Letizia Bonaparte, a mãe de Napoleão (parte 2)
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Letizia Bonaparte, a mãe de Napoleão (parte 2)

Esta é a segunda e última parte do discurso proferido pelo presidente Ikeda, na década de 1990, em conferência para representantes da SGI do Canadá em comemoração do Dia da Paz Mundial. Se você quiser ler a primeira parte, clique aqui


Foi a mãe de Napoleão que considerou o seu futuro, mesmo quando ele estava no auge da glória, com a maior preocupação. "Não importa como você considere isso, o sucesso de Napoleão foi muito rápido. Algo que é alcançado com muita rapidez inevitavelmente cai por terra também com rapidez."

Quanto mais o filho crescia, mais aumentava a ansiedade da mãe. Mesmo na época em que todos se atiravam diante da autoridade de Napoleão e não havia a menor dúvida da integridade de seu poder, quando os outros elogiavam o sucesso de Napoleão, ela cuidadosamente respondia: "Até quando durar..."

Quando Napoleão estava para se tornar imperador, a pessoa que mais veementemente se opôs a isso foi sua mãe. Para ela, tudo parecia muito perigoso. A base que ele havia construído era muito frágil. No final, ela nem mesmo assistiu à coroação de Napoleão.

No magnífico retrato do acontecimento, de Jacques-Louis David, "Coroação", Letizia é representada na frente. Porém, David na verdade acrescentou a sua imagem ao trabalho posteriormente.


Letizia, que viveu com orgulho independentemente das circunstâncias adversas que enfrentava, continuou a viver modestamente mesmo quando as coisas se tornaram favoráveis para ela.

Parece que mesmo depois de ter se tornado a mãe do imperador, ela se conservou como uma pessoa do povo, sem mudar o mínimo. Ela menosprezava a etiqueta inútil e a prostração, e os costumes triviais da corte.

Ao mesmo tempo, como ser humano, ela não podia tolerar coisas irracionais, e sobre esse ponto seu senso de dignidade era indiscutível.

Sem vacilar, ela seguiu o caminho da humanidade, no qual acreditava.

Quando Napoleão recebeu sua esposa, Marie Louise, da família real da Áustria, a mais celebrada família da Europa, sua mãe recusou-se a oferecer seus cumprimentos à "princesa real". "Eu sou sua mãe", disse ela. "A imperatriz é que deveria vir cumprimentar-me."

E assim foi que a "primeira princesa da Europa", diante da qual até mesmo Napoleão dificilmente poderia levantar sua cabeça, foi até essa pessoa comum, que falava em dialeto, para oferecer seus cumprimentos.

Quando Napoleão caiu do poder e foi enviado à Ilha de Elba, foi sua mãe que o acompanhou diretamente até seu exílio. "Pelo menos posso ser de alguma utilidade." Assim dizendo, ela entregou todas as suas economias ao seu filho.

Não importando o quanto fossem frios os olhos da sociedade, ela viveu com seu filho e foi feliz. Ela foi uma mãe no verdadeiro sentido da palavra. Quando seu filho sofria o infortúnio, ela quis estar ao seu lado.


Daishonin usa a expressão "como a benevolência da mãe para com seu filho" (Gosho Zenshu, p. 721.). O amor de uma mãe é sublime. Em épocas felizes, as pessoas se ajuntam ao redor de outras, mas nos maus momentos tornam-se frias e distantes. Entretanto, o amor de uma mãe é sempre o oposto.

A benevolência budista é ainda mais profunda. O amor de mãe, embora semelhante, não é igual. A benevolência é a força básica para salvar um indivíduo e conduzir todas as pessoas à felicidade. A função dessa benevolência pulsa na SGI.

Os membros oram e encorajam constantemente aqueles que estão com problemas ou doentes. Onde mais se poderia achar um mundo com tal calor humano? Por favor, trabalhem juntos para protegerem esse belo mundo.


Napoleão se alegrara com a vinda da mãe. Entretanto, como um herói da revolução, ele possivelmente não deveria estar contente na pequena Ilha de Elba (na costa oeste da Itália).

Finalmente ele anunciou: "Estou partindo."

Sua mãe ficou surpresa: "Onde você vai?"

"Paris! Mas primeiro quero ouvir o que você pensa."

Desnecessário dizer que retornar a Paris significava sua morte.

Após permanecer em silêncio por um momento, Letizia disse finalmente: "Vá! Vá, meu filho, para onde conduz seu destino! Você não nasceu para morrer nesta ilha desprezível."


E assim, Napoleão deixou a ilha. Após seu retorno seguiu-se o famoso "reinado dos cem dias".

Posteriormente, ele foi derrubado novamente do poder e dessa vez foi exilado na ilha de Santa Helena (no Atlântico Sul). Napoleão morreu cinco anos depois (aos 51 anos).

Sua mãe viveu mais quinze anos (até os 87 anos). Durante esse período, não importando a que inimigos e lutas fosse sujeita, ela viveu repleta de orgulho: "Eu sou o que sou. Sou a mãe de Napoleão." Até o fim ela não mudou.

Atualmente Napoleão é tanto louvado quanto criticado. Seja o que for, há poucos que poupariam elogios à sua mãe. Isso é provavelmente devido a ela nunca haver se desviado do caminho da humanidade.

Mesmo após todas as glórias externas terem se desvanecido, a luz da personalidade transcende o tempo sem perder seu brilho.

Essa grande mulher disse: "Certamente não fui iludida pela ostentação e adulação na corte. Se meus filhos tivessem prestado mais atenção ao que eu disse, suas vidas provavelmente teriam sido melhores."


Napoleão herdou o "espírito de granito" de sua mãe, e assim viveu por toda a sua vida.

Pondo de lado questões sobre a nobreza de seus objetivos, podemos aprender muito da atitude de Napoleão. Nada é impossível, acreditava ele, para uma pessoa que avança resolutamente. E com essa atitude, Napoleão empenhava-se constantemente em avançar.

Embora ele não abraçasse a fé na Lei Mística, Napoleão avançava destemidamente. Então nós, que abraçamos a grande e ilimitada Lei Mística, não temos nada a temer.



Fonte: Com base no BS, ed. 1.247, 23 out. 1993, p. A4

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