Libertem-se da violência e do autoritarismo
  • ARTIGOS

Libertem-se da violência e do autoritarismo

Nossas atividades da SGI podem ser descritas como uma batalha espiritual para conquistar a liberdade necessária para viver de forma significativa

Texto com base na mensagem do presidente Ikeda enviada para a Conferência Nacional de Dirigentes de Província realizada no Centro Cultural Soka na Sede da Soka Gakkai, em Shinanomachi, Tóquio, no dia 4 de março de 2002.


Liberdade de expressão

[Norman] Rockwell foi um famoso artista que retratava cenas das pessoas e da vida diária. Ele pensou exaustivamente em como melhor representar as “Quatro Liberdades”. Com o desejo de fazer uma contribuição ao povo como um artista, ele estava determinado a encontrar uma maneira de retratar seu tema de tal forma que todos compreendessem e se simpatizassem com o assunto.


Quando Rockwell deu enfim início a esse grande empreendimento, ele ficou novamente chocado com a dificuldade da obra. Além disso, teve também de lutar contra a doença. Seu longo e doloroso processo de exploração artística continuou. E então, de repente, ele se lembrou das palavras de seu mestre: “Entre na pintura e viva nela.” Era isso! Ele retrataria os cidadãos comuns praticando e experimentando as “Quatro Liberdades” em sua vida diária.


Ele recordou uma cena que havia testemunhado certa ocasião em que um simples trabalhador se levantou e manifestou corajosamente sua opinião em uma reunião de moradores do bairro. Essa era com certeza a representação perfeita da liberdade de expressão!


Rockwell empregava homens e mulheres comuns ao seu redor para que manifestassem os nobres ideais das “Quatro Liberdades” de uma maneira que fosse fácil para as pessoas compreenderem e reconhecerem.


Pessoas do povo

Em sua pintura intitulada “Liberdade de Expressão”, ele não retratou um político nem uma personalidade de poder, mas sim um honesto e intrépido homem do povo. Seus protagonistas são as pessoas comuns.


“Libertar-se das Necessidades” retrata um sorridente grupo de familiares e amigos reunidos felizes, sentados a uma mesa de jantar.


“Libertar-se do Medo” apresenta uma mãe e um pai aconchegando seus filhos em segurança na cama. O pai segura na mão um jornal com manchetes sobre a guerra.


E em “Liberdade de Crença” há um grupo de homens e mulheres, jovens e idosos de várias etnias realizando uma oração.


Essas quatro pinturas foram apresentadas originariamente como capa de uma revista popular, a Saturday Evening Post. Eles despertaram uma grande reação e posteriormente as “Quatro Liberdades” influenciaram a Carta das Nações Unidas e a Declaração Universal dos Direitos Humanos. As pinturas de Rockwell também foram utilizadas em pôsteres para a Carta das Nações Unidas.


Conquistar a liberdade a todo instante

A liberdade não é um conceito abstrato e separada de nossa vida. Ela não é algo que nos é dado por outras pessoas. Tampouco é algo que pertence apenas a algumas pessoas e a outras não. A liberdade é algo que as pessoas comuns que vivem na sociedade devem conquistar dia após dia, por si sós, tornando-se sábias e fortes.


De uma certa perspectiva, nossas atividades da SGI podem ser descritas como uma batalha espiritual para conquistar a liberdade necessária para viver de forma significativa.


A primeira liberdade a que a humanidade deve objetivar para o século 21 é “libertar-se da violência”. A violência não é aceita de nenhuma forma — seja a violência da guerra ou o terrorismo, a violência na sociedade ou no lar. Todos os nossos pensamentos e ações devem demonstrar o respeito pela dignidade da vida. Por isso, não podemos permitir o discurso violento ou o “terrorismo das palavras” que viola os direitos humanos.


A segunda liberdade pela qual a humanidade deve se empenhar para conquistar no século 21 é “libertar-se do autoritarismo”. O espírito humano necessita ser liberado das autoridades tirânicas, tais como as religiões hipócritas que buscam escravizar as pessoas, assim como personificado pela seita Nikken. Nichiren Daishonin disse com clareza: “Não tenham medo do poder".


A “liberdade de contribuir” para a educação e a cultura

Gostaria de propor a “liberdade de contribuir” como a terceira liberdade do século 21. Nós vivemos atualmente uma existência cooperativa, oferecendo ilimitada coragem, força e incentivo às outras pessoas. A SGI está engajada de forma positiva e ativa em contribuir para a sociedade nas áreas da paz, da cultura e da educação. Orar pela felicidade dos outros e conduzi-los ao caminho correto da fé também faz parte, naturalmente, da “liberdade de contribuir”. Participar da política e monitorar o governo de forma rigorosa também é um aspecto dessa liberdade. Ninguém pode nos privar dela e tampouco devemos permitir que isso aconteça.


A quarta liberdade que quero propor é a “liberdade da vida”. Esta liberdade significa buscar, de acordo com a grandiosa e fundamental Lei que permeia toda a vida e o universo, transformar nosso destino negativo ou carma e construir um estado de absoluta felicidade em nossa vida. Significa também vencer os sofrimentos fundamentais de nascimento, doença, velhice e morte e atingir a “liberdade da vida” eterna. A transformação do destino de toda a humanidade encontra-se no nobre caminho da revolução humana — a transformação interior de cada pessoa.

O famoso poeta da Renascença Americana, Walt Whitman, disse: “Vida, a vida é a terra lavrada, e a Morte é a colheita conforme essa terra.”1 O kosen-rufu é a suprema e insuperável “terra lavrada da vida”. Uma vida dedicada ao kosen-rufu é aquela em que podemos desfrutar a alegria tanto na vida como na morte. Os escritos de Nichiren Daishonin nos ensinam que existência após existência seremos envoltos por infinita boa sorte e pela colheita da glória.


Recentemente (no dia 20 de fevereiro de 2002), em nome de todos os nossos membros, e não apenas dos membros o Departamento de Artistas, recebi o título de professor honorário do Instituto Nacional de Artes e Design Kamoliddin Bekhzod do Uzbequistão, uma estimada instituição de ensino no Caminho da Seda. O budismo ensina que “a mente é um habilidoso pintor”. Assim como um habilidoso pintor, a mente descreve todas as coisas livremente. O espírito é um grande artista — os professores desse instituto que vieram ao Japão entregar esta homenagem ficaram profundamente impressionados com essas palavras e manifestaram o desejo de torná-las o lema de sua escola.


Tanto na arte como na vida, nosso coração e nossa mente determinam tudo. Vamos viver como excelentes pintores. Vamos criar uma magnífica pintura da liberdade, da verdade e da justiça que dure por toda a eternidade.


Fonte: Brasil Seikyo, ed. 1.665, 31 ago. 2002, p. A3
TAGS:ARTIGOS

Nota:

1. Walt Whitman, Leaves of Grass. Nova York, Dutton, 1968, p. 374.

• comentários •

;