Mães e mulheres do Brasil
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Mães e mulheres do Brasil

sorriam e avancem destemidamente (PARTE 1)

Esta é a primeira parte do diálogo do presidente da SGI, Daisaku Ikeda, publicado na íntegra pelo jornal Brasil Seikyoem abril de 2014, na sessão Encontro com o Mestre.


Como o samba brasileiro,

Alegre e animado,

Desejo aos amigos a felicidade

Em ritmo de samba!


O Sol sempre ilumina algum lugar da Terra, que gira ininterruptamente. De modo semelhante, as mulheres que possuem um “coração radiante como o sol” sempre iluminam algum lugar do planeta.

Daisaku Ikeda na primeira visita à Sede Central da Coreia do Sul (maio de 1998)

As japonesas iniciam suas atividades banhadas pelo arrebol (cor avermelhada da alvorada). Já as brasileiras, do outro lado, encerram sua jornada de trabalho envolvidas pelo crepúsculo.

O fuso horário entre o Japão e o Brasil é exatamente de doze horas. O amanhecer e o entardecer, bem como o dia e a noite, têm natureza distinta; um se localiza no hemisfério norte e outro, no hemisfério sul. Portanto, as estações do ano também são o inverso. No Japão quando é primavera, no Brasil é outono; quando um está no verão, o outro está no inverno.

Quando penso nesse distante país de minhas amigas, que vivem num ritmo totalmente oposto, neste exato momento, meu coração se enche de abundante entusiasmo.

Recebendo o novo amanhecer hoje também, iniciemos o dia com alegria e ânimo, em ritmo de samba, herdando o “coração radiante como o sol” das alegres companheiras do Brasil.


Meu coração,

Criando asas,

Voa para a América do Sul,

Percorrendo a terra e o céu para

Onde bons amigos me esperam.


Coração esperançoso

A palavra que mais ouço com frequência quando converso com meus amigos brasileiros é “esperança”, contida também nestas expressões:

“Mesmo que esteja sofrendo agora, jamais serei derrotada!”

“Se suportar as intempéries da vida agora, infalivelmente dias melhores virão!”

“Amanhã é outro dia. Novo sol se levanta.”

“Haja o que houver, avancem sempre!”

No sorriso das mães e das mulheres brasileiras brilha a destemida luz da esperança.

A expansão do Brasil e dos países sul-americanos será a força propulsora para a paz e prosperidade do mundo. Desde a juventude, vim dialogando sobre esse assunto com meu venerado mestre, o professor Josei Toda, e essa ideia se tornou a esperança para mestre e discípulo.


Brasil, terra natal do meu coração

Viajei pela primeira vez ao Brasil em 1960, terra para a qual meu mestre tanto desejou ir. A jornada foi longa. Passei mal pouco antes da saída nos Estados Unidos rumo ao Brasil, e todos que me acompanhavam sugeriram que eu cancelasse a viagem. Contudo, estava decidido ir, mesmo que tombasse no meio do caminho. E com essa determinação, pisei em terras brasileiras.

Viajar do Brasil para o Japão, e vice-versa, tornou-se consideravelmente agradável nos dias atuais. Mesmo assim, toda vez que recebo amigos que vêm de um lugar tão distante, louvo seus esforços empreendidos.

Quando cheguei ao país, inicialmente visitei uma cooperativa agrícola fundada pelos primeiros imigrantes japoneses que moravam em São Paulo. O rosto dos pioneiros queimado pelo sol, pessoas que se dedicavam à agricultura e que se tornaram uma ponte entre Japão e Brasil, brilhava de orgulho pelo próprio desempenho. Visitei um amigo em sua casa, perguntei-lhe sobre as dificuldades enfrentadas no trabalho e na sociedade, incentivei-o com toda a minha força e, juntos, encontramos a luz da esperança. São momentos inesquecíveis gravados no meu coração.

No Rio de Janeiro, subimos juntos o morro do Corcovado e apreciamos a cidade carioca. Naquele momento, observamos um arbusto que, embora pequeno, certamente se tornaria uma frondosa árvore em dez ou vinte anos. Da mesma forma, os esforços empreendidos pelos companheiros também seriam recompensados.


Jamais ser derrotado!

No coração de todos os pais e de todas as mães que encontrei em cada lugar que visitei ardia o forte espírito de jamais serem derrotados. “Para o bem da minha localidade e para o meu amado Brasil, dedicarei a vida e serei a base para o progresso deste imenso país e os jovens que me seguirão se tornarão frondosas árvores que florescerão e darão frutos.”

Assim aconteceu... Os seres humanos de valor florescem exuberantemente nesta terra e as árvores carregam o fruto da esperança.


Ó Brasil,

Que amo do fundo do meu coração!

Minhas amigas

Não temam a nada

Como um anjo.


Era 1984. Nesse ano, concretizei meu grande sonho e pela terceira vez visitei as terras brasileiras. Recebi o convite do então presidente da República, o general João Baptista de Oliveira Figueiredo, e dialoguei com ele em sua residência oficial em Brasília.

Em São Paulo, um grandioso festival cultural foi realizado, e mais de 23 mil companheiros dançaram e cantaram alegremente. Tornou-se o festival de explosão da alegria do povo brasileiro que não aceitou a imposição da censura pelo regime militar contra a liberdade de expressão e contra a manifestação cultural.


É pique, é pique!

A apresentação dos meninos e das meninas, a dança das jovens e das jovens senhoras, a banda feminina e a torre de cinco andares erguida com a bandeira da paz mundial pelos jovens foram o auge do evento. Além disso, um painel humano formou com lanternas coloridas a bandeira brasileira e outras imagens. O grito de pique-pique de todos os presentes está gravado fortemente no fundo do meu coração.

“O ser humano que é capaz de sintonizar, cooperar e se unir de forma tão bela com os outros seres humanos. É fantástico!” Foram palavras de elogio e de louvor ditas por personalidades de diversas áreas que compareceram ao evento naquele dia, e todos aplaudiram de pé.

Oscar Niemeyer, o grande arquiteto brasileiro, projetista da cidade de Brasília, prezou muito a união entre as pessoas e clamou: “O importante é que eu existo para ajudar outra pessoa”; “Precisamos transformar nossa sociedade em um lugar mais humano, uma sociedade em que se sinta prazer de apoiar um ao outro”.


A vitória surge do real esforço

No Brasil, acontecerão os jogos da Copa do Mundo de Futebol. Além disso, está prevista a realização dos Jogos Olímpicos — os primeiros em terras sul–americanas — em 2016, no Rio de Janeiro.

O hino da cidade do Rio de Janeiro, banhada por maravilhosas praias, com belas montanhas e iluminada pela luz do Cruzeiro do Sul, exalta:


Cidade maravilhosa,

Cheia de encantos mil

Cidade maravilhosa,

Coração do meu Brasil

Berço do samba e das lindas canções!

Que vivem n’alma da gente.

És o altar dos nossos corações que cantam alegremente!


Há uma linda melodia no coração das pessoas que se alegram chamando a localidade em que vivem de “cidade maravilhosa”. Há uma alegre canção na vida das pessoas que se empenham em construir “uma cidade maravilhosa” por meio do seu esforço.

O Brasil recebeu muitos imigrantes de vários países, inclusive do Japão. Venceu suas diferenças e as pessoas construíram uma sociedade dinâmica em que há fusão de diferentes raízes e culturas. Muitos sábios apontam o país como o “berço de infindáveis belas canções”, em virtude dessa característica marcante do povo brasileiro.

O grande pianista e maestro brasileiro Amaral Vieira é meu amigo há muito tempo. Ele veio se dedicando e se esforçando no estudo do piano desde a juventude.


Afinal, por que o homem vai em busca de uma música?

O prof. Amaral Vieira, por meio de seu discernimento, disse que a própria vida possui inerentemente uma natureza boa que busca se harmonizar com o ambiente natural e com as pessoas ao redor.

O termo “piano” é derivado do instrumento musical inventado no século 18 em que era possível extrair diferentes intensidades de sons, muito mais que outros instrumentos de teclado, e por isso recebeu denominação de “piano-forte” (do pianíssimo ao fortíssimo) e, mais tarde, o nome foi reduzido para apenas “piano”.

Oitenta e oito martelos ativados por teclados vibram livremente para emitir sons flexíveis que produzem um concerto místico. Da mesma forma, na sociedade atual, onde reina o desentendimento, é preciso que cada pessoa liberte sua natureza boa para depois unir e tocar uma melodia em perfeita harmonia.



Fonte:

BS, ed. 2.225, 26 abr., 2014, p. B2

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