Letizia Bonaparte, a mãe de Napoleão (parte 1)
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Letizia Bonaparte, a mãe de Napoleão (parte 1)

Esta é a primeira parte do discurso proferido pelo presidente Ikeda, na década de 1990, em conferência para representantes da SGI do Canadá em comemoração do Dia da Paz Mundial.


Existem muitas opiniões diferentes a respeito do general francês Napoleão (1769—1821). Hoje gostaria de deixar os outros aspectos de lado e discutir sobre a mãe de Napoleão.

Napoleão criou um império em uma única geração. Esse foi um grande empreendimento. A respeito de suas realizações, Napoleão disse: "Minha boa sorte e tudo o que consegui são devidos a uma única pessoa."

Essa pessoa não era ninguém mais que sua mãe.

"Uma vez que compreendo isso", observou ele, "as ações de um filho, sejam nobres ou cruéis, são determinadas em todos os aspectos pela mãe. Devo o meu destino à maneira como fui criado por minha mãe".


Que tipo de pessoa foi a mãe de Napoleão? Seu nome Letizia significa "alegria" ou "satisfação" [há também registros de Maria Letícia Ramolino]. Ela perdeu seu pai quando jovem, porém, fazendo jus ao nome, cresceu como uma jovem alegre.

Estava com apenas quatorze anos quando se casou com o pai de Napoleão, Carlo, de dezoito anos. Assim, ela não recebeu uma educação completa.

Criada na Ilha de Córsega (localizada ao sul da Itália), falava apenas o dialeto italiano local. Posteriormente, mesmo após ter se tornado a mãe do imperador francês, havia aqueles que zombavam dela por não ter conseguido perder seu sotaque.

Apesar de não ter tido educação, ela empenhou-se em semear em seus filhos certos "princípios para a vida". Deu-lhes firmeza espiritual.

Letizia teve treze filhos, dos quais cinco morreram ainda criança, educando cinco meninos e três meninas.

Letizia instruía Napoleão: "Não importa o que aconteça, as únicas coisas que você precisa defender são a sua honra e as suas promessas. Tome cuidado para nunca ferir a tradição de sua família."

O povo da Córsega era conhecido por dar um valor particular à honra. A mãe de Napoleão não o instruía a fazer o seu próprio nome, mas em vez disso a impedir que fosse envergonhado como ser humano. Em particular, diz-se que ela considerava a traição a maior desgraça de todas, e que não achava irracional uma pessoa culpada por traição ser assassinada.


Napoleão uma vez lembrou: "Desde quando eu era jovem, minha mãe demonstrava sua estreita afeição. Ela se preocupava em assegurar que eu apenas realizasse grandes feitos. Minha mãe nunca valorizava o irrelevante, mas sim o significativo."

Napoleão aprendeu com sua mãe a viver pelos ideais e a direcionar-se rumo a grandes objetivos. Se Napoleão contasse uma mentira, ou se agisse de forma mesquinha, procurando evitar que os outros o descobrissem, sua mãe o punia severamente.

"Até agora, a educação que recebi de minha mãe vive em minha memória", disse ele. "Essas lições agiram durante toda minha vida. Minha mãe tinha um espírito firme preparado pelas extremas dificuldades pelas quais passou em sua vida."


Há casos em que as pessoas são esmagadas ou arruinadas pelo peso das dificuldades pelas quais passam. Porém, no caso da mãe de Napoleão, a labuta da vida funcionou positivamente. Isso porque ela era forte.

Ela sabia por experiência que as coisas deste mundo são passíveis de mudança. E ela sabia que o fato de ocupar uma posição de poder não é nenhuma causa particular para a alegria.

Desde a juventude, ela foi ativamente envolvida na guerra pela independência da Córsega, e diz-se que lutou mesmo quando estava grávida de Napoleão.

Ela sofreu muito com a extravagância de seu marido e por ele ter problemas com a lei. E no final ficou viúva aos trinta e seis anos.

Como única sustentadora da família, teve de trabalhar muito para criar seus filhos. Porém, tão logo pôde desfrutar um breve respeito após esse esforço, foi surpreendida em um conflito e forçada a fugir de sua amada terra natal. Quando ela e seus filhos chegaram ao porto de Marselha, eram uma família de mendigos.


Com seu espírito marcado pelas dificuldades, Letizia tornou-se de fato uma mulher que não perdeu o orgulho em circunstâncias adversas nem seu próprio senso em circunstâncias favoráveis.

O jovem Napoleão, descobrindo que suas perspectivas de avançar no mundo eram desanimadoras, e mesmo tendo sido expulso do exército, durante um período, passou a se lamentar. Naquela época, sua mãe disse-lhe: "Não ser derrotado pelos infortúnios é belo e nobre. Se eu lhe dissesse que os infortúnios se transformam em boa sorte você acreditaria? A lei que o baniu conseqüentemente se tornará uma brilhante prova de honra. Grave minhas palavras. Algum dia, quando você conseguir essa honra, sua reputação se elevará. Você deve acreditar nisso."

Desejando sinceramente corresponder às palavras de incentivo de sua mãe, o jovem Napoleão começou a lutar com seu destino.

Por fim, Napoleão encontrou o sucesso e toda sua família ficou repentinamente rica. Podiam ter tudo o que queriam.

Porém, sua mãe se recusou absolutamente a se entregar à extravagância. Era uma questão de não se esquecer de quem era mesmo em circunstâncias favoráveis.

Em vez de se entregar à luxúria, ela deplorou a prodigalidade. "Não posso me esquecer de que no passado criei meus filhos com rações de comida."

Uma pessoa que nunca esquece as coisas fundamentais e importantes pode ser confiável. É muito freqüente ver aqueles que, tão logo ganham posição e notoriedade, esquecem-se de seus débitos de gratidão, de seus princípios e de sua missão.

Letizia economizou e guardou diligentemente o seu dinheiro. Ela constantemente repreendia suas filhas por serem extravagantes. "Pode chegar um dia em que vocês precisem de dinheiro", ela lhes dizia. Consequentemente o seu pressentimento provou ser verdadeiro, porque Napoleão caiu do poder.



Fonte: Com base no BS, ed. 1.247, 23 out. 1993, p. A4

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