Manifeste coragem para se levantar sozinho
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Manifeste coragem para se levantar sozinho

Aqueles que se mantêm fortes quando ficam sós são possuidores de genuína coragem

Schiller (1759–1805), célebre filósofo e poeta alemão, afirmou que aqueles que se mantêm fortes quando ficam sós são possuidores de genuína coragem. E essas palavras são um tesouro que conservo­ desde jovem.

É um erro seguir cegamente a multidão. Quando seguimos algo sem estarmos realmente convencidos, só porque todo mundo faz o mesmo, contentando-nos em não ter de tomar decisões, isso apenas nos levará à apatia e à ociosidade. Essa é uma tendência muito perigosa.

Se alguém afirma que guerrear está correto, todos se precipitam à guerra, sem a menor oposição, ainda que no fundo saibam que seja algo ruim. Ninguém tem coragem de se levantar e declarar: “A guerra é um erro terrível!”. Nós nos deixamos levar pela correnteza e aderimos de imediato a supostas grandes causas ou a tendências passageiras. Não devemos permitir que ninguém nos desvie do nosso caminho e jamais renunciar ao nosso compromisso com a paz, ao desejo de aprender e ao amor pela humanidade.

Transformar em ação esses ideais e propagá-los entre as pessoas é um ato de coragem. Ela vive dentro de nós. Devemos fazê-la emergir das profundezas da nossa vida.

Refugiar-se sob o amparo da multidão é um ato de covardia. É fascismo, não democracia. Em uma democracia, cada um deve reconhecer que é o protagonista em sua comunidade e que, como tal, possui uma responsabilidade a cumprir. Há muitos interesses pessoais e atitudes egocêntricas; há também muitos que seguem cegamente o que dita a maioria, são pessoas que se deixam levar pelas massas.

Somente quando as pessoas adquirem a coragem de levantarem-se sós é que poderão conduzir o mundo para a paz e para o bem. E quando essas pessoas somarem forças, unidas por laços de firme solidariedade, será possível transformar a sociedade. Porém, tudo começa a partir de vocês. É preciso que sejam valentes.

A coragem caminha sempre ao lado da justiça. Ela surge do desejo­ de defender o que é correto, de construir uma sociedade justa e de se tornar excelente ser humano.

Uma vez que decidimos fazer o bem, não apenas pensando em nós próprios, mas também em toda a humanidade, é preciso ter coragem, a força que torna essas ações possíveis. Podem ser ações que não chamem a atenção, porém possuem o brilho resplandecente do bem.

Pôr fim ao bullying entre estudantes nas escolas é também um ato de bravura. Enfrentar as adversidades e superar as circunstâncias mais difíceis é, do mesmo modo, uma prova de coragem. Equivale também a viver dia a dia com decência e honestidade.

Em nosso meio familiar ou quando estamos com nossos amigos, é importante expressar claramente nossa opinião para que todas as situações sejam resolvidas da melhor maneira possível. Quando nos dispomos a seguir esse rumo e a ajudar os demais a fazer o mesmo, estamos revelando provas admiráveis de valentia. Não importa o que os outros digam, vocês devem agir de acordo com o que acreditam ser correto. Se tiverem coragem para proceder assim, terão em suas mãos um instrumento ilimitado de poder. No budismo, chamamos essas pessoas de bodisatvas e buda.

Os que possuem verdadeira coragem jamais demonstram covardia ou mesquinhez. São pessoas honestas e sinceras. Por essa razão, frequentemente são incompreendidas, difamadas e desprezadas pelos outros. Porém, há os que são grandes manipuladores e que conquistam a fama e o reconhecimento porque sabem muito bem como promover sua imagem se utilizando dos piores recursos. As demais pessoas se impressionam com sua fama e celebridade e os invejam.

Portanto, não devemos nos permitir ser influenciados por elogios ou críticas. Aqueles que agem de acordo com o que acreditam ser correto — mesmo que sejam alvo de desdém, incompreensão e perseguição — desenvolvem uma clara consciência de tudo e são verdadeiros vencedores na vida.

Por definição, a coragem deve estar embasada no senso de justiça e de solidariedade. O presidente Josei Toda costumava dizer: “A verdadeira benevolência é algo muito difícil de as pessoas manifestarem. As emoções interferem constantemente e, muitas vezes, as pessoas acham trabalhoso e não querem modificar certos sentimentos. A benevolência é imprescindível, porém é muito difícil de cultivar. Nós podemos, no entanto, cultivar essa qualidade. Dessa forma, embora saibamos que a benevolência é fundamental, o que podemos fazer é agir com coragem”. E, de fato, se agirmos corajosamente, veremos que nossa benevolência pelos outros realmente irá se aprofundar. A coragem é uma virtude essencial que podemos nos esforçar para adquirir.

Fonte:

Brasil Seikyo, ed. 2331, 16 jul. 2016, p. B4
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