar a época do colegial da melhor forma possível.

Pres. Ikeda: Da mesma maneira, não se pode contemplar de forma significativa como passar a vida se não souberem o que acontecerá com vocês após a “formatura” — em outras palavras, após a morte.


Pres. Ikeda: Por essa razão é tão importante que vocês sejam jovens filósofos e que ponderem profundamente sobre essa questão da vida e da morte enquanto estão na juventude.

Se as pessoas se deixarem levar pela crença de que não existe vida após a morte, sucumbirão facilmente à visão de que podem fazer o que quiserem e então, quando encontrarem alguma dificuldade, simplesmente poderão dar um fim a sua vida e acabar com tudo.

Yumitani: Bem, as pessoas que acreditam que não existe nada após a morte poderiam ainda empenhar algum esforço para viverem de forma agradável, mas provavelmente não se esforçariam tanto para tentar se aperfeiçoar ou para servir aos outros.

Pres. Ikeda: É claro que alguém que pense que a morte é o fim pode viver de forma irresponsável e em absoluto abandono.

Não somente existem restrições sociais contra isso como também, bem lá no fundo do coração, os seres humanos sabem intuitivamente que a vida é eterna e que há uma maneira correta de vivê-la.


Pres. Ikeda: Está se tornando predominante no mundo de hoje a visão materialista de que não há vida após a morte. Creio que seja essa a razão de a ética e a moralidade terem se degenerado em mera ambição. No grande romance Os Irmãos Karamazov, de Dostoievski, a personagem Ivan faz o seguinte comentário: “Supondo que não houvesse nenhum Deus, o que seria então considerado como crime? Todas as coisas seriam lícitas?” Se substituíssemos a palavra “Deus” por “vida após a morte”, poderíamos aplicar a mesma questão. Teríamos um mundo onde poderíamos fazer o que quiséssemos até que alguém nos impedisse.

Ueda: Algumas pessoas fazem a seguinte questão: “A morte é realmente o fim? Caso assim seja, isso significa então que tudo na vida é vazio e sem significado?”

Pres. Ikeda: Somos seres que buscam um significado na vida. Enquanto tivermos um sentido para viver, poderemos suportar qualquer sofrimento. Mas, sem um propósito na vida, podemos ter tudo que quisermos e ainda assim sentirmo-nos completamente vazios, como se nosso espírito perecesse.

Assim como têm de adotar uma perspectiva mais ampla de todo seu período no colegial e dar um significado ao primeiro ano letivo, têm de adotar também uma visão mais ampla para enxergar o propósito de sua vida, ou seja, visualizar esta existência e o que acontece após a morte. Sem isso, não conseguirão valorizar a própria vida. Por essa razão é tão importante a compreensão da vida e da morte.



Fonte: BS, ed. 1.577, 28 out. 2000, p. A3

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